Textos do
Jornal Fraternizar

Edição nº 159, de Outubro/Dezembro 2005 (Continuação)

Senhora Maria, a da Comunidade das Quartas-feiras

Das muitas pessoas de S. Pedro da Cova que têm passado pela Comunida­de Cristã das Quartas-feiras, tu és das poucas que foi capaz de permanecer como nossa companheira até à tua Páscoa definitiva, a qual acaba de te acontecer nos primeiros dias do pas­sado mês de Setembro.

Agora, aque­le lugar, sempre o mes­mo, que tu ocupavas na Mesa da cozi­nha, na casa-sede da Associação Pa­dre Maximino, onde a pe­quenina Comu­ni­dade continua a reu­nir, passou a ser para nós um sacramento que nos re­mete continuamente para ti e para o Deus Vivo que já te ressuscitou, como Deus de vivos que é, num universo de ídolos ou falsos deuses e deusas, religiões e seitas, que disputam entre si o domínio sobre cada ser humano que vem a este mundo. Também conti­go tentaram tudo para te dominar, mas perderam. Felizmente.

Quando a Comunidade te acolheu, ainda vivias com a tua irmã, já acama­da. Em lugar de correres a despejá-la num lar de idosos, como hoje está na moda, desdobraste-te em mulher para todo o serviço e ela pôde acabar os seus dias contigo ao seu lado, numa so­roridade que já não é só da carne e do sangue, mas do Espírito.

Nesses tempos e logo após a parti­da dela para a Fonte da Vida, a Co­munidade Cristã das Quartas-feiras foi decisiva nos teus dias de mulher já viúva. Acompanhaste-nos para encon­tros mais ao longe, com outras comuni­da­des e grupos, e sempre numa sim­pli­ci­dade e trans­parência invulgares, como só as pessoas que se sabem sem status so­cial são capazes de protago­nizar com toda a naturalidade e sem qualquer complexo de inferioridade.

Ler e escrever, nunca soubeste, ain­da que inteligência e sabedoria fossem sobreabundantes em ti. No teu olhar  de mulher do povo, nunca faltou aquele brilhozinho dos que um dia foram toca­dos pelo Sopro ou Espírito de Deus e perderam toda a ingenuidade que, lá, onde ela não chega a ser erradicada, sempre alimenta escravos e vassalos, subservientes e lacaios de caciques, pequenos e grandes.

Desde a primeira vez que te sentas­te à volta da Mesa da Comunidade Cris­tã das Quartas-feiras, uma revolu­ção libertadora aconteceu na tua cons­ciência. E nasceste uma nova mulher, lúcida como poucas, aberta ao Novo, com saudades do Futuro, companheira solidária, sobretudo de quem não faz da pobreza pretexto para passar a re­ceber subsídios de diversa proveniên­cia, mas se mostra disposto a tudo fazer para sair dela e conquistar a pulso a dignidade que ela, quando imposta, sempre rouba, a quem não a combate com determinação todos os dias.

Tornaste-te mulher com espinha dor­sal, de antes quebrar que torcer, in­do­mável ao teu jeito, quase aristocrá­tica, na simplicidade do teu porte e da tua sabedoria iletrada, que muitas ve­zes fez ver a muitas, muitos que, embora tenham aprendido a ler e a escrever, nun­ca foram capazes de acolher a sa­be­doria e de viver em permanente ca­sa­mento com ela.

O teu quotidiano nunca foi de roti­na, nem de superficialidade. Sempre soubeste recusar a via dos mexericos e da murmuração em que, infelizmente, costumam ser praticantes as pessoas de bairros e de aldeias, onde toda a gente se conhece e se encontra porta-com-porta. Nunca te perdeste nesses atalhos de desumanização. Preferiste sempre a via da contemplação, da pro­fundidade, do viajar por dentro do ines­go­tável universo da consciência, onde o Ser se revela e a Vida adquire dimen­sões de eternidade que nos enchem e hu­manizam, mais do que todas as ri­que­zas e todas as ciências humanas, as quais, sem aquela, incham e tor­nam inó­quas quem limita a elas todo o seu viver. Nunca o Ter, só por si, fez seres hu­manos sororais/fraternos e solidá­rios. O Ter, só por si, sempre faz mons­tros. Ainda hoje não sei como tu desco­briste esta verdade, mas sei que a vi­ves­te intensamente, que te situaste nesta profundidade e, por isso, chegas­te a ser tocada pelo Ser, ao ponto de nasceres de novo, do Alto, do Vento, da Liberdade.

Nunca mais esquecerei aquela pri­meira ceia que, já lá vão alguns anos, a Comunidade Cristã das Quartas-feiras organizou na casa-sede da Associação Padre Maximino, dessa feita, na sala am­pla onde habitualmente se realizam encontros mais alargados. Foi uma noite memorável, em que os protagonistas éra­mos as próprias pessoas da Comu­ni­dade, com mais umas quantas da vi­zi­nhança, que aceitaram o convite que lhes dirigimos. Tu foste das primeiras a chegar, sempre muito direita, alta, fir­me sobre os pés, olhar penetrante, mãos e braços vestidos de afecto, sem­pre disponíveis para mais uma festinha no rosto ou nos cabelos, para um gesto de ternura não previsto, mas que te saía festivo do poço sem fundo onde, qual arco-íris, bebias continuamente.

Nem os anos, na altura, já setenta e muitos, te pesavam. Emprestavam-te, até, um toque de madura jovialidade e de liberdade que nos rejuvesnescia e libertava. Facilmente, se percebia que era a primeira vez que passavas por uma experiência assim. Toda tu eras festa e liberdade.

Foi então que propus, como tema de conversa, no decorrer da ceia, que as pessoas casadas que quisessem par­tilhassem como havia sido a sua pri­meira vez, sobretudo, se ela tivesse a­contecido antes do casamento propria­mente dito. Semelhante temática visava levar as pessoas a enfrentar o moralis­mo hipócrita das catequeses eclesiásti­cas, que consideram pecado tudo o que se relaciona com o sexo, excepção feita ao sexo praticado depois de casar.

Nunca mais esquecerei que tu foste das primeiras a querer contar como foi a tua primeira vez. O episódio havia si­do há tantos anos, eras então menina e moça, ingénua q.b., oprimida pelo mo­­ralismo hipócrita, mas tu ainda o re­ti­nhas na memória como se tivesse o­cor­rido na véspera. Aquele engenhoso pormenor das duas voltas na fechadu­ra da porta da cozinha, para enganar a mãe que, no seu quarto, seguia todos os ruídos do vosso namoro, fez reben­tar em todas, todos nós uma estrondosa e libertadora gargalhada, com forte sabor a Evangelho de Deus. E abriu o caminho a outras companheiras, a ou­tros companheiros, para partilharem também a sua primeira vez, por sinal, quase todas ainda antes do casamento  ter acontecido no papel, um pormenor que a mim muito me alegrou.

Percebi, então, nessa noite que tu eras já uma mulher da Liberda­de, não da Lei, por isso, plena de responsabili­da­­de. E fiquei feliz e em Eucaristia. E hoje digo: só por ti, minha irmã, já teria va­lido a pena ter acontecido a Comuni­da­de Cristã das Quartas-feiras!


Que jovens correm pelo Papa Ratzinger?

E a que Deus se reza em Taizé?

Jornal Fraternizar visitou o "sítio" do pe. Mário, para ver o que ele escreveu no seu Diário Aberto sobre as Jornadas Mundiais da Juventude na cidade de Colónia e sobre o assassinato do Irmão Roger de Taizé. E não resistiu a dar também uma olhadela ao "Correio não-confidencial", por alguma reacção ao Diário. O que encontrou é o que agora partilha aqui com as leitoras, os leitores. Foi no passado mês de Agosto. Leiam.

1. JMJ. A sigla andou nestes últi­mos dias em todos os jornais. Significa: Jornadas Mundiais da Juventude. Este ano, os jovens foram atraídos para a cidade de Colónia, na Alemanha. Da próxima vez, terão que ir até Austrália, se continuarem a dar ouvidos ao Papa-chefe de Estado do Vaticano, um cargo que Bento XVI acumula, em contradição viva com o Evangelho de Jesus, com o serviço de Pedro na nossa Igreja cató­lica. Bento XVI presidiu ao evento. Foi a sua primeira vez, vários dias, fora do Estado do Vaticano. Os media mos­tram-se espantados com tantos jovens em volta do papa. Uns 800 mil. Um mi­lhão, no dizer de outros. Parecem mui­tos, mas são uma gota de água no oce­ano que é hoje a Humanidade.

Temos que ter presente que eram jovens provenientes de 194 países do mundo. Até a Igreja católica do distante Timor Leste enviou pela primeira vez uma representação! Bastaria que cada um destes 194 países enviasse cinco mil jovens, para termos essa cifra. Ora, o que são, mesmo em Portugal, cinco mil jovens? Não sei quantos jovens estariam da própria Alemanha. Mas sei o que revelou, dias antes das Jornadas terem início, uma famosa revista sema­nal daquele país europeu: Ratzinger, quando chegar ao seu país natal, irá encontrar uma Alemanha muito diferen­te da que conheceu na sua juventude. Hoje é uma Alemanha com as igrejas católicas às moscas, porque os católi­cos de lá já descobriram outras formas de preencher os seus domingos e não têm pachorra para aguentar celebra­ções de missas sem frescura e sem co­mu­nhão, sem profecia e sem festa, sem política e sem encontro real de Deus vivo com eles. Basta, pois, de continuar a confundir Deus vivo com eclesiásticos esgotados e esteriotipados, que se li­mi­tam a ler o Missal e a executar o que manda o Ritual de Roma! Liturgias as­sim são uma estopada.

Por sinal, o papa pediu aos milha­res de jovens que voltem a marcar pre­sença na missa dos domingos. Foi um patético apelo que terá a resposta que merece. É que, ou a Igreja muda radi­calmente de modelo e regressa à fres­cura do Evangelho de Jesus, ou fica reduzida a um deserto. Por mais apelos do papa. Não é de papas chefe de Es­ta­do, nem de bispos monarcas absolu­tos da Igreja, que os jovens e as outras pessoas precisam. A Idade Média mor­reu há muito. Os jovens e as outras pes­soas do século XXI queremos Jesus, o de Nazaré. Também queremos o Cristo, mas o de Jesus crucificado pelo Impé­rio, devido às Causas em que se com­prometeu por inteiro e até ao limite, e não o Cristo do Império que sempre jus­tifica e canoniza todos os crimes que o Império de turno comete contra os povos do mundo.

Muita gente deixou-se impressionar com a quantidade de jovens em Colónia. Deveria interrogar-se sobre que tipo de jovens são e como foram arregimen­ta­dos. Quem lhes pagou as viagens e as despesas por lá. Muitos deles são escu­tei­ros. Muitos outros integram correntes reaccionárias na Igreja, filhas, filhos de papás e de mamãs, com muita grana e muito status social. Opusdeístas, focolo­rinos, de um catolicismo com quase tudo de anti-cristianismo de Jesus. E como foram arregimentados? Sei que em vá­rias paróquias do nosso país os párocos viram-se gregos para tentar convencer uns quantos jovens a participar. Nem com a garantia de viagens pagas, os jo­vens aceitaram alistar-se. De Portugal foram uns cinco mil jovens. Um sucesso, ou um tremendo fiasco?

É o que eu digo: Não é de um papa cheio de medo e por isso resguardado por um inestético papamóvel com vidros à prova de bala, nem duma corte de car­deais vestidos ao jeito dos cortesãos do antigo imperador de Roma, que os jovens do século XXI têm fome. De quem eles têm fome é de Jesus de Nazaré, o Caminho, a Verdade e a Vida. E Jesus de Nazaré é o Homem que também eu, desde sempre, procuro conhecer, seguir e anunciar às pessoas. Prosseguirei nes­ta missão presbiteral. Longe dos tem­plos e dos altares. Como o próprio Je­sus fez no seu tempo e país.

Não falta quem me combata e tente desacreditar-me. Mas é por aqui que continuarei a ir. Venham então por mim até Macieira da Lixa. Ou chamem-me às vossas casas e às vossas mesas. Quan­do finalmente vemos Jesus com os olhos da consciência, logo nascemos de novo, do Alto, do seu Sopro. Ficamos nova criatura. Constituídos na liberda­de. E na Graça. E constituímo-nos em felizes militantes do Reino, como ele. Apareçam. Espero-vos.

2. Irmão Roger, de Taizé. A morte chegou para ele aos 90 anos. Pelas mãos duma esquizofrénica romana presente na oração que, por estes dias últimos, decorria no espaço habitual, com mais de 2 mil participantes, alguns dos quais portugueses. A mulher apro­xi­mou-se do monge em oração, munida duma faca e cortou-lhe mortalmente a garganta, sem que nenhum dos mais de 2 mil orantes presentes se desse con­ta. O alarme foi dado, minutos de­pois, quando algumas crianças que brin­cavam nas proximidades do monge caído no chão, viram o sangue a correr e começaram a chorar e a gritar.

Fico esmagado com o relato dos factos. E perplexo. A que Deus é que os monges da Comunidade Ecuménica de Taizé e os demais crentes cristãos que com eles se reúnem habitualmen­te se dirigem, para nenhum entre tan­tos se ter dado conta que uma sua irmã esquizofrénica andava a rondar o ir­mão Roger com uma faca na mão? Que tipo de oração é esta que acontece vá­rias vezes ao dia em Taizé, e que leva os orantes a permanecer de olhos fechados e alheios ao que se passa à sua volta? Ainda é o Deus vivo que se nos revelou definitivamente em Je­sus de Nazaré, como o Deus do Reino, o Deus comprometido com este mundo, com as grandes causas deste mundo e da Humanidade? Mas o Deus de Je­sus e do Reino fecha-nos os olhos, ou abre-nos os olhos? Faz-nos evadir des­te mundo e da História, ou mete-nos neste mundo e na História? É certo que houve sangue nesta oração e uma vi­da perdeu-se durante ela. Mas pode dizer-se que foi por causa de Deus e do seu Reino, ou por causa de um deus com tudo de ídolo, por isso, sem Reino e sem Mundo?

Fiquei abismado com a morte do Ir­mão Roger. Todo eu estremeci por den­tro, quando li a notícia, ao abrir a internet. Mas mais ainda, quando tomei conhecimento dos pormenores que a envolveram. Como é possível estar em oração e não ter seguido os movimen­tos e os passos duma irmã esquizofré­nica que também lá se encontrava, para a ajudar a defender-se da sua esquizo­frenia, de modo que esta não conse­guisse levá-la a consumar o assassina­to? Uma oração que nos isola das ir­mãs, dos irmãos, sobretudo, dos mais carentes de afecto e de auto-controlo, ainda é oração como a de Jesus? Ainda é o Espírito, o Sopro de Deus vivo a ma­ni­festar-se em nós? Não é sobretudo alie­nação, e da mais refinada? Não é uma oração conduzida por um outro sopro, que não o de Jesus?

Temo estar a ser muito injusto. Mas nem por isso posso deixar de partilhar aqui estas perguntas. Não quero julgar e muito menos condenar ninguém. Mas não posso deixar de partilhar todo este tipo de questões que o doloroso aconte­ci­mento fez despertar em mim. Creio que isto também é orar no Espírito de Jesus e com o Espírito. Contemplativas, contemplativos de olhos bem abertos é o que o Espírito de Deus vivo, o do Reino, procura. Jesus de Nazaré é o paradigma de contemplativos assim. Mesmo no Jardim das Oliveiras, en­quanto os três seleccionados por ele entre os Doze para orarem com ele dormiam, ele orava, mas de olhos bem abertos. E por isso pôde aperceber-se que quem o ia entregar já se aproxi­mava, na companhia de quem o ia prender. Tanto assim que foi logo ter com os três que dormiam e disse-lhes, determinado: “levantai-vos, vamos, que já se aproxima quem me vai entre­gar!” Orar de olhos bem abertos e para nos tornarmos pessoas de olhos ainda mais abertos, eis o que é decisivo para mudarmos de raiz esta Ordem mundial de trevas e de alienação que estupi­da­mente nos oprime e mata.

Vem, Senhor Jesus! Maranathá!


Meu caro Paulo

Caro Padre Mário: Li o seu artigo sobre o Irmão Roger, de Taizé, que muito me indignou. Só quem não quer abrir os olhos pode escrever tamanho disparate! O senhor começa por faltar à verdade: diz quem lá esteve que o alarme não foi dado minutos depois, como o senhor afirma, mas imediata­mente assim que se viu sangue. Ou seja, dizer “segundos depois” seria já exagerado! Talvez fosse importante que se informasse um pouco melhor antes de fazer comentários baseados em falsidades! E é exactamente porque algumas crianças estavam junto do Irmão Roger que ninguém se admirou ao ver uma senhora aproximar-se. Sim, porque parece que muitos viram a senhora aproximar-se... É normal, em si­tuações semelhantes, uma ou outra mãe aproximar-se dos seus filhos... E é exactamente porque o Irmão Roger se recusava a fechar os olhos aos ou­tros e procurava ser acolhedor que não era raro as pessoas aproximarem-se dele! Evidentemente que o que nin­guém viu foi a faca, que devia ir bem escondida. Talvez o senhor tenha ca­pa­cidades extraordinárias que lhe per­mitam identificar, no meio de duas mil pessoas, alguém com necessidade de “ajuda para se defender da sua esqui­zo­frenia”. Parece que de facto as duas mil pessoas que ali estavam não tive­ram capacidades como a sua e não puderam adivinhar as intenções dessa pessoa. Caso contrário teriam obvia­mente evitado a tragédia. No entanto, se a oração não lhes deu a capaci­dade para evitarem esse mal, parece que lhes deu a capacidade de “respon­der à violência com a paz”. Não será esse um sinal que indica que os seus olhos estavam bem abertos? A oração não suprime, por milagre, as dificulda­des da vida. Mas abre realmente os olhos a muitos, permitindo-lhes enfren­tar essas dificuldades no espírito das bem-aventuranças proclamadas por Je­sus de Nazaré. Parece que quem conhe­cia a senhora há muito tempo que a ten­tava ajudar. O senhor deve achar que deveriam ter feito mais... Família, amigos, vizinhos, pessoal médico, pessoas que tinham estado em contacto com ela, etc.: seriam todos cegos? Ou será que é o senhor que não consegue ver que um acto desta natureza era impensável? Como é fácil, para quem está longe, criticar de forma ligeira e superficial!

Paulo Barroso (um jovem que não tem medo de fechar os olhos em oração, procurando assim abrir o coração ao amor de Deus e às necessidades do próximo)

Meu caro Paulo

Acolho e agradeço os seus comen­tários ao meu apontamento teológico so­bre a morte do Irmão Roger. E convido-o a lê-lo de novo, mas agora com mais serenidade, menos preconceito e, sobretudo, com mais profundidade con­tem­plativa. O que o Texto pretende é in­troduzir-nos no Essencial. Quando deparamos com um dedo que aponta para a Lua, corremos o risco de nos perdermos em comentários sobre o dedo, em lugar de mergulharmos na Lua para onde o dedo aponta.

Saiba que se o nosso Deus for o de Jesus de Nazaré, só pode ser um Deus que tem tudo a ver com a Histó­ria, por isso, com a Economia e a Polí­tica; ou Ele não fosse, no dizer cultu­ral­mente situado de Jesus, o Deus do Reino. Crer nEle é comprometer-se com a História, do mesmo jeito que Je­sus se comprometeu, inclusive, sem sequer fugir ao confronto duélico com os Poderes de Opressão e de Morte que, em cada tempo e lugar, insistem em reter a Verdade cativa na injustiça.

Desconfie sempre de um líder es­pi­ritual, quando todos os outros líderes das mais distintas religiões e Igrejas di­zem bem dele. Foi o que sempre fi­zeram com os falsos profetas. Já sobre Jesus de Nazaré, em quem o Deus do Reino se reviu por inteiro e, por isso, no-lo apresentou como o seu Filho bem amado, para que o escutemos e siga­mos, o sumo sacerdote do seu tempo e país e todos os príncipes dos sacer­do­tes com ele, em uníssono com todos os teólogos do Templo de Jerusalém, far­taram-se de dizer o pior a respeito dele. Chegaram ao ponto de dizer pu­bli­camente que ele tinha um pacto com o Diabo e, por isso, tudo o que fazia e dizia era pelo poder do Diabo/Belzebú. E quando, algum tempo depois, tiveram de concluir que nem assim o desacre­ditavam diante do povo, coligaram-se todos contra ele e mataram-no na Cruz, para que toda a gente passasse a olhar para ele como um maldito. Pense nisto.

Fico feliz por ter reagido com toda a frontalidade e sinceridade ao meu apontamento teológico sobre a morte do Irmão Roger. Vejo que lhe causei al­gum mal-estar e um certo nervosismo. Mas não me lamento, antes me alegro. E agora o que mais lhe peço é que não se deixe enredar nas minhas pala­vras. Pelo contrário, abra-se ao Deus Vivo e completamente outro, para quem o meu apontamento teológico, muito tosco, certamente, aponta. Deixe-O entrar na sua vida, assim como ao seu Sopro ou Espírito. E quem sabe se o seu viver não virá a ser também como o de Jesus, neste nosso hoje e aqui. Se sim, então a minha alegria seria completa.

Creia-me seu irmão. E fique com o meu abraço. Mário


LIVROS DO TRIMESTRE

Editorial Trotta / Jacques Le Goff

O Deus da Idade Média

Conversas com Jean-Luc Pouthier

"Como é que os homens e as mulheres da Idade Média imaginavam Deus? Que relação mantinham com ele? Este é o tema, amplo e muito preciso, destas conversas." O livro tem apenas 75 páginas. Mas são preciosas. De leitura indispensável.

"Não vacilamos em dizer que exis­te para o historiador, e por conseguin­te no saber humano, uma história de Deus. Esta história esboça-se também nestas conversas, com um respeito abso­luto pelas crenças."

Neste livro, Jacques Le Goff, consi­de­rado um dos maiores especialistas em Idade Média, aceitou manter quatro conversas com Jean-Luc Pouthier. E o resultado é deveras surpreendente, para não dizer, perturbador. "De que Deus se trata?", é o tema da primeira conversa. Os outros três temas são: "Duas figuras fundamentais: o Espírito Santo e a Virgem Maria"; "A sociedade medieval e Deus"; e "Deus na cultura medieval".

"A Antiguidade tardia - diz o autor logo a abrir a primeira conversa - é o período em que o Deus dos cristãos se converte no único Deus do Império romano. Este Deus é um deus orien­tal, que consegue impor-se no Oci­dente. Os primeiros grupos de cristãos desenvolveram-se um pouco à maneira duma seita que realiza conquistas e cujo número de membros aumen­ta. E estes grupos foram favorecidos, nos séculos II e III, pelo interesse ca­da vez maior pe­las divindades e pelos cultos salví­ficos; cultos de te­rapeutas que cui­dam ao mesmo tem­po das doen­ças do corpo, da alma, e da existên­cia huma­na. Na­que­la época agi­ta­da, o deus Es­cu­lá­pio, por exemplo, adquire uma grande importância no meio militar. Os exércitos romanos, que irão combater até aos confins da Pérsia, têm contacto também com o culto de Mitra." Conclusão: a religião romana tinha cada vez menos adeptos. E o próprio imperador Constantino, no século IV, acabou por aderir ao Deus dos cristãos, "do qual esperava a sua salvação e a do império". E "menos de um século depois, em 392, Teodósio faz do cristianismo a religião do Estado".

É com esta clareza de pontos de vista que Jacques Le Goff conversa. E quando lhe é perguntado se os cultos pagãos não resistiram ao "assalto" do Deus cristão, ele responde: "A resistên­cia da religião pagã greco-romana foi muito limitada. Quase só nas elites intelectuais". Ainda assim refere uma reacção, no século V, liderada por um tal Símaco. Uma resistência que tinha a ver com práticas ligadas à magia e que se traduzia no culto às árvores ou às fontes, o qual se manteve, mais ou me­nos encoberto, durante toda a Idade Mé­dia, particularmente, nas áreas ru­rais que constituíam cerca de 90 por cento da população.

Sal Terrae / Andrés Torres Queiruga

Esperança, apesar do mal

A ressurreição como horizonte

Não tivesse havido o convite da Conferência Episcopal da Colômbia ao eminente teólogo A. Torres Queiruga (nunca a Conferência Episcopal de Espanha foi capaz de tal, pelo contrário, continua  ostensivamente a ignorar o trabalho do teólogo galego!) para que fosse proferir três conferências no congresso anual organizado por ela, e este livro não teria nascido. E seria um prejuízo para as Igrejas e para as sociedades. Nas suas 141 páginas, há teologia cristã jesuânica bem à altura destes nossos tempos de pós-Modernidade. Por isso não o percam.

Como facilmente se depreende, o livro tem três capítulos: 1." Elpidologia: A esperança como existenciário huma­no" (no final do capítulo, o autor acres­centou-lhe um "Excursus" com o título: "A «saudade», entre a angústia e a es­pe­ran­ça"); 2. "A estrutura fundamental da esperança bíblica"; 3. "A realização da esperança: o mal a partir da cruz e da ressurreição".

É neste terceiro capítulo que en­con­tramos, logo no início esta constata­ção: "Porém, o mal continua a ser a pre­­sen­ça terrível que ameaça denunci­ar como mero idealismo toda essa ver­­são (da esperança que se apoia num Deus que cria por amor). Se a ameaça não se esconjura, se não con­seguimos mostrar que a sua sombra inquietante não é capaz de eclipsar com­pletamente a luz da esperança, to­do o discurso ficará em suspenso, e a «me­nina espe­ran­ça», como lhe cha­mava Charles Pé­guy, esconder-se-á angustiada e não se­rá capaz de con­tinuar a susten­tar suas irmãs, a fé e a caridade. E na co­mum procura huma­na por um horizon­te último de senti­do, o cristianismo não terá nada ver­da­dei­ramente origi­nal que oferecer. O mal continuará a criar esse vazio obs­curo que so­luções parciais, sempre a­me­a­çadas de naufrágio na renúncia a todo o sentido, ou despedaçadas contra os terríveis rochedos da morte indivi­dual inevitável e da injustiça irrepará­vel em vão tentam preencher." E Quei­ruga sublinha, quase já sem fôlego: "O desafio é total, e com a entrada no âm­bi­to minado da actual cultura crítica con­verteu-se literalmente em aposta de vida ou de morte para uma fé que pre­tenda «dar razão» de si própria com ho­nestidade e rigor."

Rigor e honestidade, eis do que se trata, fundamentalmente, nestes tempos que são os nossos. Quer isto di­zer que as respostas avançadas pe­los velhos catecismos das Igrejas já não servem para as mulheres, os homens destes tempos que os nossos. Infeliz­men­te, são ainda essas velhas respos­tas que as Igrejas têm para oferecer. Por isso, arriscam-se a ficar a falar sozi­nhas, à medida que os seres humanos se desenvolvem e se "fazem" pelos da­dos que a Ciência apresenta.

Andrés Torres Queiruga continua aí a mostrar que não está disposto a ser um mero repetidor des­sas ve­lhas respostas que não interes­sam mais e, à medida que avançamos no tempo, cada vez interessarão me­nos. E prosse­gue, na reflexão e investigação teoló­gicas, como quem vê o Invisível. Deve­ria ser estimulado e apoiado pela Igre­ja, desde a base ao topo. Mas não é isso que acontece, pelo menos, no topo. Não será isto pecado mortal?

Setecaminhos / Viriato Teles

Contas à vida

Histórias do tempo que passa

A fotografia  da capa é que nos diz que estamos perante um livro em que se fala de Abril e do respectivo dia 25, que já lá vai. E a apresentação começa logo por nos convidar a "Esquecer Abril", porque é urgente reinventar outra festa de libertação que vá muito mais à raiz do povo que somos. Ao todo, são 20 entrevistas com outros tantos entrevistados, elas e eles. Entre os quais se conta o nosso director, Pe. Mário. Ainda não leu? Nem sabia? Mas que distraídas, distraídos que andamos!...

"Alberto Pimenta, Alice Vieira, Antó­nio Pinho Vargas, Baptista-Bastos, Ed­mundo Pedro, Fausto Bordalo Dias, Fer­nando Relvas, Francisco Louçã, Isa­bel do Carmo, João Soares, José Mário Branco, José Medeiros, Luís Filipe Cos­ta, Maria Teresa Horta, Manuel Frei­re, Mário Alberto, Mário de Oliveira, O­de­te Santos, Otelo Saraiva de Carvalho, Vasco Gonçalves. Foram estes os entrevistados, e estiveram para ser mais, mas não sei se poderiam ser outros. (...). Os vinte que aqui juntei são in­ques­tionável e reconhecidamente dos mais dignos praticantes dos ofícios a que cada um se entregou. A maior parte deles são também, para além disso, meus amigos, mas não foi esse o crité­rio que me levou a convidá-los para a conversa: foi mesmo porque sabem do que falam, e falam sem medo - o que só aparentemente é coisa de some­nos." Assim escreve o autor do livro, Viriato Teles, um jo­vem, quando a ma­dru­gada do 25 de Abril 74 rebentou em festa de liberda­de nas ruas do pa­ís, até então amor­da­çado pela Pide, pelo Regime e pelos eclesiásticos cató­licos, mai-lo seu mo­ra­lismo de ter­ror.

"Neste momen­to - começa por con­fessar Baptista-Bastos - a minha perspectiva é particularmente pessimis­ta porque a extrema-direita está a ocu­par o espaço cultural que habitual­men­te pertencia à esquerda, nos jornais e, também nas televisões, em particular na RTP 2. Isso significa que a esquerda não tem tido resposta para isto, e a di­reita cavalga tranquilamente."

Já para José Mário Branco, "o que é perigoso para o sistema são as dúvi­das. Se fosse ao sistema tinha mais me­do das dúvidas do que das certezas."

E o que diz Maria Teresa Horta? " "Te­mos de lutar pelo nosso sonho. E o meu grande sonho é de liberdade para os homens e para as mulheres. E portanto sou feminista, porque não gosto de um mundo em que uns têm di­reito a umas coisas e outros têm di­reito a outras, em que uns são mais iguais do que outros..."

Das muitas perguntas que foram for­muladas ao "nosso" Pe. Mário, uma, inevitável, foi sobre Fátima. "Fátima foi uma fraude?". A resposta saiu-lhe cor­tante: "Fátima foi uma fraude. E conti­nua a ser uma fraude. As chamadas a­pa­rições da senhora de Fátima são o que há de, cultural e teologicamente, mais parolo e parvo no nosso país. São o obscurantismo em acção. São o exem­plo mais acabado do Portugal de pe­queninos e de analfabetos que o ca­to­licismo português produziu, em união com monarquia, desde a fundação."

Editorial Trotta / E. Dussel e Karl-Otto Apel

Ética do discurso

Ética da libertação

Os textos dos dois conhecidos filósofos que integram este volume de 400 páginas, densas e de assimilação (quase) só acessível a pessoas com formação filosófica, começaram por ser comunicações proferidas em diversos encontros-debate, ocorridos entre 1989 e 2002. Se é uma das pessoas com bases académicas para entender tão douto pensamento, corra por este livro. É do que há de melhor do pensamento humano associado à ética.

O livro é precedido por dois  ensai­os de algumas páginas, respectivamen­te, de Hans Schelkshorn e María Arán­zazu Hernández Piñero, titulados "Dis­cur­so e libertação" e "O debate entre ética do discurso e ética da libertação".

"A ética do discurso - pode ler-se no primeiro ensaio -  desenvolvida por Jür­gen Habermas e Karl-Otto Apel e a ética da libertação de Enrique Dussel alcançaram um desenvolvimento sufici­ente a partir dos contextos políticos dos quais surgiram. As apaixonadas discus­sões que provocaram confirmam a sua posição significativa. A ética do discurso continua a tradição europeia da moral universal num nível crítico, integrando as duas correntes da Ilustração pelas quais passou a história europeia. A filo­sofia da libertação latino-americana, por sua parte, marca o clima temporal de um desenvolvimento para um pen­sa­mento latino-americano genuí­no. Os primeiros impulsos, embora falidos, desse de­sen­volvimento, re­pou­sam nos movi­mentos filosóficos nos tempos da in­dependência das co­lónias latino-ame­ricanas no sé­culo XIX."

Por sua vez, o segundo ensaio, sob a forma de in­tro­dução ao livro, abre assim: "O diálogo entre a ética dis­cursiva apeliana e a filosofia dus­seliana da libertação (enquanto ética da libertação) tem início no ano de 1989 em Friburgo (Alemanha), por oca­sião de um encontro hispano-ger­mano organizado por Raúl Fornet-Be­tan­court, sob o título «Fundamentação da ética na Alemanha e na América Latina», ao qual assistiram K-O Apel e E. Dussel e outros cinquenta acadé­mi­cos mais que participaram activamente. (...) Desde o início tornam-se presentes os eixos temáticos em torno dos quais a discussão irá girar. Entre eles, apon­to: a) a pertinência ou não do recurso ao pensamento de Marx, e b) a signifi­cação do problema da interpelação do Outro, que abre os horizontes dos as­pectos material e crítico da ética peran­te o enfoque formal da pragmática trans­cendental, dentro da discussão pré­via e metodológica desta acerca da possibilidade duma fundamentação do (ou dos) princípio(s) da ética. Sob estes eixos vão-se desenvolvendo novos as­pe­ctos do debate. Antes, porém, darei conta das posições iniciais de ambos os autores, antes de entrarem em diá­lo­go e, depois, sucintamente, também do conteúdo de cada encontro".

Eis. Como vêem, é para pessoas preparadas e interessadas na temática.


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Daqui a cem anos…

Frei Betto

Daqui a cem anos não serei de mim. Minhas cinzas, o punhado que restar da cremação, já estarão integradas ao útero fértil da terra. Da minha obra, talvez figure não mais que um ou dois livros, num catálogo de alfarrábios. Nos arquivos de um convento, um frade curioso saberá que um dia o precedi nas sendas de São Domingos. E não mais.

A ideia da imortalidade pesa-me como fardo ridículo de vaidade póstuma. Que importância têm os aplausos depois que os actores deixam o teatro? A notoriedade não me adula. Mineiro, curto a discrição, poder parar anónimo numa esquina, misturar-me à multidão, entregar-me à leitura na fila sem merecer o olhar invasivo de quem se me avizinha. Bastam-me as letras a desnudar-me frente ao leitor, e a fé de que me aguarda um fim infindo. Quero o colo de Deus. E não mais. Porque o verdadeiro amor sempre é terno.

Sinto-me um grão de areia ao meditar no acúmulo de séculos soterrados pelo passado e a desdobrar-se em futuro, antes que a nossa estrela-mãe queime em brilhos todo o seu combustível, calcinando este planeta pintado de azul e verde. Agora sou um entre mais de 6 mil milhões. Como é possível caber tanta pretensão em tão diminuta pequenez? Por que o coração se infla de ambições, a mente transtorna-se retorcida pelo egoísmo, as mãos se apegam ciosas a objectos destituídos de vida? Para quê essa sofreguidão insana, a corrida contra o relógio, a irrefreável gula frente ao mundo circundante?

Desacelero. Fecho os olhos para ver melhor. A meditação afasta-me de mim mesmo, devolve-me àquele Outro que não sou eu e, no entanto, funda a minha verdadeira identidade. Assenta toda a poeira que me asfixia na azáfama quotidiana. Renova o meu oxigénio espiritual. Revolve esse canteiro que trago no mais íntimo de mim, sempre à espera da inefável semente divina.

Em Setembro de 2105 terá sido inútil toda a minha pressa. Essa voracidade d’alma será apenas um definitivo silêncio no tempo. Estarei emudecido pela deslembrança. Não colherei as flores da primavera, nem ouvirei o som da flauta que embala minhas manhãs orantes. Transmutado no ciclo implacável da natureza, serei o que já fui: multidão de bactérias, húmus de um caule que brota, alimento de um pássaro.

Tenho 15 mil milhões de anos. Sei que, como toda a matéria, comungo a perene transubstanciação de todas as coisas criadas. Existo, coexisto e subsisto em Universo, não em pluriverso. Dentro de poucos anos, serei tragado pelo ritmo da entropia, e minhas células se condensarão em moléculas integradas no baile alquímico da evolução. De novo, serei um com o todo. O oceano não é mais do que a interacção de pingos d’água.

Essa certeza recata-me ansiedades. Volto a mim mesmo, ao recôndito do espírito, atento à delicadeza da vida. Tudo é liturgia, basta ter olhos para crer: o pão sobre a mesa, a água derramada no copo, a janela assediada pelo vento, a roda pétrea do amolador de facas, a vela consumindo-se de luz junto ao sacrário, o cheiro doce de manga, o mistério do momento exacto em que o sono me sequestra, a foto de meu pai na estante de livros, o grito alegre de uma criança que talvez colha em vida Setembro de 2105.

O melhor da existência são as contas do seu colar, as diminutas miçangas que formam belos desenhos, os cacos do vitral. A conversa inconsútil com os amigos, a língua perfumada pelo vinho, os salmos de Adélia Prado, a sesta de domingo, a inveja dos velhos jogando dama na praça, o gesto de carinho, o cuidado solidário.

Daqui a cem anos, quando Setembro vier, o mundo estará, como sempre, entregue a si mesmo, porém sem o concurso de minhas ambições, pretensões e inquietações.

Meditar no futuro aquieta-me. Impregna-me de um profundo sentimento de desimportância.


LIVROS DO TRIMESTRE

Dia 23 Outubro, em S. Pedro da Cova

4.º Encontro de Espiritualidade

O 4.º Encontro de Espiritualidade com o ateísmo em fundo está marcado para domingo, 23 de Outubro 2005, na casa-sede do Jornal Fraternizar

entre as 10h e as 17. O almoço é eucarístico, com o que cada qual confeccionar e levar para Partilhar na Mesa Comum.

A Sopa de legumes será confeccionada pela Associação.

Tema em reflexão e debate: O livro O Outro Evangelho Segundo Jesus Cristo, do Pe. Mário. Anote na sua agenda. E apareça com a sua alegria.


Associação As Formigas de Macieira (da Lixa)

Barracão de Cultura

Pelo andar da carruagem, tudo indica que o início da construção do Barracão de Cultura, da Associação Cultural e Recreativa AS FORMIGAS DE MACIEIRA, poderá acontecer ainda este ano, o mais tardar, no início de 2006.Já existe projecto apro­va­do, autorização da Câmara Municipal para levantar, a custo ze­ro, a licença ou Alvará de Construção, e engenheiro para acom­panhar/inspeccionar o andamento das obras. Depois que for contratado o empreiteiro, é só levantar a Licença e iniciar os trabalhos. Para já, o propósito da Associação é erguer to­­da a obra em grosso, cobertura incluída. Ficará muito bonito!

O dinheiro disponível é que continua a ser pouco.

Se acredita que pela cultura é que vamos, ajude-nos.

NIB da Associação (CGD): 003503090003991793035



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