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IGREJA/SOCIEDADE
Fraternizar faz sua esta posição que o pe. Mário
defendeu, dia 07/12/06, na Faculdade de Direito de Lisboa
Aborto: sim à Lei
Tal como todos os bispos católicos portugueses, também eu, presbítero da Igreja do Porto, sou contra o aborto. Acho, até, que todas, todos os que estamos aqui neste debate também somos. É uma posição que todo o ser humano em seu juízo subscreve. Não é preciso ser crente católico ou ateu. Basta ser mulher, homem.
Mas os bispos católicos em bloco pelo menos, é esta a imagem que fazem passar para a comunicação social, quando se reúnem em Fátima são contra a lei de despenalização do aborto (IVG); e eu sou a favor da lei. É aqui que divergimos. Muito legitimamente, aliás. É a lei que nos coloca em campos opostos. No campo dos princípios, eu poderia estar com os bispos católicos. Mas não é isso que está em jogo no Referendo do dia 11 de Fevereiro de 2007.O que está em jogo é se uma mulher, a seu pedido, pode interromper uma gravidez que, no entender da sua consciência, não deve ir em frente; se, no caso dela avançar nessa decisão, pode recorrer aos hospitais públicos para abortar em condições de segurança e sem riscos maiores para a sua saúde e, assim, ficar em condições de poder protagonizar novas gravidezes desejadas e achadas oportunas por ela e seu companheiro; e se, depois de tudo isto, essa mesma mulher não tem de ser presa, levada a tribunal e condenada a vários anos de cadeia.
A lei que vai a referendo pretende abrir esta possibilidade, sobretudo, às mulheres pobres e mais oprimidas, de quotidianos muito difíceis; porque as outras mulheres, de nível social e cultural superior, não precisam que se lhes abra esta possibilidade. Quando decidem abortar, mesmo que votem “não” no Referendo, sabem muito bem onde há clínicas privadas e vão por elas, como quem dá um passeio à nossa vizinha Espanha.
A lei que vai a referendo pretende abrir esta possibilidade às mulheres. Não impõe a nenhuma mulher grávida o aborto! Pretende apenas dar às mulheres grávidas que em consciência decidiram abortar esta possibilidade de escolha e de prática. Para que as mulheres que decidiram abortar, nas primeiras dez semanas, não fiquem condenadas a ter de o fazer na clandestinidade, às mãos duma habilidosa abortadeira, em condições de vergonha e de desumanidade; ou, em alternativa, não tenham de recorrer a clínicas privadas interessadas exclusivamente nos lucros, geralmente chorudos, que arrancam às mulheres, em aflição, que as procuram. À semelhança do que também hoje fazem certas Igrejas recém-fundadas que invadiram o nosso país e que mais não são do que máquinas de fazer dinheiro à custa da dor humana dos mais desvalidos e desamparados da sociedade.
Por mim, não quero que uma mulher que em consciência decidiu abortar tenha, como única saída, o aborto clandestino, feito em condições traumáticas que podem tornar infecunda para o resto da vida aquela que o faz, tantas vezes, ainda jovem, ou mesmo adolescente, e que, por razões as mais diversas, engravidou contra a sua vontade. Nem que a razão mais forte tenha sido a irresponsabilidade ou a leviandade ocasionais. Numa sociedade humana, não apenas animal, quero que a mulher embaraçada com uma gravidez não programada e não projectada tenha outra porta aonde bater e que essa porta sejam os estabelecimentos de saúde pública. A lei que vai a referendo é isso que proporciona às mulheres grávidas que em consciência decidam abortar, dentro do período máximo das primeiras dez semanas. Por isso é bem-vinda. Já deveria ter sido aprovada há muitos anos.
Eu sei que há muitas outras questões em jogo, mas também sei que há muita hipocrisia que se esconde por trás dessas muitas outras questões. Não me perco nessa floresta de questões. Prefiro a simplicidade da verdade, o sim-sim/não-não que recomenda o Evangelho. Prefiro ir directo ao assunto. Acho que é mais pastoral e mais evangélico.
Os bispos católicos portugueses, infelizmente, não vêem assim. E escondem-se por trás do que eufemisticamente chamam “defesa da vida”. Mas quem defende mais a vida, no caso concreto duma mulher que decidiu na sua consciência abortar? O que a atira para o aborto clandestino e para a prisão, ou o que lhe abre a porta do hospital público, em ambiente de humanidade, de afecto, de diálogo e de menos traumas? Nesta última via, a mulher não fica em melhores condições de saúde para poder programar uma nova gravidez desejada e levá-la ao fim? Aliás, conceber entre seres humanos não há-de ser diferente, não tem de ser diferente de conceber entre animais? Um acto de tamanha importância, como é gerar uma filha, um filho, não exige mais, muito mais do que o simplismo irresponsável de um “aconteceu e agora há que aguentar"?
É hipocrisia ignorar esta realidade e, em alternativa, defender que se deve investir tudo na prevenção, em lugar de ir a correr aprovar a lei de despenalização do aborto. O que eu defendo é: aposte-se tudo na prevenção, mas, enquanto continuar a haver mulheres que abortem às mãos de habilidosas abortadeiras, aprove-se a lei de despenalização e abram-se os hospitais públicos a estas mulheres de carne e osso e de vidas difíceis, como alternativa às abortadeiras e à clandestinidade. Não coloquemos as coisas em dijuntiva: ou-ou, mas em copulativa: e-e; não, prevenção ou lei de despenalização, mas, prevenção e lei de despenalização, pelo menos enquanto esta for necessária como mal menor. Acho que esta minha orientação pastoral está muito mais conforme ao Evangelho de Deus que Jesus, o de Nazaré, nos deu a conhecer mediante a sua prática cheia de misericórdia contra a insensibilidade/crueldade dos fariseus que, em nome da pureza legal, mantinham as pessoas, sobretudo, as mulheres na opressão e na menoridade e na impossibilidade de escolherem em consciência.
Antes de concluir, tenho que dizer aqui, no contexto deste debate sobre a lei de despenalização do aborto, e dizê-lo sem que a voz me trema, que cruel é o Direito Canónico da Igreja católica que condena com pena de excomunhão as mulheres que abortam; e já não condenaria com essa mesma pena as mulheres que, só para não serem excomungadas, decidissem levar a gravidez ao fim e depois matassem o bebé recém-nascido. Espantam-se? Mas é assim a crueldade do Código de Direito Canónico! Mas eu pergunto mais: E porque é que só o aborto tem pena de excomunhão e não todo e qualquer homicídio voluntário, nem as guerras, nem os ditadores? Não é porque só as mulheres podem escolher e decidir abortar, não os homens?
Digo mais: Insensíveis são os bispos católicos, para não dizer cruéis, que não querem que as mulheres sejam sujeito de direitos e de deveres, também em relação ao seu corpo e à sua sexualidade e para decidirem em consciência se hão-de abortar ou não. Querem-nas eternamente menores, súbditas, tuteladas, primeiro pelos pais, depois pelos maridos e, durante toda a vida, pelos párocos, bispos e papa!
Insensíveis são os bispos católicos, e muito pouco humanos, porque não são capazes de se alegrar com a emergência e a crescente afirmação da sociedade civil, feita de mulheres e homens em radical igualdade, que hoje já se revela capaz de legislar em matérias até há pouco reservadas a eles e ao papa de Roma. Por mim, alegro-me com estes avanços e acho que eles dão glória a Deus, o de Jesus, que nos quer cada vez mais adultos e responsáveis, capazes de decidir em consciência.
Vão, pois, por mim. E no dia 11 de Fevereiro de 2007, reconheçam às mulheres o direito a escolherem em consciência se hão-de levar a gravidez ao fim ou se hão-de interrompê-la no ambiente humano e afectivo de um hospital público.
Finalmente, à Igreja católica que também sou, nomeadamente, à sua hierarquia, peço que não se intrometa na consciência das mulheres, nem dos homens. Pelo contrário, ajude sem sectarismos e sem moralismos farisaicos a formar consciências humanas responsáveis. E o resto virá por acréscimo. Aliás, o que não for assim é pecado!
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Celibato dos padres:
pressões obrigaram Vaticano a reunir
De novo o ferrolho, em lugar
de saudável tsunami na Igreja católica
No início da 2.ª quinzena de Novembro, o Papa Bento XVI convocou o alto clero para um encontro no Vaticano. A lei do celibato eclesiástico estaria no centro do debate. São tantos e tão graves os escândalos, nomeadamente, os casos de pedofilia nos Estados Unidos, que os media pensaram que a lei iria ser revogada. Ingenuidade das ingenuidades. Fraternizar foi ver o que o pe. Mário escreveu a propósito no seu Diário Aberto, na net. Eis o que encontrou.
Inesperadamente, o celibato dos padres voltou ao debate nas rádios e nas televisões do país. O papa Bento XVI convocou esta semana um encontro de alto nível no Vaticano, com cardeais manifestamente misóginos, incapazes de qualquer emoção erótica, e com todo aquele ar de meros funcionários eclesiásticos especialmente preparados e vestidos para se movimentarem à vontade na corte do poder imperial eclesiástico, para com eles debater o magno problema. E não é que logo muita boa gente pensou que o encontro seria para, finalmente, se mexer na lei eclesiástica em vigor? Até o Movimento NÓS SOMOS IGREJA emitiu uma nota a saudar o encontro, o que me fez sorrir, perante tamanha ingenuidade. Mas como é que ainda fomos capazes de imaginar que seria este papa Bento XVI a pôr fim à cruel lei eclesiástica do celibato? Também o Movimento internacional dos Padres Casados alimentou idênticas expectativas em torno deste encontro, o que me espanta e quase escandaliza. Como é possível semelhante ingenuidade da parte destes dois sectores progressistas da Igreja? Então achávamos provável que, de repente, o papa Bento XVI fosse capaz de desacreditar o ex-cardeal Ratzinger? Não é manifesto que o cardeal Ratzinger, antes de ter sido feito papa Bento XVI, foi sempre o braço mais obscurantista do pontificado do seu antecessor, o papa João Paulo II? Não foi ele o seu principal anjo mau, adversário declarado de um Cristianismo com entranhas de humanidade, vivido na liberdade e na responsabilidade de cada um dos seus membros? Não perseguiu ele, com ódio teológico e até à morte simbólica, alguns dos maiores expoentes da Teologia da Libertação? E não é também ele quem, agora, uma vez feito papa Bento XVI, começou logo a ponderar na possibilidade do regresso em força do latim às missas e à liturgia católica em geral? E não é também ele quem, mesmo antes de ser papa, já havia decidido que até Deus, se quiser ter futuro, terá que ser católico romano e acatar como verdade absoluta os seus pessoais pontos de vista teológicos? Que outra coisa pode significar, senão isto mesmo, aquele famigerado documento Dominus Iesus, sobre o ecumenismo das Igrejas, que ele, na sua qualidade de Presidente da Congregação para a Doutrina da Fé, redigiu e obrigou o papa João Paulo II a assinar e, assim, torná-lo doutrina a ter de ser acatada por toda a Igreja?
Pode parecer que estou a caricaturar, mas não estou. Os comportamentos do cardeal Ratzinger/papa Bento XVI é que são mesmo assim. Por mim, limito-me apenas a dar-lhe mais visibilidade, através duma linguagem descodificada, feita de algum humor e muito amor. Aliás, é para isto que existem ou devem existir os jornalistas, elas e eles, quando o são verdadeiramente, e não se resignam nunca a ser simples pés de microfone, ou simples correias de transmissão dos argumentos dos opressores e dos poderosos do mundo, que sempre se têm na conta de deuses infalíveis e sem pecado, ou todos eles não identificassem sistematicamente a acirrada defesa dos seus próprios interesses corporativos com a verdade e a justiça! Mas é óbvio, no que me diz respeito, que sempre recusei ser jornalista do sistema e do regime, e dos interesses instalados. De outro modo, já não seria jornalista, mas um simples escriba contratado pelos poderosos. Os quais, hoje, com os seus grandes media, se constituíram nos novos guias cegos que, 24 horas sobre 24 horas, maltratam e desorientam as populações menos ilustradas, bem como a generalidade dos povos do planeta.
É por isso que eu, quando ouvi aquela notícia do encontro de alto nível convocado pelo papa Bento XVI para o Vaticano, logo pensei cá para mim que a Cúria romana andará em grande aflição com as pressões que lhe chegam de todo o mundo católico e não católico contra uma lei tão absurda, como é esta lei eclesiástica que condena todos os padres católicos ao celibato, para cúmulo, só os padres católicos do Ocidente, uma vez que a mesma Igreja católica romana segue outra disciplina relativamente aos padres católicos do Oriente. E só podem ser pressões em quantidades verdadeiramente esmagadoras e com muito peso moral, por parte de quem as subscreve, e todas elas a exigir ao papa que ponha fim a semelhante lei eclesiástica, objectivamente imoral e anti-natural. A qual, para lá de absurda, também perfaz um pecado grave sem perdão.
Mas, ao mesmo tempo, pensei também que o papa Bento XVI, com esta sua convocatória, mais não pretenderia do que forçar os cardeais das diversas Congregações da Cúria a estarem com ele e com a sua teimosia em manter essa lei eclesiástica, sem a qual e nisso, tem ele razão, mas para sua vergonha! o actual modelo de Igreja clerical e de Cristandade, em vigor, desde há uns 16 séculos, nunca mais terá viabilidade.
Nesta sua cegueira (todo o poder cega e o poder absoluto cega absolutamente), o ex-cardeal Ratzinger, hoje, Bento XVI, parece nem se dar conta de que, felizmente, já aconteceu na nossa Igreja católica o Concílio Vaticano II que nos apontou um outro modelo de Igreja, o da Igreja Comunidade de comunidades, sem clérigos a conduzir os seus destinos, menos ainda clérigos celibatários à força, apenas com ministros ordenados e não ordenados, mulheres e homens, indistintamente, e todos animados da mesma fé de Jesus, por isso, um modelo de Igreja tendencialmente sem hierarquia, constitucionalmente mais humana e mais serva e pobre, como bem profetizou no seu tempo o inesquecível Papa João XXIII.
Teria sido grande a minha alegria, se me tivesse enganado quanto ao desfecho deste encontro de alto nível. O fim do celibato obrigatório, se tivesse sido assumido nesse encontro, equivaleria a um sismo na Igreja católica do Ocidente. Mais que um sismo, seria um verdadeiro tsunami. Nada na Igreja ficaria mais como até agora. Mas, para tristeza minha, tive razão na minha análise e na minha previsão.
Três horas terão bastado, para que os cardeais subscrevessem o ponto de vista do seu todo-poderoso chefe (repararam naquela cena horrível, difundida pelas televisões de todo o mundo, do beija-mão protocolar de cada um dos cardeais ao papa Bento XVI? O que há aí de jesuânico? Um encontro assim, com homens tão vassalos em relação ao seu chefe todo-poderoso, poderia, em algum momento, ser atravessado pelo Sopro ou Espírito de Jesus, o de Nazaré? Não se tratou, antes, de um encontro com todos os tiques dos antigos encontros de César de Roma com os seus subalternos das províncias do Império?).
E agora? Será que toda a Igreja se submete a esta conclusão manifestamente contrária aos sinais dos tempos e ao que o Espírito, neste particular, anda, desde há séculos, a dizer/gritar à Igreja? Se nos calamos e obedecemos, não é ao Poder absoluto que obedecemos? E o que mais nos identifica como Igreja, não é aquela garantia de Jesus de que, lá onde dois ou três se reúnem em seu nome, ele está activamente presente no seu meio? E não temos também, como um dos princípios fundadores de Igrejas, aquele que diz aos do Poder: “Importa obedecer a Deus, mais do que aos homens”? (entenda-se, os homens do Poder, o primeiro dos quais, o próprio papa).
Por outro lado, já teremos esquecido que uma lei objectivamente imoral, como a lei eclesiástica do celibato dos padres, não pode nunca ser acatada/obedecida por ninguém? E que acatá-la/submeter-se a ela, sem convicção, é pecado grave?
Mas nem tudo, nesta decisão de Bento XVI, é motivo de tristeza. Porque com esta sua teimosia, o papa acaba de dar mais uma machadada no actual modelo clerical de Igreja. Ao querer perpetuá-lo indefinidamente, abalou-o ainda mais. Basta ver que o número de clérigos celibatários será cada vez menor. Chegará dentro em breve o tempo em que não haverá clérigos, em número minimamente suficiente, que alimentem este modelo de Igreja. Só não vê quem não quer ver. E, sem clérigos, este modelo de Igreja clerical implode. Haverá, nesse dia, uma grande alegria no céu! Por mim, já vivo essa alegria no Espírito Santo.
O pior é que, até essa implosão, crescerão ainda mais as dores e as aflições entre os empobrecidos. As populações continuarão aí cada vez mais à mercê dos poderosos sem escrúpulos, cansadas e abatidas como ovelhas sem pastor. Sem a presença gratuita de companheiros que partilhem das suas alegrias e das suas esperanças, das suas tristezas e das suas angústias. Só poderão contar com mercenários de todo o tipo. E dias virão em que até o nome de Jesus, o de Nazaré, deixará de ter quem o pronuncie e o olhe como o paradigma dos seres humanos, em quem o Mistério invisível de Deus se torna visível e palpável. Ficará em seu lugar um vago e mítico Cristo sem corpo, sem história e sem Reino de Deus, por isso, mais ópio do povo do que o Sopro ou Espírito libertador que derruba os poderosos e os seus sucessivos impérios, e levanta os humilhados.
Ainda assim, saibam que, quando a Humanidade chegar a semelhante limite de desumanidade e de sem-sentido, está prestes a rebentar no seu seio, um Novo Começo. Do qual fará parte também um novo modelo de Igreja, mas então no discreto e fecundo jeito do sal da terra, da luz do mundo, do fermento na massa e da parteira. Uma Igreja comunidade de irmãs/irmãos, longe dos templos e dos altares, em redor de mesas partilhadas e comuns, à escuta do seu Senhor que lhe fala nos Sinais dos Tempos e nos clamores das vítimas.
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O que ficou da viagem
do papa Bento XVI à Turquia?
A viagem do Papa à Turquia foi o acontecimento eclesial católico-romano mais significativo do último trimestre de 2006. Fraternizar revê-se no que o seu director escreveu a propósito no Diário Aberto que mantém na página na internet. Leiam os quatro textos sem preconceitos. E meditem. Em comunhão com o Espírito de Jesus.
2006 NOVEMBRO 28
Que rosto de Igreja e que imagem de Deus é que chega hoje à Turquia, na pessoa do papa Bento XVI? Para mim, esta é a questão teológica e pastoral essencial que está em jogo nesta visita. Ao contrário do Vaticano, entendo que o Poder nunca poderá ser imagem de Deus, o de Jesus. Muito menos um poder monárquico absoluto como o do papa. Mas é como papa-chefe-de-estado-do-Vaticano, que Bento XVI aterra hoje na Turquia, país com uma população de maioria esmagadoramente muçulmana, que considera ofensiva esta visita. E com fundada razão. Deus é amor, escreveu o apóstolo João numa das suas cartas que figuram no Novo Testamento. O actual papa fez sua esta afirmação, ao colocá-la como título da sua primeira encíclica. Mas depois é como chefe de estado que se movimenta, dentro e fora do Vaticano. E aceita que o tratem como tal. O amor não se comporta assim. Por sua vez, Jesus que é a imagem mais acabada de Deus entre nós e connosco, ele próprio Deus à maneira de filho, nunca quis ser César, nem equiparado a César. Nem sequer quis ser sumo-sacerdote. Apenas Filho do Homem, o Ser Humano por antonomásia. Logo no princípio, a Carta aos Hebreus abusou, ao atribuir a Jesus o título de sumo-sacerdote. E chega ao extremo de dizer que só ele o é, mais ninguém. Felizmente, tem o cuidado de o apelidar assim, mas enquanto crucificado. Por isso, o sumo-sacerdote nos antípodas dos sumos sacerdotes das religiões, todos eles rostos do poder sagrado e absoluto, ao jeito de César de Roma, o crucificador de Jesus e de outras inúmeras vítimas.
Depois da trapalhada contra Maomé e o Alcorão, há poucos meses atrás, numa universidade da Alemanha, o papa Bento XVI aparece ainda mais fragilizado, perante os muçulmanos da Turquia, assim como em todos os demais países do resto do mundo islâmico. A visita tem, por isso, algo de agressivo. No estilo, ofendi-vos, não vos pedi desculpa e agora ainda vos imponho esta minha visita. Sou para vós “personna non grata”, mas vede que nem por isso desisto desta visita.
Pelo menos, é assim que os muçulmanos a interpretam. Veremos como Bento XVI se comporta no terreno. Mas o Poder absoluto como o dele não é capaz de dialogar. Nem de pedir desculpa. Impõe-se. É a negação de Deus Mãe/Pai que só tem entranhas de humanidade e de ternura.
Para que a presença do papa fosse boa notícia para a maioria muçulmana do país, Bento XVI deveria renunciar, duma vez por todas, ao título de papa e ao cargo de chefe de estado do Vaticano. E apresentar-se entre os muçulmanos da Turquia como Jesus de Nazaré se apresentou na Galileia e na Judeia, por volta do ano 30. Sem poder. Sem privilégios. Simplesmente humano como os demais.
Para lá de imagem de Deus, no caso, de falso Deus, com mais de demoníaco do que de jesuânico, o papa na Turquia é também o rosto mais visível da Igreja católica. De que modelo de Igreja? Só pode ser o rosto mais visível da Igreja que ajudou a fazer o império de Constantino e que lhe sucedeu, mais tarde, quando o império de Roma caiu. Não é por isso a Igreja de Jesus, que só se encontra lá onde dois ou três se reúnem em nome de Jesus. É bom que se diga que, em matéria de Igreja, tudo o que vai além dos dois ou três que se reúnem em nome de Jesus, começa a cheirar a perverso. O institucional não é do Espírito de Jesus. É do Poder. A instituição eclesial feita pelo Espírito nunca vai na linha do Poder. Vai na da Fé de Jesus e na do carisma. Para o Espírito de Jesus, não há Poder. O Poder é sempre perversão em acto. Há ministérios, serviços, gratuidade. Numa palavra, amor recíproco: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Nisto saberão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros”.
A Cúria do Vaticano e o Estado do Vaticano e todas as Cúrias diocesanas são o contrário desta Boa Notícia de Jesus. Não há volta a dar-lhe. Onde houver Poder, não há o Espírito de Jesus. Só lá onde houver Liberdade.
Não sei o que poderá resultar desta visita papal marcada pelo rosto de Bento XVI, ex-cardeal Ratzinger. É uma visita do Poder eclesiástico católico romano. Nos antípodas da presença maiêutica, tão indispensável para fazer morrer o poder e fazer viver a originalidade de cada povo e de cada cultura. Só uma presença maiêutica, que o Poder não conhece, muito menos reconhece, é capaz de se alegrar, ao descobrir que, afinal, Deus já precedeu a chegada do papa à Turquia. Não é o papa quem leva Deus à Turquia. Cumpre-lhe reconhecê-lO e adorá-lO em espírito e verdade. Só assim haverá diálogo ecuménico em pé de igualdade. Espevitado pelo Sopro ou Espírito de Jesus. Não se trata de converter os muçulmanos em católicos romanos. Trata-se de todos, muçulmanos e católicos romanos, aceitarmos ser soprados pelo Sopro ou Espírito de Jesus, o de Nazaré, que nos faz constitutivamente humanos. É por aqui que vai o Espírito de Jesus. Não está interessado em fazer cristãos, muito menos católicos romanos. Está interessado em fazer humanos todos os povos, na pluralidade e na diversidade de culturas.
Será o papa Bento XVI capaz de entender este Evangelho de Jesus? Alguma vez Roma foi capaz, nestes dois mil anos de Igreja, de entender este Evangelho de Jesus? O Poder nunca entenderá nada do Evangelho de Jesus. Se lhe deita a mão é para o perverter. E pô-lo ao seu serviço e ao serviço dos seus interesses.
Acompanharei com atenção os passos do papa na Turquia. Mas já sei que o Espírito de Jesus não PASSA na Turquia, lá por onde passa o papa Ratzinger. Por aí passa o Poder. O Espírito de Jesus passará, provavelmente, só entre as vítimas da visita do papa. E também entre aqueles que recusam frequentar os cultos aos quais o papa presidirá durante estes dias na Turquia, porque recusam associar o Mistério que é Deus Vivo com o rosto do Poder monárquico absoluto que é o rosto de Bento XVI, chefe de Estado do Vaticano. Discernir é preciso. É Do Espírito de Jesus. O Poder foge a discernir. Só se dá bem nas águas turbas.
2006 NOVEMBRO 29
Porque as imagens televisivas valem mais do que mil palavras, tenho de reconhecer, com dor, que o primeiro dia de Bento XVI na Turquia não nos remeteu para Jesus, o de Nazaré, nem para o seu Evangelho século XXI. O que ontem vimos nos telejornais, a partir da Turquia, foram jogos do Poder, salamaleques do Poder, meticulosos paços de dança do Poder. Para cúmulo, o papa ainda disse que não é político e que a missão da Igreja não é política. Mas então se a pastoral que a Igreja faz não é política, isto é, se não é para se ocupar e cuidar, ao jeito do que fez Jesus, o de Nazaré, da saúde integral das pessoas e dos povos e do planeta no seu todo, então para que serve? Com o que todos saímos a perder, a Igreja e os povos da terra, e tem sido assim praticamente desde o início da Humanidade, é com uma Igreja-Poder, como teima em ser também e sobretudo a nossa Igreja católica, na sua versão católica-romana. Com uma Igreja política, não teremos nada a perder e teremos tudo a ganhar. Porque a Política é o cerne do Evangelho de Jesus. O Poder, pelo contrário, é a sua negação. Num mundo que confunde a Política com o Poder, cabe à Igreja viver a Política como sua missão específica e denunciar o Poder como a perversão da Política. Ou esquecemos que Jesus com o que se ocupou em exclusivo foi com fazer presente na História o Reino/Reinado de Deus? E que missão mais política do que essa? Até foi cognominado de “o Cristo” ou “o Messias”, que mais não quer dizer que “o Político”. Foram os do Poder que não suportaram semelhante revelação de Deus, na sua prática libertadora e maiêutica, promotora de autonomias e de protagonismos, e logo o mataram como o maldito. Para que nunca mais algum ser humano retomasse a sua via e actualizasse a sua revelação de Deus. Só que, desde então, ficou revelado para sempre que o grande pecado do mundo é o Poder. E que a salvação do mundo é a Política que, por isso, nunca poderá converter-se em Poder. As próprias religiões têm sido e serão fonte de perversão, porque, ao institucionalizar-se, não resistem à tentação do Poder. Tornam-se elas próprias Poder e é com os poderosos do mundo que sempre se entendem e mutuamente se protegem. E não é que até acabaram a professar a sua fé num Deus todo-poderoso, como se alguma vez Deus fosse o César dos Césares, o imperador dos imperadores, o tirano dos tiranos?! O que vimos ontem nos telejornais foi um papa chefe de estado do Vaticano com o primeiro ministro da Turquia, num entendimento para televisões difundirem, tudo faz-de-conta, tudo ritual, tudo previsto ao milímetro, sem alma, sem coração, sem entranhas de humanidade, sem verdade, mais robots que seres humanos, tudo hipocrisia. É assim o Poder. São assim os poderosos. Não é assim a Política que vem do coração de Deus Criador. Por isso não hesito em dizer que o Poder é o anti-Deus, é o Ídolo, o Demoníaco.
Dói-me que o principal rosto da nossa Igreja católica que, neste momento histórico, é o papa Bento XVI, tenha dado este contra-testemunho ao mundo. Rasgou o Evangelho de Deus, o de Jesus, quando deveria tê-lo revelado/anunciado ao mundo, a partir da Turquia. O mundo estremeceria de comoção e, quem sabe, se não se converteria à Verdade e entraria na via da salvação? Foi mais uma ocasião perdida. E será sempre assim, enquanto a nossa Igreja católica não desistir de ser Poder entre os poderosos do mundo.
“Os reis das nações imperam sobre elas e os que nelas exercem a autoridade são chamados benfeitores. Convosco não deve ser assim; o que for maior entre vós seja como menor, e aquele que mandar, como aquele que serve. Porque quem é maior: o que está sentado à mesa, ou o que serve? Não é o que está sentado à mesa? Ora, eu estou no meio de vós como aquele que serve.”
São palavras de Jesus dirigidas a todos os que, através dos tempos, o querem seguir. E Lucas tem o cuidado de as colocar no contexto da última ceia, precisamente, quando o Poder instalado em Jerusalém já tinha decidido matar Jesus! Não se pode ser mais claro. Mas o que ontem vimos nos telejornais, a partir da Turquia, foi o contrário deste Evangelho de Jesus. Confirma-se assim, e mais uma vez, que os do Poder são criminosos que se enfeitam e mascaram de benfeitores perante os seus súbditos. Para serem temidos/idolatrados por eles.
Só Igrejas que façam da Política ao jeito de Jesus, o de Nazaré, a sua acção pastoral/eclesial poderão ser uma mais valia na História. Porque não há salvação da Humanidade e do Planeta fora da Política. No Poder, sempre haverá perdição. Quem não vê que é assim?
Neste aspecto, as imagens televisivas de ontem com o papa Bento XVI na Turquia, acabaram por ser invulgarmente expressivas. Oxalá todos nós, pessoas e povos, saibamos descodificar esta mensagem que os poderosos, sem querer, nos deram. Pela negativa, é certo, mas que nos deram.
2006 NOVEMBRO 30
Bento XVI continua na Turquia. Encontrou-se ontem e rezou com o Patriarca da Igreja Ortodoxa, Bartolomeu I. E hoje assinarão ambos uma declaração conjunta. Vimo-los a pedir a Deus a unidade das duas Igrejas. O gesto pode comover os fiéis de ambos os lados. Mas é no mínimo ambíguo. Porque, se dependesse de Deus, a unidade das Igrejas nunca teria sido rompida. A unidade é o que o Espírito de Deus sempre faz. A desunião e a divisão são o fruto amargo das ambições do Poder. Não há quebra da unidade, lá onde há amor recíproco praticado. Sempre haverá quebra da unidade, lá onde houver Poder cada vez mais absoluto e concentrado. Quando assim é, rezar pela unidade é iludir o problema. É transferir simbolicamente para Deus o que é tarefa nossa, concretamente, das Igrejas, a começar pelos que se têm na conta de seus incontestados chefes escolhidos directamente por Deus. Uma situação, no mínimo, caricata. Mas que revela até onde pode ir a paranóia de alguns seres humanos que, em vez de crescerem em humanidade, preferem crescer em Poder. E, depois, ainda metem o nome de Deus à mistura.
As imagens televisivas que vêm da Turquia mostram-nos os dois chefes das Igrejas lado a lado. Vestidos com todos os símbolos do Poder religioso-eclesiástico. Uma imagem que roça o infantil! Deviam vestir como simples seres humanos, mas não são capazes. Chegados àquele patamar do Poder sagrado, já não se sentem bem senão nestas vestes que usam em exclusivo. Quem os vê assim vestidos, só pode concluir que são dois poderes que medem forças entre si. Mas um, o de Roma, é imperial/global e por isso vê a unidade de que ambos falam, não como uma saudável afirmação das diferenças, mas como a integração pura e simples da Igreja Ortodoxa na Igreja católica romana. E assim não há unidade possível. Só haverá capitulação de uma Igreja à outra. Da menos poderosa à mais poderosa. Semelhante unidade é vassalagem. É concentração do Poder. Não tem, não pode ter a marca do Espírito Santo. A marca do Espírito Santo é a Liberdade, não o Poder.
O que faz então correr o papa Bento XVI? E o que já fez correr o seu imediato antecessor, João Paulo II? Enquanto a Igreja católica não renunciar ao Poder, pode submeter sucessivamente as outras Igrejas mais fragilizadas, mas isso não é ecumenismo, muito menos unidade. É concentração de Poder. E, nesse caso, o mundo que se cuide. A globalização eclesiástica é um sonho que vem desde o imperador Constantino, no início do século IV. E nunca foi deitado fora.
O Poder sempre pensa que é a solução dos problemas que afligem a Humanidade. Nunca reconhece que é ele próprio o problema número um da Humanidade. Um mundo sem Poder é o sonho de Deus, o de Jesus. Não é o sonho das Religiões, nem das Igrejas, menos ainda da nossa Igreja católica romana, hoje, a Igreja de Ratzinger/Bento XVI. Se fosse, esta sua visita à Turquia teria sido pensada e vivida de outro jeito, ao jeito de Jesus, o de Nazaré, a vítima do Poder, não o seu executivo.
Ontem e hoje é-nos dado a ver o Poder religioso-eclesiástico em acção na Turquia. Concretamente, o Poder dos dois chefes das duas Igrejas devidamente vestidos com todos os símbolos do Poder. Não nos é dado a ver dois seres humanos, dois filhos do homem. O que vemos são dois rostos do Poder. E mal vai o mundo, quando dois poderes se namoram e falam em casar. A unidade consumada dos dois Poderes não tem a marca do Espírito Santo. Tem a marca da Besta, na linguagem violenta do Apocalipse ou Revelação. O resultado só pode ser mais Poder e Poder mais concentrado. O que significa mais vítimas humanas, mais vassalos.
Foi para a liberdade que Cristo, o Crucificado pelo Poder, nos libertou. O grito é de Paulo de Tarso, depois que descobriu e aceitou Jesus e o Evangelho de Deus que ele é, e abandonou o sistema da Lei e do Poder sagrado. É pela Liberdade que vamos. O Poder faz-nos doentes, lacaios, imbecis.
Infelizmente, os media fazem a cobertura desta visita com os critérios do Poder. O que é, no mínimo, ingenuidade. Porque é tomar o cenário, meticulosamente preparado para nos dar a impressão de que é a realidade, pela realidade. O Poder constrói o seu mundo e movimenta-se à vontade nele. Como se esse seu mundo fosse a realidade. Será demasiada ingenuidade tomar essa construção pela realidade. E esta está a ser, para tristeza minha, a postura dos nossos jornalistas, escolhidos a dedo para este tipo de serviços. O Poder não dá ponto sem nó. E tudo faz para não ser desmascarado.
É preciso saltar fora deste cenário construído pelo Poder, para tocarmos a realidade mais real. De contrário, ficamos toda a vida a fazer o jogo do Poder. Como seus cúmplices. E, senão cúmplices assumidos, cúmplices ingénuos. Os ingénuos são sempre os mais perigosos. Porque actuam com aquele ar de felizes e de patetas alegres que sempre serve para dar mais poder ao Poder.
Saltar fora do cenário construído pelo Poder, para ver a realidade em directo, é o que fazem os profetas, elas e eles. No meio do cenário muito bem construído, os profetas escutam os gritos silenciados/amordaçados das vítimas. Seguir estes gritos, leva-nos a ver/tocar a realidade mais real. E a pôr em causa o Poder, com todo o seu cortejo de crimes e de vítimas aos milhões.
Mas quem está hoje disposto a ser e a viver como profeta? É verdade que é a única forma de se ser mulher, homem. Mas quem está disposto? O preço é elevado. E poucos são os que entram por porta tão estreita. Por mim, não quero outro caminho. Poderei ficar sozinho, mas é por aí que vou. Na companhia de Jesus, o Caminho, a Verdade e a Vida.
Está visto que nunca encontrarei neste caminho o papa Bento XVI, nem o Patriarca da Igreja Ortodoxa, Bartolomeu I. Só as suas vítimas e todas as outras inúmeras vítimas do Poder. Mas é na comunhão com elas que serei e permanecerei mais humano. E mais irmão universal.
2006 DEZEMBRO 01
O que fica de concreto da viagem do papa Bento XVI à Turquia? Uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Sim, eu sei que, para a História, fica um documento conjunto assinado pelos dois papas, o de Roma e o da Igreja Ortodoxa, mas que, depois de espremido, pouco mais é do que uma inócua declaração de intenções. Insistem, uma vez mais, no delírio eclesiástico das “raízes cristãs” da Europa, como se essa fosse a magna questão com que o velho continente está hoje confrontado. Também os jornais turcos mostram-se, finalmente, rendidos ao charme de Bento XVI, depois de terem assistido ao golpe de rins que ele teve de fazer para tentar ganhar a confiança dos turcos. Mas nada disso é para tomar a sério. Tudo não passa de chavões, de narizes de cera, de inofensivas mentiras, de hipocrisia diplomática, em que o Poder, todo o Poder, também o eclesiástico é perito, perante os seus súbditos. As grandes causas com que a Humanidade hoje se debate e os graves problemas que afligem a Europa bem podem esperar, indefinidamente.
Os dois chefes eclesiásticos mobilizaram à sua volta milhares de polícias, batalhões de jornalistas, trocaram abraços protocolares onde não se viu afecto a valer, nem fraternidade efectiva (o Poder não ama, apenas joga, lança armadilhas, movimenta-se no seu próprio tabuleiro, sempre a ver como há-de enfraquecer, neutralizar e esmagar o seu opositor). Todos os passos que Bento XVI deu, nestes dias, nunca nos fizeram pensar em Jesus, o de Nazaré, nunca nos remeteram para ele. Só houve afirmação do Poder. Nem sequer a liturgia uniu os dois chefes eclesiásticos. O mais que conseguiu foi pôr um, o anfitrião, a presidir a uma “missa” ortodoxa e o outro, o hóspede católico romano, a assistir da bancada. E, no dia seguinte, inverteram-se os papéis e quem ficou na bancada foi o anfitrião turco, enquanto o convidado romano presidia à sua missa católica. Se nem sequer o Deus dos cristãos os uniu, como há-de uni-los o Deus dos muçulmanos? O Poder é assim: não une, apenas divide, exclui, separa. Só o Amor une o que o Poder sempre divide e separa. O Poder não é capaz de orar, mesmo quando parece que sim. Exibe-se, como os fariseus outrora; afirma-se, arma-se como um pavão.
Viram nos telejornais toda aquela ostentação e todo aquele aparato litúrgico? O que havia ali de humano? Por mim, só vi vaidade, humilhação das pessoas que têm de assistir àquela exibição ou show do Poder. Deus presente naquilo? Mas que Deus? O de Jesus é que não é. Só o do Poder que existe para nos humilhar e subjugar a todas, todos. A menos que lhe resistamos com todas as forças. É o que, pessoalmente, procuro fazer, em comunhão com Jesus e o seu Espírito. Mas ainda não é o que fazem as populações em geral, educadas que foram e são para ver Deus no Poder. E, por isso, já nem se mostram capazes de se abrir ao Deus que se nos revelou definitivamente em Jesus, o de Nazaré. Falem-lhes no Deus do Império e do Dinheiro e logo terão fiéis aos milhões.
O Deus de Jesus não tem templos, nem exércitos, nem palácios, nem grandes media. Tem apenas os seres humanos, a começar pelos mais pequeninos e humilhados, dentro dos quais habita sem que ninguém dê por isso, nem os próprios. É a primeira vítima do Poder e do Deus do Poder, esse mesmo que, nestes dias, pudemos ver na Turquia, na pessoa dos dois papas, o católico romano, papa-universal, e o ortodoxo turco, papa regional. Cada qual no seu galho, no seu poleiro, evidentemente. E em aparente respeito mútuo, Reconheço-te eu a ti; Reconheces-me tu a mim e, assim, poderemos entender-nos e impor-nos aos nossos súbditos e até sermos aplaudidos por eles.
O que ficou desta viagem do papa Bento XVI à Turquia? O Poder eclesiástico católico romano e o Poder eclesiástico ortodoxo tiveram aqui e agora a sua grande epifania perante os muçulmanos da Turquia e do resto do mundo. Os media deram-lhes visibilidade e os povos sabem agora que eles existem e que é preciso tê-los em conta. Não os vimos diminuir e desaparecer, para que crescessem os indivíduos e os povos. Vimo-los afirmar-se com uma arrogância travestida de humildade. Sinal inequívoco de que tudo aquilo aconteceu num ambiente nos antípodas do ambiente onde se faz sentir o Espírito ou Sopro de Jesus.
Agora que os viram tão afirmativos e impositivos (até os turcos acabaram rendidos a seus pés!), os povos da Europa e do resto do mundo que se cuidem. Cuidemo-nos. Se formos pelo Espírito de Jesus, nunca nos renderemos a eles, mas também não os ignoraremos. Resistimos-lhes com toda a inteligência e com todas as nossas forças, sobretudo a força da nossa autonomia. Para que eles deixem de ter quem os sirva e quem se lhes submeta. E assim o nosso hoje se torne cada vez mais humano, mais nosso, mais dos seres humanos, mulheres e homens, e cada vez menos do Poder, de todos os tipos de Poder.
Para alguma coisa serviu então a viagem do papa Bento XVI à Turquia: para que a Europa e o resto do mundo cantem e dancem o Deus que vive em cada ser humano e mandem pró inferno o Poder, todo o tipo de Poder, que, deixado por aí à solta, sempre nos divide, humilha, infantiliza e ainda se faz passar por benfeitor! Maldito seja!
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LIVROS DO TRIMESTRE
Editorial Trotta / Evelyn Underhill
A MÍSTICA
Estudo da natureza e desenvolvimento
da consciência espiritual
"Todos os místicos falam a mesma linguagem, porque procedem do mesmo país". A afirmação é da autora e só por si diz bem do valor e da oportunidade do seu livro, prologado por Juan Martín Velasco para a edição espanhola. Não se pode dizer que seja uma obra de fácil acesso, desde logo pela temática apresentada ao longo de cerca de 600 páginas. Quem já estiver familiarizado com místicas e místicos da craveira de Santa Teresa d´Ávila e S. João da Cruz, navegará com prazer espiritual por estas páginas. Experimentem um mergulho e acabarão salutarmente "viciados".
A obra surge agora em língua espanhola, mas já vem de há quase um século atrás. O prólogo com que a autora fez acompanhar a 1.ª edição foi assinado em 1910, na Festividade de S. João da Cruz. As edições da obra sucederam-se pelos anos seguintes e, na Páscoa de 1930, a autora assina um novo prólogo que acompanhou a 12.ª edição.
Estes factos são reveladores do grande interesse que o livro suscitou junto de certa camada da população da Inglaterra, França, Alemanha e Itália.
É, pois, de esperar que esta tradução para o espanhol suscite idêntico interesse entre a população ibérica e latino-americana, nestes dias em que o Templo e o Império estão apostados em fazer das pessoas e dos povos consumidores compulsivos de produtos light, esvaziados de Verdade e de Graça, incapazes, por isso, de saciar as fomes especificamente humanas que só a Mística bem orientada pode ajudar a saciar. Daí, a oportunidade desta edição, que só peca por tardia em relação à primeira em língua inglesa.
"Por sua natureza - escreveu a autora no prólogo da 1.ª edição - este livro divide-se em duas partes, cada uma das quais completa em si mesma, embora também complementares em certo sentido. Enquanto que a segunda parte - a mais extensa - contém um estudo bastante pormenorizado da natureza e o desenvolvimento da consciência espiritual ou mística do ser humano, a primeira tenta oferecer uma introdução ao tema geral do misticismo".
Entre a 1.ª edição e a 12.ª, decorreram 19 anos e, com eles, grandes transformações nas pessoas e nas sociedades. O prólogo que a autora escreveu para a 12.ª edição chama a atenção para o facto e tenta ajudar as pessoas a tirar partido do livro fatalmente datado. É este mesmo esforço que as pessoas do início do séc. XXI terão de fazer, ao mergulharem no livro. O prólogo de Juan Martín Velasco, com que abre a edição da Trotta, é por isso uma preciosa contribuição.
Resta mergulhar nas páginas da obra e tentar ao mesmo tempo, sintonizar com o Espírito criador de sororidade/fraternidade e de Liberdade que está, tem de estar, na origem de toda a mística digna dos seres humanos de todos os tempos e culturas.
Sal Terrae / Leonardo Boff
Virtudes para um outro mundo possível
I. Hospitalidade: direito e dever de todos
"Que virtudes são minimamente necessárias para garantir à globalização um rosto humano?" É para responder a esta pergunta de abertura, que o autor escreveu o livro. Trata-se duma obra de divulgação, de 165 páginas, acessível a todas as pessoas, as mais ilustradas e as menos. Será que a sua mensagem vai ser acolhida e praticada, ou prosseguiremos aí como loucos na des-Criação do nosso mundo? Ninguém deixe de ler.
Antes de entrar na temática propriamente dita do livro, a virtude da hospitalidade, o autor delicia-nos com dois capítulos prévios que nos levam a acompanhar, surpresos e eucarísticos, a evolução do Universo e da vida, desde o momento do big-bang com que tudo começou até chegar a nós. É uma viagem que nos deixa de respiração suspensa e quase sem palavras. Sobretudo, se pensarmos que tudo foi assim para se chegar a nós, os únicos seres que hoje já podemos conhecer a evolução de trás para a frente, do ponto de chegada ao ponto de partida.
Só por estes dois capítulos, já valia a pena o livro. Mas eles mais não são do que um monumental pórtico que nos há-de introduzir na "alma" do Universo e da Vida que também somos, para que entendamos duma vez por todas que, ou cuidamos com inteligência e coração desta Casa comum, ou arriscamo-nos à extinção pura e simples. A vida, possivelmente prosseguirá, mas em outros seres hoje tidos por insignificantes, mas que poderão ascender a dimensões que nem sequer suspeitamos. Até porque a vida que nos fez pode estar apenas nos começos...
No capítulo terceiro, o autor transcreve o conhecido mito da hospitalidade, tal como ele nos foi transmitido pelo poeta romano Públio Ovídio (43-47 d.C.), numa colecção de quinze livros a que deu o nome de As Metamorfoses. A transcrição começa por ser feita em latim e só depois o autor apresenta uma tradução livre e adaptada ao nosso aqui-e-agora mundial. Uma verdadeira pérola que urge difundir entre as novas gerações, confrontadas que estão com o facto consumado da globalização neo-liberal, onde nem sequer se conhece a palavra hospitalidade, quanto mais a sua prática quotidiana. Mas ai da Humanidade se não se converte e não se mostra capaz de reinventar um novo mito da hospitalidade que diga cabalmente com as novas exigências deste novo milénio.
"A partir de agora - escreve o autor a concluir o livro - todos seremos actores da única história da espécie humana, que é ao mesmo tempo una e múltipla. Para que nesta história todos possam sentir-se sujeitos, a hospitalidade, o acolhimento ilimitado e recíproco é essencial, porque é a que põe as bases necessárias para as outras atitudes a apresentar nos próximos volumes."
Campo das Letras / Ignacio Ramonet
IDEL CASTRO
Biografia a duas vozes
Mais do que um livro, é um monumento distribuído ao longo de 630 páginas de texto, às quais ainda se juntam dois cadernos de fotografias, algumas delas raras. O grande jornalista que dirige o grande Le Monde Diplomatique conversou durante mais de cem horas com o maior homem do século XX, também o mais odiado e o mais amado. A obra final é o que se pode chamar um retrato de corpo inteiro que nos ajuda a entender por dentro a Revolução e o Homem que a liderou e consolidou. Imperioso ler!
"Assim descobri o Fidel íntimo, quase tímido, educado e muito caloroso, que dá atenção a qualquer interlocutor, com sinceridade e sem vaidade. Com modos e gestos de uma cortesia de outros tempos, sempre atento aos outros, em particular aos seus colaboradores e seguranças, é uma pessoa que não altera o tom da sua voz. Nunca o ouvi dar uma ordem. Apesar de tudo isto, exerce uma autoridade absoluta em seu redor. A razão é a sua personalidade avassaladora. Onde quer que ele esteja, só uma voz se ouve: a sua. É ele que toma todas as decisões, quer sejam pequenas ou grandes. Mesmo quando ouve outras opiniões e se mostra muito respeitador e formal com as autoridades políticas que dirigem o Partido e o Estado, em última instância as decisões são tomadas por si. Desde a morte de Che Guevara que não há ninguém, no círculo de poder em que se move, que tenha um calibre intelectual que se assemelhe ao seu. Neste aspecto, dá a impressão de ser um homem só. Sem amigos íntimos, nem parceiro intelectual ao seu nível. Pelo que pude apreciar, é um dirigente que vive modestamente, quase de modo espartano: sem luxo, entre mobiliário austero, alimentando-se saudável e frugalmente. Hábitos de monge-soldado. Até os seus inimigos reconhecem que figura entre os poucos chefes de Estado que não se aproveitaram das suas funções para enriquecer."
A citação é longa, mas tinha que ser. É um testemunho vivo que ajuda a desfazer montanhas de mentiras que se têm dito e escrito sobre Fidel Castro. Um testemunho indesmentível. Faz parte do capítulo introdutório, intitulado "Cem horas com Fidel". E o testemunho prossegue, surpreendente:
"A sua jornada de trabalho - sete dias por semana - só termina às cinco ou seis da madrugada, quando o dia nasce. Mais de uma vez interrompeu a nossa conversa às duas ou três da madrugada porque devia ainda, sorridente e cansado, participar em algumas reuniões importantes... Dorme apenas quatro horas e, de vez em quando, uma ou duas horas mais em qualquer momento do dia."
Eis o "aperitivo" para lerem o livro. Agora, corram por ele. Saberão tudo sobre Fidel e sobre a "sua" Cuba. À beira deste Homem, o que é Bush?
Editorial Trotta / J. H. Laenem
A mística judia
Uma introdução
Só por modéstia, o autor classifica esta sua obra de 320 páginas de "uma introdução". Ela é mais, bastante mais do que isso. Aliás, o Prof. Dr. Albert Van Der Heide, da Universidade de Leiden, Holanda que assina o Prólogo de apresentação é o primeiro a reconhecê-lo.
"Este livro - sublinha-se nesse Prólogo - expõe o contexto religioso e cultural em que se desenvolveram os movimentos místicos judeus e em que os místicos tentaram expressar a sua mensagem. Oferece a panorâmica de um longo período, com muitas tendências, algumas das quais levaram a becos sem saída, enquanto que outras foram retomadas e adaptadas a partir de perspectivas novas, mas todas foram postas por escrito e receberam a sua forma dentro da tradição judia."
De resto, o próprio autor, logo a abrir o prefácio da obra sublinha que "este livro deseja oferecer aos não especialistas interessados pelo tema uma visão geral das principais correntes da mística judia nos últimos dois mil anos." E, mais adiante:
"Este livro procurou esquematizar em traços gerais as diversas correntes místicas do judaísmo e da literatura que surgiu dessas correntes." Avança ainda uma informação importante:
"O conteúdo deste livro apoia-se sobre a investigação científica existente e não sobre uma interpretação pessoal que o autor tenha realizado sobre todos os temas."
São oito os capítulos principais do livro, cada qual com vários subcapítulos de manifesto interesse e oportunidade. Eis os respectivos títulos: 1. Introdução; 2. Mística judia antiga; 3. A cabala clássica; 4. Cabala luriânica; 5. A cabala de Sabetay Tsebí; 6. O jasidismo; 7. Mística da linguagem; 8. Literatura popular sobre "cabala".
A bibliografia referida no final do livro é abundante e merece ser tida em conta por parte de quem quiser aprofundar mais certas temáticas nele abordadas.
Um dos subcapítulos da Introdução, pergunta "O que é a mística (judia)?", mas o próprio autor é o primeiro a reconhecer que "não é fácil responder a esta pergunta". E esclarece, mais à frente "que não existe uma definição de mística que possa aplicar-se a todos os movimentos místicos do mundo". O mesmo se tem de dizer, reconhece, "das correntes místicas do judaísmo".
Porém, numa coisa todos os verdadeiros místicos do mundo, elas e eles, estarão de acordo: muito mais importante do que ter uma definição de mística é chegar a deixar-se encontrar pela Realidade mais real que é sempre invisível aos olhos e que ela possa ser realidade em nós. Porque Deus vivo não é uma coisa que se possua, ou que se manipule. É o Mistério que ninguém jamais viu nem verá. E, no entanto, é o Mistério que nos faz ser e nos mantém no ser. Místicas a valer são as pessoas que se deixam levar ao colo por Ele e que passam o seu aqui e agora a despertar/criar sororidade/fraternidade e Liberdade.
Editorial Trotta / Luis de Sebastián
ÁFRICA
Pecado da Europa
A especialidade do autor é a economia, inclusive, internacional. Mas África passou-lhe sempre ao lado. Até que foi "repreendido" por um amigo, quando publicou o livro Mundo rico, mundo pobre, se dizer nada sobre o mundo pobre que era, é, hoje, África. A omissão é um grave pecado que ele tentou sanar. Este livro é a resposta. E a Europa que se cuide. Ou ajuda a salvar África, que tanto espoliou, durante séculos, ou afunda-se com ela! Uma obra imperdível.
O livro, de 287 páginas, arranca deste dado do Banco Mundial: o produto interno bruto (PIB) de todos os países africanos juntos não representa mais do que 2% do PIB mundial. Quer isto dizer que "se toda a África se afundasse no mar (coisa que Deus não permita), a economia mundial sofreria uma perda, no máximo, de uns 2% do seu produto total. Exactamente o mesmo que se ocorrer umas grandes inundações nos Estados Unidos, ou um forte terremoto no Japão. Nada mais. A insignificância económica de África, à escala mundial, é o resultado do roubo/exploração, do desgaste, do abandono e da marginalização a que este continente sempre foi sujeito através dos séculos".
Hoje, como nos mostram os telejornais, África desembarca na Europa. Todos os dias, ou quase, vêm levas e levas de mulheres, homens e crianças. Morrem às centenas no mar. E a Europa o que faz? Devolve-os à procedência! Depois de os espoliar, séculos e séculos, ainda os deixa morrer à fome e ao abandono.
É contra este duplo crime que se levanta este livro, lúcido e corajoso. Deveria ser traduzido em todas as línguas faladas na Europa. E distribuído por todas as famílias do velho continente. A ver se temos vergonha, e se abandonamos de vez o mito de que somos um continente civilizado. Continente cruel e sem entranhas de humanidade, é o que somos. Para nosso mal. Tanta injustiça não pode ficar impune. As vítimas clamam do chão e do fundo do mar. Ou nos viramos para elas e as acolhemos, ou perderemos o futuro.
São 10 os capítulos: 1. O encontro de África com a Europa; 2. A peste branca; o comércio de escravos; 3. A partilha da África; 4. A invasão europeia de África; 5. Ocupação e resistência; 6. O sistema colonial na prática; 7. Europa abandona África; 8. A África que os europeus deixaram; 9. As dez pragas que flagelam África; 10. A reparação europeia que se impõe.
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1.º Domingo Fevereiro
Em S. Pedro da Cova
8.º Encontro de Espiritualidade
As tentações de Jesus e as nossas, hoje
É já no dia 4 de Fevereiro 2007 que se realiza na Casa-sede do Jornal Fraternizar, em São Pedro da Cova (Gondomar) o 8.º Encontro de Espiritualidade com o Ateísmo e a Idolatria generalizados em fundo. Tema em debate/diálogo: as três tentações que Jesus teve de vencer para se manter Homem até ao fim, e as tentações que os seres humanos hoje temos também de vencer.
Já sabem: o Encontro inicia-se pelas 10 h e encerra pelas 17 h. Momento forte do dia é o Almoço Partilhado em Memória de Jesus, e conseguido com o que cada pessoa levar para pôr na Mesa Comum. A Associação Pe. Maximino garante uma sopa de legumes bem quente.
Como habitualmente, o debate/diálogo é feito por todas as pessoas que participam no Encontro. Ninguém vá sem fazer o trabalho de casa. E se quiserem, tenham presente o que, a propósito, dizem os Evangelhos de Mateus (4, 1-17) e de Lucas (4, 1-30). Mas sobretudo, escutemos o Espírito de Jesus.
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100 mil euros: seja você!
O Barracão de Cultura precisa ainda de 100 mil euros, no mínimo, para que a vida de qualidade que a Associação As Formigas de Macieira se propõe fazer acontecer no seu ventre possa ter início. É muito? É pouco? Na minha condição de remediado (vivo com uma reforma à beira dos 450 euros/mês), atrevo-me a dirigir aqui publicamente um apelo ao coração de alguém com dinheiro (uma única pessoa, ou várias pessoas juntas, mas como se fossem uma só): Venha(m) um dia destes sentar-se connosco à Mesa da Casa da Comunidade e entregar-nos em mão um cheque com esta verba. Semelhante gesto de Partilha fará brilhar ainda mais o Sinal de libertação/salvação que este Barracão de Cultura, só por si, já é. Dê(em)-me essa Alegria, e às Formigas de Macieira da Lixa. A minha gratidão e o meu abraço, Padre Mário
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