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Importante, mas muito aquém
das minhas expectativas
* Comentário do Pe. Mário à última aula do Pe. Carreira das Neves
A propósito da última aula do Pe. Carreira das Neves, o director do Jornal Fraternizar escreveu um comentário e uma reflexão teológica no Diário Aberto que mantém na sua página na net. Não resistimos e aqui divulgamos o texto. Parece um texto contundente, mas vai cheio de ternura fraterna, como podem verificar.
1. Que dizer da última aula do Pe. Carreira das Neves? O que eu sei é que muitas vezes os mestres académicos aproveitam a última aula para dizerem ao mundo o que não tiveram coragem de dizer antes, durante os anos de exercício de funções, não fosse a sua carreira docente ser prejudicada, porventura, interrompida, cerceada. Não foi totalmente assim com a última aula do Pe. Carreira das Neves, apesar dele ter abordado uma temática que foi sempre a menina dos seus olhos e a que deu o título: “Jesus Cristo e a História”. O desenvolvimento deste enunciado desdobrou-se em outros três sub-temas: “Jesus Cristo e a História”; “Jesus Cristo e a Fé”; e “Jesus Cristo e a Igreja”. O que o mestre franciscano disse, a este propósito, é muito importante e “novo”, pelo menos, aos ouvidos de muitas pessoas, nomeadamente, das pessoas católicas que hoje ainda se mantenham dentro das catequeses eclesiásticas tradicionais, cheias de lendas, mitos e muitas inverdades.
2. Por mim, acho que foi uma abordagem demasiado eclesiástica. Ousada, dentro deste âmbito, mas eclesiástica por demais. Ora, Jesus Cristo não é das Igrejas. É da Humanidade, também daquela parcela cada vez maior que hoje se assume como ateia e agnóstica. O Pe. Carreira das Neves poderia, por isso, ter aproveitado para dizer o que tem Jesus de Nazaré a dizer aos ateus de hoje. E, sobretudo, o que é que Jesus traz de novo ao combate duélico da Humanidade contra a generalizada idolatria deste tempo. A verdade é que estas duas vertentes nem sequer são afloradas na sua última aula. Sinal manifesto de que o mundo do Pe. Carreira das Neves tem sido sobretudo o mundo da Universidade católica, o mundo da Igreja católica. Com incursões, muitas e de muitos modos, fora dela, mas não muito fora, porque incursões limitadas ao mundo das outras Igrejas, no âmbito do chamado “Movimento ecuménico”, que praticamente não passa de mais do mesmo. O mundo do ateísmo e do Dinheiro, este como o ídolo maior e o mais perverso do nosso tempo, é totalmente diferente do das Igrejas e das Religiões. E o mundo das vítimas humanas nem se fala. Aliás, é junto destas que podemos perceber com toda a clareza o que é o mundo do Dinheiro e o mundo das Igrejas e das Religiões. As vítimas desses dois mundos é que nos dizem bem o que ambos são.
3. Mas Jesus de Nazaré é da Humanidade, antes de ser das Igrejas. Quando as Igrejas se apoderaram dele, depressa o converteram num ídolo mais, ao qual depois passaram a prestar culto, em liturgias sacrílegas, de costas para o mundo e a História, sobretudo, de costas para as suas vítimas. Ou então em liturgias dirigidas especialmente às vítimas, mas para as manterem adormecidas, as distraírem e as desmobilizarem dos grandes combates políticos que urge levarmos por diante, para darmos um rosto humano ao mundo e à História. Bem sei que não é por aí que vai esta última aula do Pe. Carreira das Neves. O biblista franciscano é suficientemente lúcido para não se meter por essas alienações. Mas, ao deixar-se enredar quase por completo no labirinto eclesiástico, a sua última aula perdeu acutilância profética, e acabou por ser uma aula mais. Poderia ter sido o rasgar do véu, também o véu do Templo ou Santuário, inclusive, do santuário de Fátima e da sua cruel senhora, e sobretudo o véu da Grande Mentira institucionalizada que mantém a Verdade cativa na injustiça. Não foi. Como última aula, devo confessar que esperava mais, muito mais. Esperava que o meu amigo Pe. Carreira das Neves partisse a louça eclesiástica, nomeadamente, as catequeses que continuam a ensinar-se às crianças, por essas paróquias católicas além. Aprecio evidentemente o muito que diz, nesta sua última aula, mas acho que ele poderia e deveria ter ido muito mais além. Ou não está dito, desde há dois mil anos, pelo mestre dos mestres, que a verdade é para ser apregoada sobre os telhados? Não é para ficar debaixo do alqueire das Universidades católicas, das paróquias católicas, do Sistema eclesiástico.
4. Uma das falhas monumentais desta última aula do meu amigo Pe. Carreira das Neves é a completa ausência de referências à Morte Crucificada de Jesus, sobretudo, às causas que a provocaram. Ora, esta questão é a essência da Revelação jesuânica de Deus Vivo. É nesse acontecimento que reside o miolo da Revelação de quem e de como é Deus e de quem e de como é o Ser humano, melhor, de quem e de como é o Ser humano, em quem Deus Vivo se nos revelou de modo definitivo e completo. E sobre isto, a última aula, praticamente não diz nada. No entanto, é preciso saber porque mataram Jesus. Porque é que este homem que passou fazendo o bem, acabou morto na cruz. Porque é que Jesus teve que ser morto da maneira que os quatro Evangelhos canónicos testemunham, e não de outra. Porque é que os seus inimigos fizeram questão de que Jesus fosse morto na cruz. Porque não se limitaram a matá-lo num atentado à maneira dos sicários, coisa comum naquele tempo como hoje, nas martirizadas terras do Médio Oriente. Porque é que Jesus teve que ser julgado pelo Sumo Sacerdote e pelo Sinédrio, em nome do Templo (e do Deus do Templo), e pelo procurador romano Pôncio Pilatos, em nome do Império (e do Deus do Império). Porque é que todos os Poderes da época o Poder económico-financeiro, o Poder ideológico-religioso e o Poder político nacionalista e imperialista se puseram de acordo e lhe deram uma morte como a que ele sofreu. Porque é que Jesus foi odiado até ao ponto de os seus inimigos não se contentarem com dar-lhe uma morte à maneira dos sicários uma punhalada à falsa fé pelo contrário, fizeram questão que ele fosse preso, julgado pelo tribunal judaico e pelo tribunal do Império romano, fosse condenado à morte na cruz e finalmente crucificado sob Pôncio Pilatos? Não diz o Deuteronómio: “Maldito o que morre na cruz”? Mas então porque é que foi necessário que Jesus fosse apresentado aos olhos do povo e para todo o sempre como o Maldito, segundo a Lei de Moisés, essa mesma que, ao tempo, era considerada a verdadeira Lei de Deus? E que tipo de bem foi o que Jesus de Nazaré fez às pessoas, para, pouco tempo depois dele ter dado início à missão de Evangelizar os pobres, ser preciso tratá-lo deste modo e matá-lo como o Maldito dos malditos?
5. Estas são questões fulcrais que infelizmente não estão presentes na última aula do Pe. Carreira das Neves. E deveriam estar. Porque, sem estas, as outras que estão lá perdem força, não têm profecia, são mais do mesmo. E deixam o mundo continuar a girar à vontade, sem que o mestre franciscano que acaba de dar a sua última aula venha a ser incomodado, seja olhado e tratado como um maldito, muito menos seja odiado e excomungado pelos actuais “sumos sacerdotes”, pelos Sinédrios e procuradores do Império que hoje estão aí como os continuadores dos que trataram assim Jesus de Nazaré no seu então. Ao condená-lo e matá-lo do modo como o fizeram, os que estavam constituídos como autoridades e como chefes incontestados do povo (eram-no em nome de Deus e faziam as vezes de Deus na terra!), quiseram dizer, de modo definitivo, que Jesus tinha que ser banido da face da terra, que o seu nome nunca mais poderia ser pronunciado, que a sua memória seria apagada para sempre. E que o que Jesus havia revelado com a sua prática libertadora e a sua doutrina iluminadora, isto é, com o Evangelho ou Boa Notícia de Deus que ele fez integralmente presente e actuante entre nós, nunca mais poderia ser repetido, tinha que ser totalmente eliminado para sempre, nunca mais a humanidade haveria de ser sabedora. Era o futuro deles, eram os privilégios deles que estavam em jogo, era a Ordem mundial em que eles eram autoridades e chefes, que estava em jogo. Por isso, não bastava matar Jesus, era necessário matá-lo de forma exemplar. Para que ninguém mais tivesse a veleidade de querer ser homem/mulher daquele jeito que Jesus se havia atrevido a ser, contra o Templo e contra o Império e até contra uma certa imagem de Deus, que, afinal, não passava de um ídolo mais, porventura, o mais perigoso de todos os ídolos. E foi o que fizeram.
6. Entretanto, coisa estranha, Jesus é hoje conhecido e até adorado em quase todo o mundo. Não é nenhum maldito, como os chefes de então pretenderam que fosse. Porém, que Jesus é que é hoje conhecido e adorado? O de Nazaré, que foi crucificado? O Pe. Carreira das Neves, na sua última aula, sempre se lhe refere como “Jesus Cristo”. Parece evitar chamar-lhe Jesus, simplesmente, Jesus, o de Nazaré. Sabemos que “Jesus” é o nome que lhe foi dado. “Cristo” é o apelido que lhe foi atribuído pelos seguidores, elas e eles. Por sinal, Jesus, o de Nazaré, nunca gostou do apelido que lhe atribuíram; é um apelido que não diz com a sua maneira de ser. Preferiu sempre o apelido “Filho do Homem”, ou “O Homem”, sem mais. A verdade é que para a posteridade, vingou o apelido "Cristo". Mas se ao título Cristo não lhe juntamos sempre “Crucificado”, Cristo Crucificado, como fez S. Paulo, então podemos estar a referir-nos a um ídolo com o nome de Jesus Cristo, logo abreviado para “Cristo”, sem Jesus, o mesmo é dizer, sem História, sem mundo, sem causas, sem conflitos, sem combates, sem lutas pela causa do Reino de Deus, sem enfrentamentos duélicos com os carrascos ou verdugos que produzem vítimas humanas e, depois, ainda passam para a História dos vencedores como os maiores “benfeitores” da Humanidade!
7. Quem nos garante que Jesus Cristo, hoje, ainda é Jesus, o de Nazaré? E que tipo de Jesus é o que as Igrejas hoje invocam e adoram nos seus templos e altares? O de Nazaré, o Crucificado? O Maldito? Aquele cujo nome nunca ninguém mais deveria sequer pronunciar? Não me parece que seja este Jesus, mas o Cristo do Império romano. De resto, o êxito retumbante de Cristo (não confundir com Jesus de Nazaré) no mundo ocidental, vem desde Constantino, precisamente, desde quando o imperador converteu Jesus de Nazaré no único Deus do Império, com direito a culto público, paralelamente com o dele. O que dá para desconfiar, todos estes séculos depois, que podemos andar a falar de Cristo como se fosse Jesus, o de Nazaré, quando não passará de Cristo, o ídolo maior do Império romano. Por mim, gostava mais que o Pe. Carreira das Neves tivesse conduzido a sua aula por estas profundidades teológicas jesuânicas; que não se tivesse ficado pelas “novidades” de última hora com que a hermenêutica bíblica dos Evangelhos, sobretudo, dos dois primeiros capítulos de Mateus e de Lucas, nos têm trazido entretidos e mais ou menos distraídos das grandes questões do mundo e da História. Aquelas são questões que até podem estar a dar de comer a muito professor-doutor nas Universidades católicas do mundo ocidental, mas não contribuem para libertar a Humanidade oprimida e empobrecida. E esta é a única missão que conta para Deus Vivo, o de Jesus de Nazaré. Porque tudo o que não contribuir para libertar os oprimidos e para arrancar os pobres da pobreza em que nascem crescem, reproduzem-se e morrem, não tem a marca ou o selo de Jesus, o de Nazaré. Só tem o selo, a marca da “Besta”, para utilizar aqui a linguagem do Apocalipse cristão. Portanto, o selo, a marca do Anti-Cristo, do Anti-Jesus.
8. Ainda assim, as pessoas não deixem de ler com atenção a última aula do meu amigo Pe. Carreira das Neves, franciscano. Ele é demasiado contido nas expressões que utiliza, pelo que é preciso lê-lo nas entrelinhas. Mas, se possível, ousemos ir muito mais além do que ele vai. Libertemos a Bíblia, os Evangelhos canónicos, Jesus de Nazaré e a Teologia de Jesus de Nazaré das Igrejas e das Universidades católicas. Restituamos à Humanidade todo este património que é dela. E que ninguém deixe de se abrir a este património. Como quem se liberta e nasce do Alto, do Espírito de Deus Vivo.
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Os Evangelhos são fiáveis?
“Sumo” duma conferência proferida pelo biblista ibérico, António Piñero
“São aplicáveis aos Evangelhos as técnicas de investigação histórica da actualidade?” A pergunta serviu de tema à conferência de abertura do último Curso de Verão organizado pela Universidade Complutense de Madrid, proferida pelo conhecido biblista ibérico António Piñero. O que se segue é apenas o “sumo”.
O Novo Testamento é o livro mais vendido, lido e comentado do mundo, e sobre o qual centenas e centenas de milhões de pessoas baseiam a sua vida e as suas crenças. É um conjunto de 27 obras compostas há quase 2 000 anos, redigidas a partir de uns pontos de vista e duma mentalidade muito distantes e distintos dos de hoje. Dentro destas 27 obras há quatro que ocupam um lugar absolutamente de honra: os Evangelhos. Aparentemente, são textos fáceis e simples, mas um olhar mais atento dá-se logo conta que são escritos problemáticos, não tão simples nem fáceis de interpretar como à primeira vista parece.
Primeiro, estão escritos num contexto sociológico, filosófico e religioso já com dois milénios, absolutamente afastado do nosso. Segundo, são textos complexos em si mesmos. Um evangelho está composto a partir de chaves interpretativas internas, por vezes nada simples, pelo que é necessário reflectir para as descobrir, pois elas não se deixam ver logo à primeira. E tais chaves condicionam a visão do personagem principal, Jesus. Terceiro, os Evangelhos são antes de mais obras de propaganda. O “biógrafo” apresenta os ditos e os feitos do seu “biografado”, de modo que surja uma determinada interpretação e não outra. Por vezes os Evangelhos falam mais num tom de exaltação do personagem anunciado, Jesus, do que com o devido rigor histórico. Quarto, quando comparamos os quatro Evangelhos entre si, notamos profundas semelhanças, mas também divergências e inclusive contradições. Daí, as dúvidas sobre a sua fiabilidade. Mas é inevitável. Os quatro Evangelhos procedem de quatro mãos diferentes e respondem a várias tradições e interesses teológicos. Cada um deles é a bandeira de um ponto de vista e duma interpretação específica de Jesus. E toda a interpretação corre o risco de distorção. Quinto, sabemos hoje sem nenhuma dúvida que os Evangelhos canónicos actuais - Mateus, Marcos, Lucas e João - não são o produto literário de testemunhas oculares dos factos que narram. A tradição oral sobre Jesus esteve sujeita, como todas as tradições orais de outros povos, às mesmas leis de variações e de mudanças, omissões e acrescentos do conteúdo que se transmite.
Diante destas constatações não parece anormal que surja o problema da fiabilidade dos Evangelhos. Impõe-se por isso cautela e um trabalho crítico. Apesar disso, muitas pessoas perguntam: São aplicáveis aos evangelhos as técnicas de investigação histórica da actualidade? Os Evangelhos devem ser lidos só a partir da fé - diz-se - porque só esta é capaz de aceitar um conjunto de verdades não adquiríveis por outros meios, por exemplo, por meio de investigação racional. Esta pretensão não parece correcta, porque se quiséssemos fundamentá-la estaríamos a raciocinar em círculo. O argumento para semelhante pretensão - excluir os Evangelhos da investigação histórica independente - só poderia ser o seguinte: estes livros não podem ser examinados criticamente porque são sagrados. Ora bem, e porque é que são sagrados? Porque são a palavra de Deus. E quem o afirma? A Igreja com todo o seu poder espiritual. E de onde obtém ela esse poder? Naturalmente, por ter sido fundada por Jesus, tal como afirmam estes livros, concretamente, o Evangelho de Mateus. Como se vê, a circularidade da argumentação é inequívoca: a sacralidade destes escritos apoiar-se-ia na voz e na autoridade da Igreja, a qual por sua vez, fundamenta o seu poder nestes escritos. O raciocínio é um círculo perfeito.
Por isso, se estas obras pretendem ser apresentadas a quem as lê como documentos históricos, não há razão nenhuma que negue o direito a submeter os Evangelhos à mesma análise e à mesma crítica que utilizam os filólogos e os historiadores do mundo antigo no seu empenho de reconstruir a história passada, quando hoje esquadrinham os documentos que chegaram até nós.
Mas… podemos confiar nos Evangelhos? Desde o século XIX, esta tem sido a grande pergunta. E a resposta é múltipla.
* Neles, é manifesta a diferença entre a teologia de Jesus e a dos seus próprios discípulos (Reimarus; Harnack).
* Os Evangelhos estão cheios de mitos e lendas (S. F. Strauss).
* A vida de Jesus não é algo único e original, mas situa-se na atmosfera das mais vivas esperanças apocalípticas do judaísmo imediatamente anterior à mudança de era (Schweitzer, Montefiore). Qualquer mudança deste contexto há-de ser provada cuidadosamente.
* Certas concepções dos Evangelhos, por exemplo, o nascimento virginal de Jesus ou a crença na sua filiação divina explicam-se melhor dentro duma atmosfera religiosa grega do que judaica (Escola da “História das Religiões”). É possível pergunta-se que as narrativas da infância de Jesus não sejam história pura, mas uma mistura de dados tomados do ambiente da religiosidade que se respirava na sociedade helenística?
* A linguagem do Evangelho de João, inclusive, as suas ideias sobre Jesus como o Logos de Deus, tem muitos paralelos com a mística grega helenística. O Novo Testamento participa das ideias centrais sobre a salvação das religiões de mistério helenísticas. Impõe-se, por isso, grande cautela quando encontramos nos Evangelhos ideias deste estilo atribuídas a Jesus.
* Os dados geográficos e temporais sobre a vida e a pregação de Jesus que aparecem nos Evangelhos não são rigorosos, mas uma composição de cada evangelista, pelo que variam de uns para outros.
* Os Evangelhos são uma compilação de pequenas unidades de tradição oral. Bastantes anos após a morte de Jesus, os evangelistas recolheram estas pequenas unidades, e com uma união despreocupada entre elas tornaram a transmitir por escrito, dentro duma forma literária original, o “evangelho” (“História das formas”).
* Os evangelhos sinópticos não são “biografias”, mas testemunhos duma crença. Esta fé, gerada depois dos acontecimentos da Páscoa (a ressurreição, etc.), exerceu grande influência na transmissão dos relatos sobre Jesus: não os difundiu de modo inócuo, mas reelaborou-os segundo as necessidades e os esquemas teológicos próprios da comunidade que os transmitia (“História das formas”).
* Cada autor do NT, especialmente os evangelistas, manejou e conformou as fontes escritas à sua disposição, deixou nelas a sua marca, o seu ponto de vista particular, a sua teologia, os seus interesses, as suas preocupações. Pode, pois, haver um alto grau de subjectividade (“História” ou “Crítica da redacção”).
Conclusão: à pergunta inicial responde-se: hoje é absolutamente indispensável aplicar aos Evangelhos os mesmos métodos de investigação que aos textos profanos. De contrário, não estaríamos a trabalhar em concordância com a ciência histórica actual.
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Que fazer face às tristes regressões
e estagnações que nos amarguram?
Serra do Pilar. Pe. Leonel e os 40 anos do Vaticano II
O Pe. Leonel regressou, em princípios de Dezembro 2005, ao espaço da Comunidade da Serra do Pilar, para participar na sessão de apresentação do livro "VATICANO II, 40 anos depois", organizado por Ângelo Cardita e editado pela Ariadne. Partilhamos aqui com alegria os passos principais da sua sábia reflexão, numa condensação da nossa responsabilidade.
O Concílio criou, por momentos, uma forte e sentida respiração da Esperança, logo no seguimento aparentemente asfixiada. É a Esperança posta à prova nestes dias de julgamentos históricos. As comunidades da Esperança, como a Serra do Pilar, têm uma séria responsabilidade, exactamente a missão de guardar a Futuro. Comunidades pesadas e complicadas não se aguentarão nos tristes e cansativos dias que correm.
Ainda não havia acontecido Niceia I (325), o 1.º Concílio Ecuménico em toda a história da Igreja, e já um número incontável de concílios locais e regionais, por toda a parte onde as Igrejas se haviam multiplicado e situado, se reunia ensinando e fazendo doutrina que a comunhão católica da Una e Santa logo assumia e divulgava. Sinal histórico das Igrejas Locais, hoje menos visível mas não menos real, prova histórica e geográfica da Igreja plural. A dimensão católica (universal) e ecuménica não contradiz a sua pluralidade, antes confirma e visibiliza a Comunhão dos Santos. Esta minha afirmação em nada diminui a importância histórica dos concílios ecuménicos. Pelo contrário. Mas a Igreja não é um império! E o Papado, apesar das tentações muitas do Papa-Rei para fazer da Igreja uma monarquia e um poder absoluto, de facto nunca o conseguiu, pois as vezes que o tentaram, a Una e Santa, até ao século XII indivisa, partiu-se em cismas e divisões com reacções opostas, isto é, iguais. Ou não foi pelas mesmas razões políticas que as Igrejas Orientais e as Igrejas Ocidentais se dividiram e opuseram? Mas, exceptuando as seitas, as Igrejas separadas e divididas continuam a proclamar unanimemente o Símbolo.
Coube ao Concílio Vaticano II (1965), o último dos 21 concílios ecuménicos acontecidos ao longo dos dois milénios da História da Igreja, fazer e ser o resumo e a actualização de todos os crescimentos e conversões, renovações, reconversões e reformações da Una e Santa. Claro que não chegou, não chega. Um concílio pede outro concílio que retoma o que o outro deixou por fazer, por dizer. 40 anos são muitos anos, tempo suficiente para se descobrir insuficiências, sobretudo aplicações e práticas não conseguidas e/ou desviadas. Mas entre tudo o que de maravilhoso aconteceu no último concílio ecuménico, foi a inesperada constituição conciliar Lumen Gentium que restituiu à Igreja o primado do Povo de Deus, invertendo de uma assentada a pirâmide clerical que punha o Papa acima de tudo, e o Bispo em cada localidade no topo de tudo, e em cada paróquia os Padres à frente de tudo. Mas não é o que ainda agora acontece? Parece, mas não é. Nunca mais.
A Hierarquia, nas suas deformações históricas persistentes, já não se aguenta. O "sistema" clerical já não funciona. Ainda não é um cadáver, ou um fóssil, mas tem os dias contados. O concílio ecuménico Vaticano II acabou com a pirâmide. Inverteu-a. O vértice está no chão. Mas não há padres e santos a mais? São cada vez menos. É verdade que ainda há padre a mais, mas os Padres são uma espécie em extinção. Mas, e a Igreja? À Igreja nunca faltarão os ministérios, desde os bispos, presbíteros e diáconos, juntamente com uma multidão de ministérios intermédios ou, melhor, intermediários a criar. A Igreja é um povo, o Povo de Deus, e os ministérios são serviços ao serviço do Povo, desde o ministério do Bispo de Roma que na cadeira-de-Pedro preside à comunhão das Igrejas, até ao Bispo de cada Igreja Local com o seu Presbitério e os Diáconos entre nós ainda a reinventar. A Igreja, que dos Leigos recebe o nome e o conteúdo, é um povo. Uma democracia? Igreja-Democracia? Não, no sentido político, não, tal como também não é uma monarquia. É o Povo de Deus no sentido bíblico e teologal, escatológico: um Povo de Santos (Vocação Universal à Santidade), Povo de Profetas, o Povo Sacerdotal. Mas os Padres não é que são os sacerdotes? Não, o Cristo é o único sacerdote. O Cristo, cabeça e corpo, isto é, Ele e Nós, Nós nEle, Ele em-Nós. Impropriamente falando, o ministério episcopal e presbiteral mais tarde, muito depois da Carta aos Hebreus, e na sequência, por quanto presidiam à Assembleia da Eucaristia in nomine Domini, representam Cristo, cabeça da Igreja. Mas não constituem um sacerdócio próprio. Próprio, conforme o ensino dos Apóstolos, é o sacerdócio de Cristo, cabeça e corpo, repito, Ele em-Nós, Nós nEle. A distinção dos dois sacerdócios, dos Padres e dos Leigos, é esta, não há outra. Povo Sacerdotal. Sim, a Comunhão dos Santos!
Sacrosanctum Concilium foi o primeiro trabalho conciliar iniciado e logo pronto, com todos os inconvenientes de um itinerário apenas começado. Sofreu das inconveniências de ser o primeiro documento conciliar. Foi uma completa e profunda restauração, mas não chegou a ser a necessária renovação ou recriação, como precisávamos que tivesse sido. Falha ou carência de que ainda hoje sofremos, pois os velhos vícios do ritualismo e legalismo regressaram rapidamente com grande dano pastoral. No século XIX dizia-se que os grandes avanços litúrgicos aconteciam por "desobediências" ousadas e corajosas. Hoje acontece o mesmo, para o melhor ou para o pior, pois tanto deparamos nas nossas igrejas com belas e vivas celebrações como não poucas vezes estamos condenados a monótonos, repetitivos e enjoativos actos litúrgicos. Claro que ninguém é dono [da Liturgia], começando pelo Papa que tem as chaves do Reino, não só ele! mas exactamente por ser o Porteiro, não é a Porta e também não é o dono da Casa. Toda esta dialéctica só encontra saída na liberdade dos filhos de Deus, sempre contrariada pelos doutores da Lei hoje tão chatos como foram nos dias de Jesus...
Sobre o notável documento conciliar Dei Verbum, apenas quero dizer que do que precisamos entre nós não é de grandes ledores, como foram os Judeus e como são os Protestantes, mas de bons leitores. Mas, sem boas traduções em língua portuguesa, não é tarefa fácil.
Que fazer face à tristes regressões e estagnações que nos amarguram, ou azedam, depois das tão grandes esperanças despertadas com a explosão conciliar da Graça ocorrida com o concílio ecuménico Vaticano II que surpreendeu todo o mundo em 1965? Paciência? Sim, mas a paciência da Esperança que conjuga o Verbo esperar, a paciência dos Santos que nunca ficam desorientados nem inactivos apesar da Noite.
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LIVROS DO TRIMESTRE
Sal Terrae / Elsa Tamez
Lutas de poder nas origens do Cristianismo
Um estudo da Primeira Carta a Timóteo
A autora é professora de estudos bíblicos na Universidade Bíblica Latino-americana de Costa Rica. O livro, de 206 páginas, desmonta a leitura clerical que se tem feito através dos séculos da 1.ª carta a Timóteo. Leiam e escandalizem-se não com o livro, mas com as catequeses eclesiásticas anti-mulheres.
O livro surpreende-nos com uma oportuníssima apresentação do conhecido teólogo Juan José Tamayo. "O que mais me interessou no livro - sublinha - é a metodologia utilizada, que combina a reconstrução do contexto para entender o porquê de determinados textos e determinadas práticas eclesiais, com o distanciamento e a dissenção, quando a particular ideologia do autor, herdeira de tradições culturais patriarcais e discriminatórias, choca frontalmente com o Evangelho de Jesus de Nazaré, que também é necessário reconstruir."
O livro "faz-se" em quatro capítulos: 1. Os ricos e as lutas de poder na comunidade cristã. 2. A casa patriarcal e relações de poder entre os géneros. 3. As posturas teológicas e as lutas de poder. 4. Critérios para a liderança nas lutas de poder.
"Felizmente - escreve a autora, a concluir o seu estudo - apesar do dano que as leituras fundamentalistas de 1 Timóteo causaram, não conseguiram silenciar muitas mulheres ao longo de tantos séculos. Hoje, não são poucas as que sonham com uma maneira diferente de ser igreja, fora do âmbito de interpretação patriarcal."
O livro ainda nos oferece seis apêndices que muito importa conhecer para se entender melhor o teor da 1.ª carta a Timóteo: 1. Estrutura socio-económica do império romano. 2. Cidade grega pre-industrial. 3. Plano de casa e de insula ["ilhas", para famílias de fracos recursos]. 4. Actos de Paulo e Tecla. 5. Pluralidade no cristianismo primitivo. 6. Primeira carta a Timóteo [numa tradução directa do grego feita pelo própria autora].
A oportunidade deste livro é manifesta. Durante os séculos passados, muitas foram as mulheres e alguns homens da Igreja que se recusaram a ler a 1.ª carta a Timóteo, tamanha é carga ideológica patriarcal que nela se veicula. Este trabalho de Elsa Tamez vem na hora h. Para que o terceiro milénio do Cristianismo seja mais jesuânico e menos clerical.
Sal Terrae / Revista Fomento Social
Sociedade, política e economia
Na mudança de século
Desde há 60 anos que tem aparecido como Revista de Fomento Social. E continuará a aparecer. Mas agora aparece também como livro. Com o que de melhor saiu na Revista nos últimos 10 anos. Trata-se duma obra densa (600 páginas), mas imperdível. Os grandes problemas sociais estão aqui tratados com mestria. Numa perspectiva libertadora. Como é timbre dos jesuítas, pelo menos, nas três últimas décadas.
São cinco as grandes temáticas abordadas em outros tantos capítulos do livro, desenvolvidas depois em múltiplos e suculentos subcapítulos: 1. Globalização e desenvolvimento [O desafio da pobreza; Globalização integradora frente à globalização excluente; Migrações e globalização: os direitos humanos, como marco de referência; Do Rio (1992) a Joanesburgo (2002): êxito ou fracasso da Cimeira Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável?].
2. Economia mundial [A crise financeira mundial; Economia mundial: sob o signo da incerteza; O petróleo, outra vez].
3. A experiência Europeia [É possível a "terceira via"?; A moeda única: Vale a pena? E depois o quê?; A política agrícola comum europeia num mundo globalizado; Para lá da Constituição: Europa, entre as raízes cristãs e a laicidade].
4. Espanha: As políticas governamentais [A economia espanhola durante o governo de Aznar: a expansão desigual; Financiamento autonómico: um desafio para o novo governo; Ensinar e aprender na Universidade; O ensino de iniciativa social. Razões e desafios; O ensino da religião na escola: uma solução possível].
5. Ética e Sociedade [A ética empresarial: necessidade, utilidade ou pretexto?; Empresa e sociedade: perguntas éticas; Repartição do tempo de trabalho e luta contra o desemprego; Viver na sociedade de consumo; Sociedade da informação, sociedade da comunicação?; Acção política e comportamento dos católicos em Espanha].
No subcapítulo dedicado à pobreza, o livro atreve-se a propor o que chama de "cultura mundial solidária", como contribuição essencial para acabar com este flagelo e este pecado maior do nosso tempo. E avança alguns traços desta cultura solidária: a) a convicção de que este modelo não é viável, nem pode ser universalizável; b) a convicção de que o desenvolvimento é lento e difícil, como o crescimento duma árvore; c) a convicção de que os pobres são os protagonistas do seu desenvolvimento; d) reformulação da relação homem/natureza, sob um novo contrato natural e respeito pelas gerações futuras; e) educação na frugalidade, associada à realização pessoal. A nova cultura que tornará possível uma luta contra a pobreza em massa exige uma autêntica mudança de paradigma".
E conclui: "A gravidade do fenómeno da pobreza é tal que muda o seu «status» político e a sua própria dimensão social. Já não se pode dizer impunemente que as sociedades opulentas «prescindem» ou que simplesmente «não precisam» dessas massas excedentárias e excluídas. Embora as incomodem, não podem prescindir delas e elas tiram-lhes o sono."
Editorial Trotta / Ernesto Cardenal
Versos do Pluriverso
É o maior poeta vivo da Nicarágua e da América Latina. E o único que consegue fazer rimar Poesia com Teologia, pelo menos na profundidade como a que encontramos em cada um dos seus livros. Também neste que acaba de aparecer e que é uma espécie de Cântico dos Cânticos bíblico para o século XXI. Rezemo-lo, mesmo os ateus, com toda a emoção.
Uma inesperada surpresa se nos depara neste empolgante livro de poemas de Ernesto Cardenal. No poema "Buracos brancos", de repente esbarramos com uma referência a Portugal. O Poeta incluiu no seu poema um dado que conheceu através da sua leitura atenta do Jornal Fraternizar, concretamente, uma entrevista que, há anos, divulgámos com o então pároco de S. Félix da Marinha, o nosso querido amigo, Pe. Torres Maia, hoje definitivamente ressuscitado. Vejam só:
"A consciência é diferente da matéria e portanto / pode sobreviver ao corpo. / Morrerá a morte. / A lei mais universal: / tudo nasce e morre no universo, / até as estrelas, / incluindo também o próprio universo. / Porém tudo nasce de outras mortes, / até as estrelas. / O que nascerá deste universo? /
O pároco de São Félix da Marinha (Portugal) ensina / que não ponham flores nos túmulos, nem os asseiem. / Todos os túmulos estão vazios. / Quando ele vai à sua aldeia não visita o túmulo dos seus pais. / Nos cemitérios não está ninguém, diz."
Sabíamos bem, aqui na direcção do Fraternizar, que o Padre-Poeta Ernesto Cardenal é um grande amigo e admirador do jornal, mas nunca pensamos que ele pudesse levar tão longe esse amor e essa admiração. Ficamos sem palavras. E em profunda Eucaristia. Como a que resulta do Viver entregue e libertador de Jesus de Nazaré que é o Poema Maior que alguma vez aconteceu na História da Humanidade.
Nestes "Versos do Pluriverso" a Poesia consegue unir no mesmo abraço as espectaculares histórias do Cosmos e as mais íntimas histórias dos Amantes, nomeadamente, as que o próprio Poeta viveu, enquanto jovem.
"A nossa vida passa à velocidade da luz / que é o único absoluto da Relatividade, / da luz que não se atrasa nem volta atrás. / Nunca volta atrás. Astrofísica triste. / Astrofísica triste do amante solitário na noite. /
Os que estão na constelação do Centauro / vêem o nosso sol na constelação de Cassiopeia / simplesmente como outra estrela qualquer. / Eles não sabem nada sobre nós. / Tu e eu na constelação de Cassiopeia, e / os da Centauro ignorando a morte da Terra."
O livro é de apenas 75 páginas. Mas quem o ler/rezar nunca mais se separará dele. Sempre há-de regressar a ele, como alimento da Páscoa sem ocaso que é o nosso viver consciente na História. Leiam-no e verão.
Editorial Trotta / Montserrat Abumalham (coord)
Textos fundamentais da
Tradição religiosa muçulmana
São 230 páginas fundamentais para se poder conhecer por dentro a espiritualidade do Islão. O livro apresenta-nos uma selecção de textos religiosos muçulmanos, praticamente desconhecidos nos dois países da Península Ibérica. Por isso a sua aquisição e estudo são obrigatórios. A maior parte deles foram traduzidos directamente do árabe.
Para lá da Coordenadora da edição, que assina a introdução, um capítulo dedicado ao Alcorão, um outro intitulado Hadit e ainda um terceiro capítulo sobre Mística, há mais sete capítulos, de outros autores, a saber: Descrições do Paraíso (Juan Pedro Monferrer); A Oração (Cristina de la Puente); Vidas de santos (Fernando Rodríguez Mediano); Textos legais (Delfina Serrano e Amália Zomeño); Relatos de conversões ao Islão (Mercedes García-Arenal); Polémica anti-cristã (Maribel Fierro); Pensamento islâmico contemporâneo (Emilio González Ferrín).
"Com este volume - escreve a Coordenadora da edição na introdução - pretendemos oferecer uma mostra significativa de muitos géneros religiosos que o islão árabe cultivou ao longo dos séculos".
Esta selecção é sobretudo um aperitivo, para aguçar o apetite para "o imenso caudal de textos" que existem e que o Ocidente geralmente desconhece.
"A muitas pessoas - sublinha-se ainda na introdução - surpreenderá a proximidade de alguns dos textos com os produzidos nas tradições monoteístas judaica ou cristã. O leitor não deve esquecer que o islão é a última revelação de carácter monoteísta, que comparte com a segunda, o cristianismo, o seu carécter universal e com a primeira, o judaísmo, a origem abraâmica."
O capítulo intitulado Hadit abre assim: "A outra fonte básica sobre a qual assenta o islão é o hadit, que é uma recopilação dos actos e ditos do Profeta. O próprio termo hadit contém em si as duas acepções". São textos "transmitidos pelos companheiros do Profeta e destes aos seus discípulos e seguidores, fixados em obras autorizadas".
Um dos textos do Hadit conta o seguinte: "Um beduíno veio ver o Enviado de Deus, a bênção e a paz de Deus com ele, e disse-lhe: «Enviado de Deus!, indica-me uma acção que se eu a realizar integralmente, ela me leve ao Paraíso». Respondeu-lhe: «Adora a Deus e não o associes a nada. Faz a oração prescrita, entrega o dízimo estabelecido, jejua no Ramadão». Respondeu: «Por aquele em cujas mãos está o Espírito, cumprirei tudo estritamente». Quando se retirou, disse o Profeta, a bênção e a paz de Deus com ele: «Aquele que se alegrar, por ver um habitante do Paraíso, que olhe para este»".
Surpreendente para os católicos é o capítulo "Vidas de santos". Explica a respectiva autora que santo significa alguém "próximo de Deus", ou "amigo de Deus". Os santos fazem milagres. "Podem curar, voar, adivinhar o futuro, multiplicar os alimentos, castigar os poderosos, penetrar na verdade íntima do mundo e das pessoas."
Por estes exemplos, facilmente se conclui que há uma grande influência da Bíblia e das práticas do catolicismo.
Campo das Letras / Eric Frattini
A Santa Aliança
Cinco séculos de espionagem do Vaticano
É um livro demolidor. Ao longo das suas 430 páginas, percebemos o que de tenebroso e de sinistro tem havido no Papado, pelo menos, desde que o papa Pio V, em 1566, criou a Santa Aliança, completada, em 1913, pelo Sodalitium Pianum (contra-espionagem), criado pelo papa Pio X. É um rol de horrores que urge conhecer e denunciar, e que fazem do Papado de Roma uma instituição nos antípodas de Jesus de Nazaré. Não se atrasem na sua aquisição e leitura. Encontrarão referências directas a Portugal, ao reinado de D. José I e ao seu Marquês de Pombal. E perceberão porque os jesuítas de então foram expulsos do nosso país.
"Foram assassinados reis, envenenados diplomatas, apoiados grupos em conflito como norma da diplomacia pontifícia, fecharam-se os olhos a catástrofes e holocaustos, foram financiados grupos terroristas e ditadores sul-americanos, protegeram-se criminosos de guerra e lavou-se dinheiro da Máfia, manipularam-se mercados financeiros e falências bancárias, condenaram-se os conflitos enquanto se vendiam armas aos combatentes, e tudo isso em nome de Deus, e a Santa Aliança e o Sodalitium Pianum foram os seus instrumentos.
Esta é uma síntese do livro, feita pelo próprio autor, na introdução.
No corpo do livro, os assuntos são esmiuçados com relatos cheios de pormenores sempre chocantes. O espanto e o escândalo sobem de tom aos olhos de quem lê. Mas é melhor conhecer do que ignorar. Para que deixemos de ser ingénuos e exijamos o fim de toda esta máquina eclesiástica vaticana que abusivamente se reinvindica de Igreja de Jesus. É melhor conhecer a perversão para agir com consciência contra ela. As multidões são facilmente atraídas para Roma, mas só enquanto não conhecerem o pântano que está por trás dos cardeais, das Congregações, a começar pela da Causa dos Santos. Perceberemos que no Vaticano não se dá ponto sem nó. E que uma solene liturgia com poma e circunstância pode ser uma nuvem de fumo para esconder a podridão. Já o Jesus do Evangelho de Mateus fala em "sepulcros caiados". Sinal de que ele nunca foi um ingénuo! Ora, a ingenuidade é sempre perigosa, sobretudo, quando a perversão veste de cardeal ou de pomposos nomes como Istituto per le Opere di Religione (IOR-Instituto para a Obra de Religião), entenda-se "banco do Vaticano.
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DVD do Concerto em Penafiel
A equipa de amigos do Barracão de Cultura que organizou o Concerto em Penafiel com os três companheiros José Mário Branco, Tino Flores e Francisco Fanhais, já está a proceder à distribuição e venda do DVD que, na altura, se comprometeu a preparar. Tal como o Concerto, trata-se de um DVD memorável, porque foi a primeira vez que os três cantores de Abril Solidário actuaram juntos e por uma causa de peso como é a da construção do Barracão de Cultura em Macieira da Lixa. O preço não pode ser mais barato: apenas 10 euros. Para a construção do Barracão. Se ainda o não adquiriu, não se atrase!
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Novo Livro Pe. Mário, já disponível em finais de Janeiro
NA COMPANHIA DE JESUS E DE ATEUS
Livro dos Actos Século XXI
O novo livro do Pe. Mário, Na companhia de Jesus e de ateus. Livro dos Actos Século XXI, já está no prelo. Será uma edição de autor, para ver se é possível um preço de venda ao público mais barato. O livro, com mais de 300 páginas, contém os mais significativos momentos vividos e reflectidos pelo Pe. Mário em 2005, sob a forma de Diário Aberto, e partilhados em primeira mão no seu sítio na net. O produto da venda reverte integralmente, depois de pagas as despesas com a edição, a favor da construção do Barracão de Cultura, em Macieira da Lixa. Lá por finais deste mês de Janeiro, já podem procurá-lo, junto do próprio Pe. Mário e/ou da Associação AS FORMIGAS. Ou pedi-lo por telf/tlm: 255 496 358; 93 393 65 02.
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Dia 29 de Janeiro, em S. Pedro da Cova,
5.º Encontro de Espiritualidade
"Jesus, homem religioso ou político?", é o tema em debate no próximo Encontro de Espiritualidade com o ateísmo em fundo,o 5.º da série, marcado para domingo 29 de Janeiro 2006 (e não domingo 22, devido às eleições), na casa-sede da Associação Pe. Maximino, entre as 10h e as 17h. O almoço, eucarístico, resultará do que cada qual levar para Partilhar na Mesa Comum.
A Associação garante uma Sopa quente de legumes.
Anote já na sua agenda. E nesse dia apareça cedo com a sua alegria, as suas amigas e os seus amigos.
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Associação Cultural e Recreativa AS FORMIGAS DE MACIEIRA (da Lixa) informa
Barracão de Cultura
O processo, até nos ser concedido o ALVARÁ de licença de construção, foi demorado, mas acaba de chegar ao fim. Já temos o desejado ALVARÁ nas mãos. Está, pois, tudo a postos para iniciarmos a construção do Barracão de Cultura. Como os actuais dias de inverno são pequenos e muito frios, estamos a apontar os primeiros dias do mês de Março para darmos início à construção em grosso. Esteja atenta, atento e faça tudo para se associar ao lançamento da 1.ª pedra. Precisamos da alegria e da confiança, do estímulo e da partilha de todas as pessoas.
Como pela cultura é que vamos, venha até nós
e partilhe com este projecto o dinheiro que puder.
NIB da Associação (CGD): 003503090003991793035
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