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Senhora Maria, a da Comunidade das Quartas-feiras
Das muitas pessoas de S. Pedro da Cova que têm passado pela Comunidade Cristã das Quartas-feiras, tu és das poucas que foi capaz de permanecer como nossa companheira até à tua Páscoa definitiva, a qual acaba de te acontecer nos primeiros dias do passado mês de Setembro.
Agora, aquele lugar, sempre o mesmo, que tu ocupavas na Mesa da cozinha, na casa-sede da Associação Padre Maximino, onde a pequenina Comunidade continua a reunir, passou a ser para nós um sacramento que nos remete continuamente para ti e para o Deus Vivo que já te ressuscitou, como Deus de vivos que é, num universo de ídolos ou falsos deuses e deusas, religiões e seitas, que disputam entre si o domínio sobre cada ser humano que vem a este mundo. Também contigo tentaram tudo para te dominar, mas perderam. Felizmente.
Quando a Comunidade te acolheu, ainda vivias com a tua irmã, já acamada. Em lugar de correres a despejá-la num lar de idosos, como hoje está na moda, desdobraste-te em mulher para todo o serviço e ela pôde acabar os seus dias contigo ao seu lado, numa sororidade que já não é só da carne e do sangue, mas do Espírito.
Nesses tempos e logo após a partida dela para a Fonte da Vida, a Comunidade Cristã das Quartas-feiras foi decisiva nos teus dias de mulher já viúva. Acompanhaste-nos para encontros mais ao longe, com outras comunidades e grupos, e sempre numa simplicidade e transparência invulgares, como só as pessoas que se sabem sem status social são capazes de protagonizar com toda a naturalidade e sem qualquer complexo de inferioridade.
Ler e escrever, nunca soubeste, ainda que inteligência e sabedoria fossem sobreabundantes em ti. No teu olhar de mulher do povo, nunca faltou aquele brilhozinho dos que um dia foram tocados pelo Sopro ou Espírito de Deus e perderam toda a ingenuidade que, lá, onde ela não chega a ser erradicada, sempre alimenta escravos e vassalos, subservientes e lacaios de caciques, pequenos e grandes.
Desde a primeira vez que te sentaste à volta da Mesa da Comunidade Cristã das Quartas-feiras, uma revolução libertadora aconteceu na tua consciência. E nasceste uma nova mulher, lúcida como poucas, aberta ao Novo, com saudades do Futuro, companheira solidária, sobretudo de quem não faz da pobreza pretexto para passar a receber subsídios de diversa proveniência, mas se mostra disposto a tudo fazer para sair dela e conquistar a pulso a dignidade que ela, quando imposta, sempre rouba, a quem não a combate com determinação todos os dias.
Tornaste-te mulher com espinha dorsal, de antes quebrar que torcer, indomável ao teu jeito, quase aristocrática, na simplicidade do teu porte e da tua sabedoria iletrada, que muitas vezes fez ver a muitas, muitos que, embora tenham aprendido a ler e a escrever, nunca foram capazes de acolher a sabedoria e de viver em permanente casamento com ela.
O teu quotidiano nunca foi de rotina, nem de superficialidade. Sempre soubeste recusar a via dos mexericos e da murmuração em que, infelizmente, costumam ser praticantes as pessoas de bairros e de aldeias, onde toda a gente se conhece e se encontra porta-com-porta. Nunca te perdeste nesses atalhos de desumanização. Preferiste sempre a via da contemplação, da profundidade, do viajar por dentro do inesgotável universo da consciência, onde o Ser se revela e a Vida adquire dimensões de eternidade que nos enchem e humanizam, mais do que todas as riquezas e todas as ciências humanas, as quais, sem aquela, incham e tornam inóquas quem limita a elas todo o seu viver. Nunca o Ter, só por si, fez seres humanos sororais/fraternos e solidários. O Ter, só por si, sempre faz monstros. Ainda hoje não sei como tu descobriste esta verdade, mas sei que a viveste intensamente, que te situaste nesta profundidade e, por isso, chegaste a ser tocada pelo Ser, ao ponto de nasceres de novo, do Alto, do Vento, da Liberdade.
Nunca mais esquecerei aquela primeira ceia que, já lá vão alguns anos, a Comunidade Cristã das Quartas-feiras organizou na casa-sede da Associação Padre Maximino, dessa feita, na sala ampla onde habitualmente se realizam encontros mais alargados. Foi uma noite memorável, em que os protagonistas éramos as próprias pessoas da Comunidade, com mais umas quantas da vizinhança, que aceitaram o convite que lhes dirigimos. Tu foste das primeiras a chegar, sempre muito direita, alta, firme sobre os pés, olhar penetrante, mãos e braços vestidos de afecto, sempre disponíveis para mais uma festinha no rosto ou nos cabelos, para um gesto de ternura não previsto, mas que te saía festivo do poço sem fundo onde, qual arco-íris, bebias continuamente.
Nem os anos, na altura, já setenta e muitos, te pesavam. Emprestavam-te, até, um toque de madura jovialidade e de liberdade que nos rejuvesnescia e libertava. Facilmente, se percebia que era a primeira vez que passavas por uma experiência assim. Toda tu eras festa e liberdade.
Foi então que propus, como tema de conversa, no decorrer da ceia, que as pessoas casadas que quisessem partilhassem como havia sido a sua primeira vez, sobretudo, se ela tivesse acontecido antes do casamento propriamente dito. Semelhante temática visava levar as pessoas a enfrentar o moralismo hipócrita das catequeses eclesiásticas, que consideram pecado tudo o que se relaciona com o sexo, excepção feita ao sexo praticado depois de casar.
Nunca mais esquecerei que tu foste das primeiras a querer contar como foi a tua primeira vez. O episódio havia sido há tantos anos, eras então menina e moça, ingénua q.b., oprimida pelo moralismo hipócrita, mas tu ainda o retinhas na memória como se tivesse ocorrido na véspera. Aquele engenhoso pormenor das duas voltas na fechadura da porta da cozinha, para enganar a mãe que, no seu quarto, seguia todos os ruídos do vosso namoro, fez rebentar em todas, todos nós uma estrondosa e libertadora gargalhada, com forte sabor a Evangelho de Deus. E abriu o caminho a outras companheiras, a outros companheiros, para partilharem também a sua primeira vez, por sinal, quase todas ainda antes do casamento ter acontecido no papel, um pormenor que a mim muito me alegrou.
Percebi, então, nessa noite que tu eras já uma mulher da Liberdade, não da Lei, por isso, plena de responsabilidade. E fiquei feliz e em Eucaristia. E hoje digo: só por ti, minha irmã, já teria valido a pena ter acontecido a Comunidade Cristã das Quartas-feiras!
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Que jovens correm pelo Papa Ratzinger?
E a que Deus se reza em Taizé?
Jornal Fraternizar visitou o "sítio" do pe. Mário, para ver o que ele escreveu no seu Diário Aberto sobre as Jornadas Mundiais da Juventude na cidade de Colónia e sobre o assassinato do Irmão Roger de Taizé. E não resistiu a dar também uma olhadela ao "Correio não-confidencial", por alguma reacção ao Diário. O que encontrou é o que agora partilha aqui com as leitoras, os leitores. Foi no passado mês de Agosto. Leiam.
1. JMJ. A sigla andou nestes últimos dias em todos os jornais. Significa: Jornadas Mundiais da Juventude. Este ano, os jovens foram atraídos para a cidade de Colónia, na Alemanha. Da próxima vez, terão que ir até Austrália, se continuarem a dar ouvidos ao Papa-chefe de Estado do Vaticano, um cargo que Bento XVI acumula, em contradição viva com o Evangelho de Jesus, com o serviço de Pedro na nossa Igreja católica. Bento XVI presidiu ao evento. Foi a sua primeira vez, vários dias, fora do Estado do Vaticano. Os media mostram-se espantados com tantos jovens em volta do papa. Uns 800 mil. Um milhão, no dizer de outros. Parecem muitos, mas são uma gota de água no oceano que é hoje a Humanidade.
Temos que ter presente que eram jovens provenientes de 194 países do mundo. Até a Igreja católica do distante Timor Leste enviou pela primeira vez uma representação! Bastaria que cada um destes 194 países enviasse cinco mil jovens, para termos essa cifra. Ora, o que são, mesmo em Portugal, cinco mil jovens? Não sei quantos jovens estariam da própria Alemanha. Mas sei o que revelou, dias antes das Jornadas terem início, uma famosa revista semanal daquele país europeu: Ratzinger, quando chegar ao seu país natal, irá encontrar uma Alemanha muito diferente da que conheceu na sua juventude. Hoje é uma Alemanha com as igrejas católicas às moscas, porque os católicos de lá já descobriram outras formas de preencher os seus domingos e não têm pachorra para aguentar celebrações de missas sem frescura e sem comunhão, sem profecia e sem festa, sem política e sem encontro real de Deus vivo com eles. Basta, pois, de continuar a confundir Deus vivo com eclesiásticos esgotados e esteriotipados, que se limitam a ler o Missal e a executar o que manda o Ritual de Roma! Liturgias assim são uma estopada.
Por sinal, o papa pediu aos milhares de jovens que voltem a marcar presença na missa dos domingos. Foi um patético apelo que terá a resposta que merece. É que, ou a Igreja muda radicalmente de modelo e regressa à frescura do Evangelho de Jesus, ou fica reduzida a um deserto. Por mais apelos do papa. Não é de papas chefe de Estado, nem de bispos monarcas absolutos da Igreja, que os jovens e as outras pessoas precisam. A Idade Média morreu há muito. Os jovens e as outras pessoas do século XXI queremos Jesus, o de Nazaré. Também queremos o Cristo, mas o de Jesus crucificado pelo Império, devido às Causas em que se comprometeu por inteiro e até ao limite, e não o Cristo do Império que sempre justifica e canoniza todos os crimes que o Império de turno comete contra os povos do mundo.
Muita gente deixou-se impressionar com a quantidade de jovens em Colónia. Deveria interrogar-se sobre que tipo de jovens são e como foram arregimentados. Quem lhes pagou as viagens e as despesas por lá. Muitos deles são escuteiros. Muitos outros integram correntes reaccionárias na Igreja, filhas, filhos de papás e de mamãs, com muita grana e muito status social. Opusdeístas, focolorinos, de um catolicismo com quase tudo de anti-cristianismo de Jesus. E como foram arregimentados? Sei que em várias paróquias do nosso país os párocos viram-se gregos para tentar convencer uns quantos jovens a participar. Nem com a garantia de viagens pagas, os jovens aceitaram alistar-se. De Portugal foram uns cinco mil jovens. Um sucesso, ou um tremendo fiasco?
É o que eu digo: Não é de um papa cheio de medo e por isso resguardado por um inestético papamóvel com vidros à prova de bala, nem duma corte de cardeais vestidos ao jeito dos cortesãos do antigo imperador de Roma, que os jovens do século XXI têm fome. De quem eles têm fome é de Jesus de Nazaré, o Caminho, a Verdade e a Vida. E Jesus de Nazaré é o Homem que também eu, desde sempre, procuro conhecer, seguir e anunciar às pessoas. Prosseguirei nesta missão presbiteral. Longe dos templos e dos altares. Como o próprio Jesus fez no seu tempo e país.
Não falta quem me combata e tente desacreditar-me. Mas é por aqui que continuarei a ir. Venham então por mim até Macieira da Lixa. Ou chamem-me às vossas casas e às vossas mesas. Quando finalmente vemos Jesus com os olhos da consciência, logo nascemos de novo, do Alto, do seu Sopro. Ficamos nova criatura. Constituídos na liberdade. E na Graça. E constituímo-nos em felizes militantes do Reino, como ele. Apareçam. Espero-vos.
2. Irmão Roger, de Taizé. A morte chegou para ele aos 90 anos. Pelas mãos duma esquizofrénica romana presente na oração que, por estes dias últimos, decorria no espaço habitual, com mais de 2 mil participantes, alguns dos quais portugueses. A mulher aproximou-se do monge em oração, munida duma faca e cortou-lhe mortalmente a garganta, sem que nenhum dos mais de 2 mil orantes presentes se desse conta. O alarme foi dado, minutos depois, quando algumas crianças que brincavam nas proximidades do monge caído no chão, viram o sangue a correr e começaram a chorar e a gritar.
Fico esmagado com o relato dos factos. E perplexo. A que Deus é que os monges da Comunidade Ecuménica de Taizé e os demais crentes cristãos que com eles se reúnem habitualmente se dirigem, para nenhum entre tantos se ter dado conta que uma sua irmã esquizofrénica andava a rondar o irmão Roger com uma faca na mão? Que tipo de oração é esta que acontece várias vezes ao dia em Taizé, e que leva os orantes a permanecer de olhos fechados e alheios ao que se passa à sua volta? Ainda é o Deus vivo que se nos revelou definitivamente em Jesus de Nazaré, como o Deus do Reino, o Deus comprometido com este mundo, com as grandes causas deste mundo e da Humanidade? Mas o Deus de Jesus e do Reino fecha-nos os olhos, ou abre-nos os olhos? Faz-nos evadir deste mundo e da História, ou mete-nos neste mundo e na História? É certo que houve sangue nesta oração e uma vida perdeu-se durante ela. Mas pode dizer-se que foi por causa de Deus e do seu Reino, ou por causa de um deus com tudo de ídolo, por isso, sem Reino e sem Mundo?
Fiquei abismado com a morte do Irmão Roger. Todo eu estremeci por dentro, quando li a notícia, ao abrir a internet. Mas mais ainda, quando tomei conhecimento dos pormenores que a envolveram. Como é possível estar em oração e não ter seguido os movimentos e os passos duma irmã esquizofrénica que também lá se encontrava, para a ajudar a defender-se da sua esquizofrenia, de modo que esta não conseguisse levá-la a consumar o assassinato? Uma oração que nos isola das irmãs, dos irmãos, sobretudo, dos mais carentes de afecto e de auto-controlo, ainda é oração como a de Jesus? Ainda é o Espírito, o Sopro de Deus vivo a manifestar-se em nós? Não é sobretudo alienação, e da mais refinada? Não é uma oração conduzida por um outro sopro, que não o de Jesus?
Temo estar a ser muito injusto. Mas nem por isso posso deixar de partilhar aqui estas perguntas. Não quero julgar e muito menos condenar ninguém. Mas não posso deixar de partilhar todo este tipo de questões que o doloroso acontecimento fez despertar em mim. Creio que isto também é orar no Espírito de Jesus e com o Espírito. Contemplativas, contemplativos de olhos bem abertos é o que o Espírito de Deus vivo, o do Reino, procura. Jesus de Nazaré é o paradigma de contemplativos assim. Mesmo no Jardim das Oliveiras, enquanto os três seleccionados por ele entre os Doze para orarem com ele dormiam, ele orava, mas de olhos bem abertos. E por isso pôde aperceber-se que quem o ia entregar já se aproximava, na companhia de quem o ia prender. Tanto assim que foi logo ter com os três que dormiam e disse-lhes, determinado: “levantai-vos, vamos, que já se aproxima quem me vai entregar!” Orar de olhos bem abertos e para nos tornarmos pessoas de olhos ainda mais abertos, eis o que é decisivo para mudarmos de raiz esta Ordem mundial de trevas e de alienação que estupidamente nos oprime e mata.
Vem, Senhor Jesus! Maranathá!
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Meu caro Paulo
Caro Padre Mário: Li o seu artigo sobre o Irmão Roger, de Taizé, que muito me indignou. Só quem não quer abrir os olhos pode escrever tamanho disparate! O senhor começa por faltar à verdade: diz quem lá esteve que o alarme não foi dado minutos depois, como o senhor afirma, mas imediatamente assim que se viu sangue. Ou seja, dizer “segundos depois” seria já exagerado! Talvez fosse importante que se informasse um pouco melhor antes de fazer comentários baseados em falsidades! E é exactamente porque algumas crianças estavam junto do Irmão Roger que ninguém se admirou ao ver uma senhora aproximar-se. Sim, porque parece que muitos viram a senhora aproximar-se... É normal, em situações semelhantes, uma ou outra mãe aproximar-se dos seus filhos... E é exactamente porque o Irmão Roger se recusava a fechar os olhos aos outros e procurava ser acolhedor que não era raro as pessoas aproximarem-se dele! Evidentemente que o que ninguém viu foi a faca, que devia ir bem escondida. Talvez o senhor tenha capacidades extraordinárias que lhe permitam identificar, no meio de duas mil pessoas, alguém com necessidade de “ajuda para se defender da sua esquizofrenia”. Parece que de facto as duas mil pessoas que ali estavam não tiveram capacidades como a sua e não puderam adivinhar as intenções dessa pessoa. Caso contrário teriam obviamente evitado a tragédia. No entanto, se a oração não lhes deu a capacidade para evitarem esse mal, parece que lhes deu a capacidade de “responder à violência com a paz”. Não será esse um sinal que indica que os seus olhos estavam bem abertos? A oração não suprime, por milagre, as dificuldades da vida. Mas abre realmente os olhos a muitos, permitindo-lhes enfrentar essas dificuldades no espírito das bem-aventuranças proclamadas por Jesus de Nazaré. Parece que quem conhecia a senhora há muito tempo que a tentava ajudar. O senhor deve achar que deveriam ter feito mais... Família, amigos, vizinhos, pessoal médico, pessoas que tinham estado em contacto com ela, etc.: seriam todos cegos? Ou será que é o senhor que não consegue ver que um acto desta natureza era impensável? Como é fácil, para quem está longe, criticar de forma ligeira e superficial!
Paulo Barroso (um jovem que não tem medo de fechar os olhos em oração, procurando assim abrir o coração ao amor de Deus e às necessidades do próximo)
Meu caro Paulo
Acolho e agradeço os seus comentários ao meu apontamento teológico sobre a morte do Irmão Roger. E convido-o a lê-lo de novo, mas agora com mais serenidade, menos preconceito e, sobretudo, com mais profundidade contemplativa. O que o Texto pretende é introduzir-nos no Essencial. Quando deparamos com um dedo que aponta para a Lua, corremos o risco de nos perdermos em comentários sobre o dedo, em lugar de mergulharmos na Lua para onde o dedo aponta.
Saiba que se o nosso Deus for o de Jesus de Nazaré, só pode ser um Deus que tem tudo a ver com a História, por isso, com a Economia e a Política; ou Ele não fosse, no dizer culturalmente situado de Jesus, o Deus do Reino. Crer nEle é comprometer-se com a História, do mesmo jeito que Jesus se comprometeu, inclusive, sem sequer fugir ao confronto duélico com os Poderes de Opressão e de Morte que, em cada tempo e lugar, insistem em reter a Verdade cativa na injustiça.
Desconfie sempre de um líder espiritual, quando todos os outros líderes das mais distintas religiões e Igrejas dizem bem dele. Foi o que sempre fizeram com os falsos profetas. Já sobre Jesus de Nazaré, em quem o Deus do Reino se reviu por inteiro e, por isso, no-lo apresentou como o seu Filho bem amado, para que o escutemos e sigamos, o sumo sacerdote do seu tempo e país e todos os príncipes dos sacerdotes com ele, em uníssono com todos os teólogos do Templo de Jerusalém, fartaram-se de dizer o pior a respeito dele. Chegaram ao ponto de dizer publicamente que ele tinha um pacto com o Diabo e, por isso, tudo o que fazia e dizia era pelo poder do Diabo/Belzebú. E quando, algum tempo depois, tiveram de concluir que nem assim o desacreditavam diante do povo, coligaram-se todos contra ele e mataram-no na Cruz, para que toda a gente passasse a olhar para ele como um maldito. Pense nisto.
Fico feliz por ter reagido com toda a frontalidade e sinceridade ao meu apontamento teológico sobre a morte do Irmão Roger. Vejo que lhe causei algum mal-estar e um certo nervosismo. Mas não me lamento, antes me alegro. E agora o que mais lhe peço é que não se deixe enredar nas minhas palavras. Pelo contrário, abra-se ao Deus Vivo e completamente outro, para quem o meu apontamento teológico, muito tosco, certamente, aponta. Deixe-O entrar na sua vida, assim como ao seu Sopro ou Espírito. E quem sabe se o seu viver não virá a ser também como o de Jesus, neste nosso hoje e aqui. Se sim, então a minha alegria seria completa.
Creia-me seu irmão. E fique com o meu abraço. Mário
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LIVROS DO TRIMESTRE
Editorial Trotta / Jacques Le Goff
O Deus da Idade Média
Conversas com Jean-Luc Pouthier
"Como é que os homens e as mulheres da Idade Média imaginavam Deus? Que relação mantinham com ele? Este é o tema, amplo e muito preciso, destas conversas." O livro tem apenas 75 páginas. Mas são preciosas. De leitura indispensável.
"Não vacilamos em dizer que existe para o historiador, e por conseguinte no saber humano, uma história de Deus. Esta história esboça-se também nestas conversas, com um respeito absoluto pelas crenças."
Neste livro, Jacques Le Goff, considerado um dos maiores especialistas em Idade Média, aceitou manter quatro conversas com Jean-Luc Pouthier. E o resultado é deveras surpreendente, para não dizer, perturbador. "De que Deus se trata?", é o tema da primeira conversa. Os outros três temas são: "Duas figuras fundamentais: o Espírito Santo e a Virgem Maria"; "A sociedade medieval e Deus"; e "Deus na cultura medieval".
"A Antiguidade tardia - diz o autor logo a abrir a primeira conversa - é o período em que o Deus dos cristãos se converte no único Deus do Império romano. Este Deus é um deus oriental, que consegue impor-se no Ocidente. Os primeiros grupos de cristãos desenvolveram-se um pouco à maneira duma seita que realiza conquistas e cujo número de membros aumenta. E estes grupos foram favorecidos, nos séculos II e III, pelo interesse cada vez maior pelas divindades e pelos cultos salvíficos; cultos de terapeutas que cuidam ao mesmo tempo das doenças do corpo, da alma, e da existência humana. Naquela época agitada, o deus Esculápio, por exemplo, adquire uma grande importância no meio militar. Os exércitos romanos, que irão combater até aos confins da Pérsia, têm contacto também com o culto de Mitra." Conclusão: a religião romana tinha cada vez menos adeptos. E o próprio imperador Constantino, no século IV, acabou por aderir ao Deus dos cristãos, "do qual esperava a sua salvação e a do império". E "menos de um século depois, em 392, Teodósio faz do cristianismo a religião do Estado".
É com esta clareza de pontos de vista que Jacques Le Goff conversa. E quando lhe é perguntado se os cultos pagãos não resistiram ao "assalto" do Deus cristão, ele responde: "A resistência da religião pagã greco-romana foi muito limitada. Quase só nas elites intelectuais". Ainda assim refere uma reacção, no século V, liderada por um tal Símaco. Uma resistência que tinha a ver com práticas ligadas à magia e que se traduzia no culto às árvores ou às fontes, o qual se manteve, mais ou menos encoberto, durante toda a Idade Média, particularmente, nas áreas rurais que constituíam cerca de 90 por cento da população.
Sal Terrae / Andrés Torres Queiruga
Esperança, apesar do mal
A ressurreição como horizonte
Não tivesse havido o convite da Conferência Episcopal da Colômbia ao eminente teólogo A. Torres Queiruga (nunca a Conferência Episcopal de Espanha foi capaz de tal, pelo contrário, continua ostensivamente a ignorar o trabalho do teólogo galego!) para que fosse proferir três conferências no congresso anual organizado por ela, e este livro não teria nascido. E seria um prejuízo para as Igrejas e para as sociedades. Nas suas 141 páginas, há teologia cristã jesuânica bem à altura destes nossos tempos de pós-Modernidade. Por isso não o percam.
Como facilmente se depreende, o livro tem três capítulos: 1." Elpidologia: A esperança como existenciário humano" (no final do capítulo, o autor acrescentou-lhe um "Excursus" com o título: "A «saudade», entre a angústia e a esperança"); 2. "A estrutura fundamental da esperança bíblica"; 3. "A realização da esperança: o mal a partir da cruz e da ressurreição".
É neste terceiro capítulo que encontramos, logo no início esta constatação: "Porém, o mal continua a ser a presença terrível que ameaça denunciar como mero idealismo toda essa versão (da esperança que se apoia num Deus que cria por amor). Se a ameaça não se esconjura, se não conseguimos mostrar que a sua sombra inquietante não é capaz de eclipsar completamente a luz da esperança, todo o discurso ficará em suspenso, e a «menina esperança», como lhe chamava Charles Péguy, esconder-se-á angustiada e não será capaz de continuar a sustentar suas irmãs, a fé e a caridade. E na comum procura humana por um horizonte último de sentido, o cristianismo não terá nada verdadeiramente original que oferecer. O mal continuará a criar esse vazio obscuro que soluções parciais, sempre ameaçadas de naufrágio na renúncia a todo o sentido, ou despedaçadas contra os terríveis rochedos da morte individual inevitável e da injustiça irreparável em vão tentam preencher." E Queiruga sublinha, quase já sem fôlego: "O desafio é total, e com a entrada no âmbito minado da actual cultura crítica converteu-se literalmente em aposta de vida ou de morte para uma fé que pretenda «dar razão» de si própria com honestidade e rigor."
Rigor e honestidade, eis do que se trata, fundamentalmente, nestes tempos que são os nossos. Quer isto dizer que as respostas avançadas pelos velhos catecismos das Igrejas já não servem para as mulheres, os homens destes tempos que os nossos. Infelizmente, são ainda essas velhas respostas que as Igrejas têm para oferecer. Por isso, arriscam-se a ficar a falar sozinhas, à medida que os seres humanos se desenvolvem e se "fazem" pelos dados que a Ciência apresenta.
Andrés Torres Queiruga continua aí a mostrar que não está disposto a ser um mero repetidor dessas velhas respostas que não interessam mais e, à medida que avançamos no tempo, cada vez interessarão menos. E prossegue, na reflexão e investigação teológicas, como quem vê o Invisível. Deveria ser estimulado e apoiado pela Igreja, desde a base ao topo. Mas não é isso que acontece, pelo menos, no topo. Não será isto pecado mortal?
Setecaminhos / Viriato Teles
Contas à vida
Histórias do tempo que passa
A fotografia da capa é que nos diz que estamos perante um livro em que se fala de Abril e do respectivo dia 25, que já lá vai. E a apresentação começa logo por nos convidar a "Esquecer Abril", porque é urgente reinventar outra festa de libertação que vá muito mais à raiz do povo que somos. Ao todo, são 20 entrevistas com outros tantos entrevistados, elas e eles. Entre os quais se conta o nosso director, Pe. Mário. Ainda não leu? Nem sabia? Mas que distraídas, distraídos que andamos!...
"Alberto Pimenta, Alice Vieira, António Pinho Vargas, Baptista-Bastos, Edmundo Pedro, Fausto Bordalo Dias, Fernando Relvas, Francisco Louçã, Isabel do Carmo, João Soares, José Mário Branco, José Medeiros, Luís Filipe Costa, Maria Teresa Horta, Manuel Freire, Mário Alberto, Mário de Oliveira, Odete Santos, Otelo Saraiva de Carvalho, Vasco Gonçalves. Foram estes os entrevistados, e estiveram para ser mais, mas não sei se poderiam ser outros. (...). Os vinte que aqui juntei são inquestionável e reconhecidamente dos mais dignos praticantes dos ofícios a que cada um se entregou. A maior parte deles são também, para além disso, meus amigos, mas não foi esse o critério que me levou a convidá-los para a conversa: foi mesmo porque sabem do que falam, e falam sem medo - o que só aparentemente é coisa de somenos." Assim escreve o autor do livro, Viriato Teles, um jovem, quando a madrugada do 25 de Abril 74 rebentou em festa de liberdade nas ruas do país, até então amordaçado pela Pide, pelo Regime e pelos eclesiásticos católicos, mai-lo seu moralismo de terror.
"Neste momento - começa por confessar Baptista-Bastos - a minha perspectiva é particularmente pessimista porque a extrema-direita está a ocupar o espaço cultural que habitualmente pertencia à esquerda, nos jornais e, também nas televisões, em particular na RTP 2. Isso significa que a esquerda não tem tido resposta para isto, e a direita cavalga tranquilamente."
Já para José Mário Branco, "o que é perigoso para o sistema são as dúvidas. Se fosse ao sistema tinha mais medo das dúvidas do que das certezas."
E o que diz Maria Teresa Horta? " "Temos de lutar pelo nosso sonho. E o meu grande sonho é de liberdade para os homens e para as mulheres. E portanto sou feminista, porque não gosto de um mundo em que uns têm direito a umas coisas e outros têm direito a outras, em que uns são mais iguais do que outros..."
Das muitas perguntas que foram formuladas ao "nosso" Pe. Mário, uma, inevitável, foi sobre Fátima. "Fátima foi uma fraude?". A resposta saiu-lhe cortante: "Fátima foi uma fraude. E continua a ser uma fraude. As chamadas aparições da senhora de Fátima são o que há de, cultural e teologicamente, mais parolo e parvo no nosso país. São o obscurantismo em acção. São o exemplo mais acabado do Portugal de pequeninos e de analfabetos que o catolicismo português produziu, em união com monarquia, desde a fundação."
Editorial Trotta / E. Dussel e Karl-Otto Apel
Ética do discurso
Ética da libertação
Os textos dos dois conhecidos filósofos que integram este volume de 400 páginas, densas e de assimilação (quase) só acessível a pessoas com formação filosófica, começaram por ser comunicações proferidas em diversos encontros-debate, ocorridos entre 1989 e 2002. Se é uma das pessoas com bases académicas para entender tão douto pensamento, corra por este livro. É do que há de melhor do pensamento humano associado à ética.
O livro é precedido por dois ensaios de algumas páginas, respectivamente, de Hans Schelkshorn e María Aránzazu Hernández Piñero, titulados "Discurso e libertação" e "O debate entre ética do discurso e ética da libertação".
"A ética do discurso - pode ler-se no primeiro ensaio - desenvolvida por Jürgen Habermas e Karl-Otto Apel e a ética da libertação de Enrique Dussel alcançaram um desenvolvimento suficiente a partir dos contextos políticos dos quais surgiram. As apaixonadas discussões que provocaram confirmam a sua posição significativa. A ética do discurso continua a tradição europeia da moral universal num nível crítico, integrando as duas correntes da Ilustração pelas quais passou a história europeia. A filosofia da libertação latino-americana, por sua parte, marca o clima temporal de um desenvolvimento para um pensamento latino-americano genuíno. Os primeiros impulsos, embora falidos, desse desenvolvimento, repousam nos movimentos filosóficos nos tempos da independência das colónias latino-americanas no século XIX."
Por sua vez, o segundo ensaio, sob a forma de introdução ao livro, abre assim: "O diálogo entre a ética discursiva apeliana e a filosofia dusseliana da libertação (enquanto ética da libertação) tem início no ano de 1989 em Friburgo (Alemanha), por ocasião de um encontro hispano-germano organizado por Raúl Fornet-Betancourt, sob o título «Fundamentação da ética na Alemanha e na América Latina», ao qual assistiram K-O Apel e E. Dussel e outros cinquenta académicos mais que participaram activamente. (...) Desde o início tornam-se presentes os eixos temáticos em torno dos quais a discussão irá girar. Entre eles, aponto: a) a pertinência ou não do recurso ao pensamento de Marx, e b) a significação do problema da interpelação do Outro, que abre os horizontes dos aspectos material e crítico da ética perante o enfoque formal da pragmática transcendental, dentro da discussão prévia e metodológica desta acerca da possibilidade duma fundamentação do (ou dos) princípio(s) da ética. Sob estes eixos vão-se desenvolvendo novos aspectos do debate. Antes, porém, darei conta das posições iniciais de ambos os autores, antes de entrarem em diálogo e, depois, sucintamente, também do conteúdo de cada encontro".
Eis. Como vêem, é para pessoas preparadas e interessadas na temática.
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ÚLTIMA PÁGINA
Daqui a cem anos…
Frei Betto
Daqui a cem anos não serei de mim. Minhas cinzas, o punhado que restar da cremação, já estarão integradas ao útero fértil da terra. Da minha obra, talvez figure não mais que um ou dois livros, num catálogo de alfarrábios. Nos arquivos de um convento, um frade curioso saberá que um dia o precedi nas sendas de São Domingos. E não mais.
A ideia da imortalidade pesa-me como fardo ridículo de vaidade póstuma. Que importância têm os aplausos depois que os actores deixam o teatro? A notoriedade não me adula. Mineiro, curto a discrição, poder parar anónimo numa esquina, misturar-me à multidão, entregar-me à leitura na fila sem merecer o olhar invasivo de quem se me avizinha. Bastam-me as letras a desnudar-me frente ao leitor, e a fé de que me aguarda um fim infindo. Quero o colo de Deus. E não mais. Porque o verdadeiro amor sempre é terno.
Sinto-me um grão de areia ao meditar no acúmulo de séculos soterrados pelo passado e a desdobrar-se em futuro, antes que a nossa estrela-mãe queime em brilhos todo o seu combustível, calcinando este planeta pintado de azul e verde. Agora sou um entre mais de 6 mil milhões. Como é possível caber tanta pretensão em tão diminuta pequenez? Por que o coração se infla de ambições, a mente transtorna-se retorcida pelo egoísmo, as mãos se apegam ciosas a objectos destituídos de vida? Para quê essa sofreguidão insana, a corrida contra o relógio, a irrefreável gula frente ao mundo circundante?
Desacelero. Fecho os olhos para ver melhor. A meditação afasta-me de mim mesmo, devolve-me àquele Outro que não sou eu e, no entanto, funda a minha verdadeira identidade. Assenta toda a poeira que me asfixia na azáfama quotidiana. Renova o meu oxigénio espiritual. Revolve esse canteiro que trago no mais íntimo de mim, sempre à espera da inefável semente divina.
Em Setembro de 2105 terá sido inútil toda a minha pressa. Essa voracidade d’alma será apenas um definitivo silêncio no tempo. Estarei emudecido pela deslembrança. Não colherei as flores da primavera, nem ouvirei o som da flauta que embala minhas manhãs orantes. Transmutado no ciclo implacável da natureza, serei o que já fui: multidão de bactérias, húmus de um caule que brota, alimento de um pássaro.
Tenho 15 mil milhões de anos. Sei que, como toda a matéria, comungo a perene transubstanciação de todas as coisas criadas. Existo, coexisto e subsisto em Universo, não em pluriverso. Dentro de poucos anos, serei tragado pelo ritmo da entropia, e minhas células se condensarão em moléculas integradas no baile alquímico da evolução. De novo, serei um com o todo. O oceano não é mais do que a interacção de pingos d’água.
Essa certeza recata-me ansiedades. Volto a mim mesmo, ao recôndito do espírito, atento à delicadeza da vida. Tudo é liturgia, basta ter olhos para crer: o pão sobre a mesa, a água derramada no copo, a janela assediada pelo vento, a roda pétrea do amolador de facas, a vela consumindo-se de luz junto ao sacrário, o cheiro doce de manga, o mistério do momento exacto em que o sono me sequestra, a foto de meu pai na estante de livros, o grito alegre de uma criança que talvez colha em vida Setembro de 2105.
O melhor da existência são as contas do seu colar, as diminutas miçangas que formam belos desenhos, os cacos do vitral. A conversa inconsútil com os amigos, a língua perfumada pelo vinho, os salmos de Adélia Prado, a sesta de domingo, a inveja dos velhos jogando dama na praça, o gesto de carinho, o cuidado solidário.
Daqui a cem anos, quando Setembro vier, o mundo estará, como sempre, entregue a si mesmo, porém sem o concurso de minhas ambições, pretensões e inquietações.
Meditar no futuro aquieta-me. Impregna-me de um profundo sentimento de desimportância.
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LIVROS DO TRIMESTRE
Dia 23 Outubro, em S. Pedro da Cova
4.º Encontro de Espiritualidade
O 4.º Encontro de Espiritualidade com o ateísmo em fundo está marcado para domingo, 23 de Outubro 2005, na casa-sede do Jornal Fraternizar
entre as 10h e as 17. O almoço é eucarístico, com o que cada qual confeccionar e levar para Partilhar na Mesa Comum.
A Sopa de legumes será confeccionada pela Associação.
Tema em reflexão e debate: O livro O Outro Evangelho Segundo Jesus Cristo, do Pe. Mário. Anote na sua agenda. E apareça com a sua alegria.
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Associação As Formigas de Macieira (da Lixa)
Barracão de Cultura
Pelo andar da carruagem, tudo indica que o início da construção do Barracão de Cultura, da Associação Cultural e Recreativa AS FORMIGAS DE MACIEIRA, poderá acontecer ainda este ano, o mais tardar, no início de 2006.Já existe projecto aprovado, autorização da Câmara Municipal para levantar, a custo zero, a licença ou Alvará de Construção, e engenheiro para acompanhar/inspeccionar o andamento das obras. Depois que for contratado o empreiteiro, é só levantar a Licença e iniciar os trabalhos. Para já, o propósito da Associação é erguer toda a obra em grosso, cobertura incluída. Ficará muito bonito!
O dinheiro disponível é que continua a ser pouco.
Se acredita que pela cultura é que vamos, ajude-nos.
NIB da Associação (CGD): 003503090003991793035
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