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Textos do
Jornal Fraternizar- |
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| Edição nº 154, de Julho/Setembro 2004 (Continuação) | ||||||||||||||||||||
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Igreja/Sociedade Concordata católico-fascista de 1940 continua aí reciclada Deveria ter acabado de vez. Até porque entretanto já foi aprovada e está em vigor a Lei sobre a Liberdade religiosa que regulamenta a vida de todas as Igrejas existentes no nosso país. Em vez disso, a Concordata católico-fascista de 1940 continua aí. Reciclada. Por sinal, bastante mal reciclada. É bem a expressão do país que hoje somos e da Igreja católica que hoje temos em Portugal. Um país sem liderança. Sem competência. Sem alegria. Sem política decente. E uma Igreja católica sem profecia. Sem carisma. Sem presença politicamente maiêutica. Sem Fé vivida ao jeito de Jesus de Nazaré. Sobretudo, sem causas históricas que actualizem a do Reino/Reinado de Deus que tanto fez andar Jesus, nas terras da Palestina, e que mereçam a entrega da nossa própria vida, hoje, como ele entregou a sua, outrora. Numa palavra, esta Concordata reciclada é bem a expressão dum país e duma Igreja confrangedoramente caídos na idolatria e no paganismo. Já nem os sucessivos êxitos do FC do Porto chegam para levantar o moral do país. E nem as sucessivas peregrinações de milhares de pessoas a Fátima, nem as sucessivas fornadas de beatificações e canonizações que o actual papa incontroladamente leva por diante conseguem levantar o moral da Igreja católica em Portugal. Tanto aqueles como estas acabam até por ser experimentados pela população portuguesa como outros tantos momentos mais do enorme desconforto que há anos nos persegue e nos deprime. No que diz respeito ao país e às vitórias do FC do Porto, os jogadores e o respectivo treinador ganharam balúrdios (em comparação com o treinador, quanto terá ganho também o presidente do Clube?!), mas a verdade é que, enquanto isso aconteceu, milhares e milhares de portugueses perderam o seu mísero posto de trabalho e, consequentemente, a vida das respectivas famílias entrou em colapso e em desespero. Só por ironia nos podemos alegrar, ao ver os estádios cheios, mesmo em dias de semana, pois tal só é possível porque, neste momento, são centenas de milhar os desempregados no país. E centenas de milhar os reformados, cuja reforma não dá para mandar tocar um cego. Nem a campanha eleitoral para a Europa que entretanto, se iniciou e concluiu, conseguiu animar o país. Muito menos animou a Igreja católica em Portugal, ao que se sabe, demasiado ocupada com o cuidado dos altares e das missas pelos mortos, como se a política fosse coisa do demo, e não de Deus. Os candidatos, malcriados q.b., pelo menos, da banda da chamada coligação, mais pareceram bonecos animados que se passearam pelas feiras e por algumas ruas das grandes cidades, a repetir gestos do passado que já não dizem nada no presente. Também fizeram lembrar aqueles grupos católicos que hoje ainda se comportam como se os tempos continuassem a ser rurais, e por isso no dia de Páscoa lá vão de opas vermelhas, ruas e caminhos fora, como palhaços a fingir alegria a jorros. Vão tão alienados, que nem se dão conta da contradição viva que são. Dizem que vão anunciar a ressurreição do crucificado, mas a imagem que exibem continua a ser a do crucificado pregado numa cruz. Como quem grita aos quatro ventos que tudo aquilo que a Igreja faz é mentira. É faz-de-conta. Triste. Ritual. Sem novidade. O mesmo se diga do país que somos. É um país cheio de oportunistas. Com minorias espertalhonas à cata de mais e mais mordomias. Sem nenhum amor ao próximo. Sem nenhum amor aos pobres. É um país sem um laivo de espiritualidade. Sem tempo nem disposição para ler um livro. A sonhar apenas com êxitos fáceis. E com mais e mais privilégios. Como alguns dos que a Concordata reciclada de 2004 insiste em consagrar e garantir, tanto ao Estado português, como à Igreja católica que aqui está. Mas muito pior do que o texto da Concordata agora reciclada, ainda é a situação de nacional mancebia político-católica que nestes dias se vive descaradamente em Portugal. Sob a batuta governamental da dupla Paulo Portas/Durão Barroso e a completa indiferença do país popular e mesmo intelectual. Quem então nos há-de livrar de toda esta indignidade nacional que vai muito para além da letra da Concordata agora reciclada? Dos 33 artigos que completam a “nova” Concordata de 2004, Jornal Fraternizar permite-se transcrever o artigo 26, respeitante aos bens da Igreja católica. Leiam esta prosa e digam lá se uma Igreja que aceita viver instalada nestes privilégios, relativamente a outras instituições e associações culturais e recreativas, alguma vez pode viver a liberdade para a qual Jesus Cristo nos libertou. É óbvio que, na hora de ter que enfrentar o Poder, ela escolherá as palavras e os modos de o fazer, para nunca cair em desgraça perante ele e, desse modo, nunca pôr em perigo todos estes privilégios de ordem material. Por outro lado, com que cara pode a Igreja católica em Portugal entrar em cheio na luta pela plena cidadania das portuguesas, dos portugueses, no que respeita ao cumprimento do pagamento das contribuições e impostos que forem achados justos, se ela é a primeira a ficar isenta desse pagamento, não porque se reconhece que é manifestamente pobre e não tem ouro nem prata para dar, mas apenas porque é a todo-poderosa Igreja católica? Leiam, pois, com atenção o artigo 26. E releiam-no, se for caso disso. Depois, pasmem! Como pode uma Igreja como a católica, que se arroga de discípula de Jesus e de estar ao serviço do Reino/Reinado de Deus, aceitar todo este rol de privilégios de natureza económica e financeira? “Artigo 26 1. A Santa Sé, a Conferência Episcopal Portuguesa, as dioceses e demais jurisdições eclesiásticas, bem como outras pessoas jurídicas canónicas constituídas pelas competentes autoridades eclesiásticas para a prossecução de fins religiosos, desde que lhes tenha sido reconhecida personalidade civil nos termos dos artigos 9 e 10, não estão sujeitas a qualquer imposto sobre: a) As prestações dos crentes para o exercício do culto e ritos; b) Os donativos para a realização dos seus fins religiosos; c) O resultado das colectas públicas com fins religiosos; d) A distribuição gratuita de publicações com declarações, avisos ou instruções religiosas e sua afixação nos lugares de culto. 2. A Santa Sé, a Conferência Episcopal Portuguesa, as dioceses e demais jurisdições eclesiásticas, bem como outras pessoas jurídicas canónicas constituídas pelas competentes autoridades eclesiásticas para a prossecução de fins religiosos, às quais tenha sido reconhecida personalidade civil nos termos dos artigos 9 e 10, estão isentas de qualquer imposto ou contribuição geral, regional ou local, sobre: a) Os lugares de culto ou outros prédios ou parte deles directamente destinados à realização de fins religiosos; b) As instalações de apoio directo e exclusivo às actividades com fins religiosos; c) Os seminários ou quaisquer estabelecimentos destinados à formação eclesiástica ou ao ensino da religião católica; d) As dependências ou anexos dos prédios descritos nas alíneas a) a c) a uso de instituições particulares de solidariedade social; e) Os jardins e logradouros dos prédios descritos nas alíneas a) a d) desde que não estejam destinados a fins lucrativos; f) Os bens móveis de carácter religioso, integrados nos imóveis referidos nas alíneas anteriores ou que deles sejam acessórios. 3. A Santa Sé, a Conferência Episcopal Portuguesa, as dioceses e demais jurisdições eclesiásticas, bem como outras pessoas jurídicas canónicas constituídas pejas competentes autoridades eclesiásticas para a prossecução de fins religiosos, desde que lhes tenha sido reconhecida personalidade civil nos termos dos artigos 9 e 10, estão isentas do imposto de selo e de todos os impostos sobre a transmissão de bens que incidam sobre: a) Aquisições onerosas de bens imóveis para fins religiosos; b) Quaisquer aquisições a título gratuito de bens para fins religiosos; c) Actos de instituição de fundações, uma vez inscritas no competente registo do Estado nos termos do artº 10. 4. A autoridade eclesiástica responsável pelas verbas que forem destinadas à Igreja Católica, nos termos do artigo seguinte, está isenta de qualquer imposto sobre essa fonte de rendimento. 5. As pessoas jurídicas canónicas, referidas nos números anteriores, quando também desenvolvam actividades com fins diversos dos religiosos, assim considerados pelo direito português, como, entre outros, os de solidariedade social, de educação e cultura, além dos comerciais e lucrativos, ficam sujeitas ao regime fiscal aplicável à respectiva actividade. 6. A República Portuguesa assegura que os donativos feitos às pessoas jurídicas canónicas, referidas nos números anteriores, às quais tenha sido reconhecida personalidade civil nos termos desta Concordata, produzem o efeito tributário de dedução à colecta, nos termos e limites do direito português.” Como se vê, apenas o n.º 5 deste artigo 26 não isenta do regime fiscal as instituições da Igreja católica que buscam “fins diversos dos religiosos”, concretamente, “os de solidariedade social, de educação e cultura, além dos comerciais e lucrativos”. Deste modo, o vastíssimo património da Igreja, casas paroquiais, templos e capelas, catedrais, paços episcopais, seminários, conventos de frades e de freiras, o santuário de Fátima e todo o movimento de dinheiro que por lá acontece, as ofertas dos fiéis e todo o outro património eclesiástico não têm que pagar impostos ao Estado. E, se algum daqueles edifícios eclesiásticos tiver sido declarado “monumento nacional”, ainda é o Estado que tem que se chegar à frente, quando forem necessárias obras de conservação e de restauro, geralmente, muito dispendiosas. É o que reza o Artigo 22, parágrafo 1: ”Os imóveis que, nos termos do artigo VI da Concordata de 7 de Maio de 1940, estavam ou tenham sido classificados como «monumentos nacionais» ou como de «interesse público» continuam com afectação permanente ao serviço da Igreja. Ao Estado cabe a sua conservação, reparação e restauro de harmonia com plano estabelecido de acordo com a autoridade eclesiástica, para evitar perturbações no serviço religioso; à Igreja incumbe a sua guarda e regime interno, designadamente no que respeita ao horário de visitas, na direcção das quais poderá intervir um funcionário nomeado pelo Estado.” Secretismo E que dizer do secretismo que rodeou a gestação e o parto da nova Concordata 2004? Tudo aconteceu como se as cidadãs e os cidadãos, as católicas e os católicos fôssemos ovelhas e carneiros, a quem nem os governantes nem os bispos têm que dar quaisquer satisfações. Tudo se fez nas nossas costas. Mas o mais impressionante ainda é constatar que, mesmo assim, depois de todo este desprezo pelas pessoas, ninguém no país e na Igreja católica quis saber, ninguém protestou, ninguém se indignou. Também por isso se diz aqui que esta Concordata 2004 é bem a expressão do país que hoje somos e da Igreja católica que hoje temos em Portugal. Surpreendente, também, está a ser o comportamento das restantes Igrejas que actuam no nosso país. Duma maneira geral, aceitaram o facto consumado da Concordata reciclada. Como já auferem alguns dos privilégios que dantes eram exclusivo da Igreja católica a Lei da Liberdade religiosa abriu-lhes essa porta já se dão por satisfeitas e agradecidas. E todas elas ficaram como “cães mudos”, perante o Estado e o empório do Vaticano. Às populações compete interrogar-se perante comportamentos eclesiais assim. Concretamente: para que servem Igrejas tão acomodadas como as que actuam entre nós? E para que servem os seus líderes, se têm mais faro de mercenário do que de pastor; e se são líderes para usufruir privilégios, quando deveriam servir desinteressadamente as pessoas?
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DR. MANUEL REIS, NA APRESENTAÇÃO DO LIVRO DO PE. MÁRIO Jesuanismo e Cristianismo em confronto A sessão de lançamento do último livro do Pe. Mário, Ouvistes o que foi dito aos antigos. EU, PORÉM, DIGO-VOS, decorreu, na tarde do dia 5 de Junho passado, em plena Feira do Livro do Porto. Sobre o livro falaram dois convidados e amigos do autor, respectivamente, João Teixeira Lopes, deputado do Bloco de Esquerda pelo Círculo do Porto, e Prof. Dr. Manuel Reis, actualmente a residir em Guimarães. Na impossibilidade de reproduzirmos as palavras do primeiro interveniente, que falou a partir de tópicos, deixamos aqui o principal da extensa (17 pp. A4) e altamente erudita comunicação do Dr. Manuel Reis, na qual o mestre pôs em confronto Jesuanismo e Cristianismo. O Pe. Mário nasceu em 1937; eu em 1936. As nossas trajectórias de vida foram muito semelhantes. Em nome de uma Identidade pessoal conquistada a pulso (socraticamente!...), a Igreja católica romana viu-se forçada a irradiar-nos do seu seio, movida por uma força extrínseca (demoníaca) que já se havia constituído, desde há muito, na sua “pseudo-consciência interna”. Mas o nosso percurso foi feito em nome da fidelidade ao Evangelho de Jesus. O Mário, conheci-o pessoalmente no nosso primeiro encontro de Maio-Junho de 1969, num pequeno restaurante em Macieira da Lixa, onde ele era pároco. Eu tinha ido à Cooperativa “Confronto” fazer uma conferência sobre Cristianismo e Marxismo. Aí encontrei o Manuel Serra, que tinha saído da prisão, na véspera. Resolvemos, depois, ir até Macieira da Lixa, fazer uma visita ao Mário, que estava a ser julgado no Tribunal Plenário do Porto. Encontrámo-lo bem disposto e confiante. O Padre Mário (eu não gosto, pessoalmente, de lhe atribuir este epíteto; mas ele aprecia-o e usa-o nas suas escritas…) é autor de mais de uma vintena de livros e opúsculos, onde avulta, sem dúvida, o “Fátima nunca mais”. São, todos eles, saudavelmente escritos polémicos, de combate e ruptura, de fidelidade ao Evangelho e amor indesmentível a Jesus de Nazaré e à Humanidade, pela qual todos nós nos devemos bater sem tréguas. Mário de Oliveira é fundador e director do bem conhecido “Jornal Fraternizar”, desde há pelo 16 anos, se bem me recordo: uma publicação periódica, que tem congregado e estimulado muitos cristãos/católicos progressistas e, ao mesmo tempo, como não podia deixar de ser, perturbado e abalado gente conservadora e agarrada às ortodoxias e às dogmáticas do passado. Oh!, o Concílio Vaticano II/1961-65!... Como foi decisivo, para as nossas trajectórias pessoais, e para todo o Mundo Cristão e o Ocidente!... Mas como tem sido contrariado e reduzido a pó pelo pontificado de João Paulo II, que leva já um quarto de século!... Aprecio muito a vida e a obra do Padre Mário de Oliveira. Todavia, se me perguntarem se estou a 100% com os seus escritos e o seu pensamento, eu terei de responder que não. Mas isso só nos enobrece e fecunda o diálogo entre os dois. O princípio de Identidade é dual: na sua dinâmica tensional, ele tem uma vertente de busca da Identidade (identidade-pessoal) mas, simultaneamente, ele tem de jogar com as situações e os aspectos da contradição, em demanda da Não-contradição e da Identidade. É neste jogo prismático que o perfil do Mário se foi definindo, caracterizando e afirmando. Impôs-se, desde logo, ao seu carácter pessoal, ser diferente dos outros padres, diferente do tipo tradicional do padre-eclesiástico, já na sua condição de capelão-militar, já como padre diocesano, vinculado à diocese do Porto. Que é que o impelia a ser diferente do padrão tradicional dos eclesiásticos? O imperativo categórico de imitar e ser parecido com Jesus, o Jesus da Boa-Nova para a Libertação-Emancipação radical dos Indivíduos e dos Povos. É, seguramente, a esta luz que ele plasma e configura o seu modelo próprio de padre/presbítero das ekklesias, supostamente inspiradas em Jesus, segundo os textos do Novo Testamento, e, no seu caso concreto, da Igreja (cristã/católica) que está no Porto. A este propósito, leiam-se atentamente os dois parágrafos das pp. 7-8, do livro em referência. (…) Além disso, Mário de Oliveira está atento e vigilante para a necessidade de um dizer-fazer crítico sobre a religião e tudo quanto lhe diga respeito, para o imperativo de desmascarar a religião, “que sempre se tem feito passar pelo que de melhor as pessoas e os povos realizam, quando, afinal, não passa de pura idolatria encapotada e de culto/cultivo do medo, quando é frequentada pelas maiorias empobrecidas e oprimidas, de culto(cultivo da hipocrisia, quando é frequentada pelas minorias privilegiadas e poderosas” (p. 11). E, na página seguinte, depois de resumir a sua odisseia ou via-sacra, ele assegura à puridade: “É por demais manifesto que sou um padre/presbítero muito diferente da generalidade dos padres/presbíteros conhecidos pelos antigos. Não digo que sou melhor nem pior. Sou diferente”. É óbvio que é muito, muitíssimo diferente. Eu só me pergunto (pelo que a mim me concerne) se os novos, em contraste com os antigos, a Nova Aliança em contraste com a Antiga, ainda carece de padres/presbíteros!... É que, à luz do Evangelho de Jesus, toda a institucionalização da religião é mortífera, a curto, a médio e a longo prazos. Quando Marx afirmou o apotegma “a religião é o ópio do povo”, ele esqueceu-se de acrescentar o adjectivo institucionalizada!... A religião institucionalizada, enquanto tal, por conseguinte, é que é, efectiva e verdadeiramente, o ópio do povo; e, nessa óptica, não faltava razão a Nietzsche, quando afirmava que o Cristianismo (histórico e doutrinal) não passa de um Platonismo para o povo. Certamente que o Padre Mário de Oliveira já não se surpreendeu ao verificar que o seu nome havia sido retirado, arbitrariamente, ou seja, sem explicação nem audição/argumentação da outra parte, do “Anuário Católico de Portugal” (p. 141). Possivelmente, a mando directo do próprio bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes. Mário de Oliveira sabia dos cognomes que lhe eram atribuídos na diocese: “maldito”, “o crítico”, este segundo, ao que parece, pela mão do próprio “Ordinarius Loci”, patenteado na homilia da Festa de Pentecostes de 1976. Na p. 340 do livro “Profecia e Liberdade em D. António Ferreira Gomes” (pp. 141-2), há uma passagem da referida homilia, que Mário de Oliveira recorda e transcreve, com toda a pertinência. Socorrendo-se do então muito célebre livro de Herbert Marcuse, “o Homem Unidimensional”, o bispo (cometendo um erro de paralogismo semelhante à presença do nome de Pilatos no Credo cristão…), procura censurar o que entende por unidimensionalismo cristão. E fazendo alusão a “o crítico”, (como acontecia em documentos político-societários na Idade Média) fá-lo nos termos seguintes (p. 142): “Pois não se chegou ao ponto de recusar-se total e liminarmente a Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, pela razão expressa de nela o Papa Paulo VI admitir os vários níveis do ser e do existir humanos ou, conforme expressas palavras do crítico, por o Papa fazer «dicotomia entre libertação económica, política, social, cultural e evangélica, entre libertações puramente humanas e a salvação em Jesus Cristo»?! Ao que se vê e ouve, a estes «cristãos não-religiosos» basta a luta de classes, contanto que exclusiva e levada à raiva e ao paroxismo…” Na mundividência cristã-católica de D. António, o que verdadeiramente e acima de tudo interessava era a Igreja Institucionalizada… daí o seu procedimento em termos de Contabilidade e Administração: há os que estão dentro da Igreja e fazem da obediência ao Chefe a suprema virtude, e há os que estão fora dela ou se vão colocando fora do rebanho. «Extra Ecclesiam nulla salus» - era o mote tradicional. Assim os comentários críticos do Mário ao documento de Paulo VI punham-no fora da Igreja. Triste e miserável concepção, esta, da Igreja, que dizem de Jesus Cristo!... Sete anos antes, em 1969, aquando da publicação do meu livro, na Moraes Editores, «Igreja sem Cristianismo ou Cristianismo sem Igreja?!», o mesmo D. António, comentando a obra numa reunião de Jucistas, teve o cuidado de concluir e alertar que o autor desse livro já se achava ipso facto, fora da Igreja!... A ladainha é sempre a mesma, ou seja, a que é ditada pela sempiterna Cultura do Poder-Dominação d’abord. Como poderia o Padre Mário, mantendo-se as coisas institucionalmente como estão, ter o seu lugar próprio dentro do sistema eclesiástico da Diocese? Não se esquecendo, obviamente, das procelas alterosas experienciadas ao longo da Viagem da Vida, o Mário deixou registada esta reflexão muito sentida e dorida (p. 143): “A verdade é que, depois deste episódio [os comentários críticos à Evangelii Nuntiandi], nunca mais mereci a confiança pastoral do Bispo D. António. E tenho permanecido até hoje como padre sem paróquia, sem ofício pastoral por nomeação episcopal. Mas de modo algum padre sem Igreja ou sem exercício do ministério presbiteral. Não me vêem no interior dos templos e nos altares, mas vêem-me dentro do mundo, nos «media» e numa permanente relação de proximidade com todas as mulheres e com todos os homens, a começar pelos mais oprimidos e empobrecidos. E também os ateus e agnósticos”. Algumas Observações e Comentários sobre o Livro em referência. O Mário foi, também, jornalista de profissão. Como Paulo que, para não ser pesado às ekklesías, que fundava e assistia, se entregava ao ofício de cesteiro. O estilo e a escrita do Padre Mário são claros e incisivos; ousa enfrentar as situações e os problemas, tais quais elas e eles se põem, com radicalidade, intrepidez e realismo crítico. Os próprios temas, que desenvolve com mestria, são surpreendidos e agarrados a partir das situações concretas, experienciadas pelos homens e pelas mulheres, nossos contemporâneos. As exigências da nossa contemporaneidade estão sempre presentes e são satisfeitas. A estilística frapée, própria do jornalismo hodierno, que procura impressionar e até abalar a opinião pública e os sentimentos esteriotipados, está bem presente, inclusive nos títulos dos capítulos do livro. Por exemplo: A vaidade do Papa João Paulo II não tem limites!!! (p. 179); O pecado sem perdão do Cardeal Patriarca de Lisboa (p. 191). O bem achado slogan do Noé (um dos participantes no 5.º Encontro de Cristãos, na Casa Diocesana de Aveiro, no final do séc. XX), «A fé sem luta é como carro sem rodas», serviu magnificamente de título a todo um capítulo do livro (p. 207). Quanto à actualização teológica e cultural e correspondente atmosfera crítica, o discurso do Mário é bem iluminado e chega a ser esplendoroso. Nesta vertente, gostámos, muito especialmente, do capítulo que dá pelo título sugestivo: Eucaristia, ou sacrílego negócio? (p. 197) (…) No capítulo subordinado ao título Alá ou Deus? Maomé ou Jesus?, destacamos o parágrafo seguinte (p. 83): “É com Jesus de Nazaré, e só com ele, que aprendemos a ser ateus de todos os deuses, chame-se ele Alá ou Javé, Pai ou outro nome qualquer que nós, seres humanos, lhe atribuamos. Deus nunca é o que dizemos que é. Nunca é o que imaginamos que é. Nunca é o que pensamos que é. Deus nunca é o que vemos, palpamos, cheiramos, pensamos, imaginamos. Se fosse, seria automaticamente inferior a nós, seria obra das nossas mãos, da nossa inteligência, da nossa mente, dos nossos desejos, da nossa imaginação. Deus só pode ser o totalmente Outro”. Este discurso crítico é, sem dúvida, o melhor que se pode tecer e formular no horizonte da chamada «Teologia Negativa» e «teologia mística», iniciada pelo Pseudo-Dionísio Areopagita, no «corpus dionisyacum» (a partir do séc. V) e continuada, na Idade Média, por Mestre Eckhart (séc. XIV). (…) Ainda no concernente a esta problemática, apreciámos a coragem do Mário em pôr em causa o próprio fenómeno fundador da revelação, nas grandes religiões institucionalizadas. Refira-se, por exemplo, o parágrafo seguinte (p. 79): “A este respeito, vou ainda mais longe e afirmo que nem sequer é correcto falarmos em revelação de Deus, mesmo que esta acontecesse em todos os povos, em pé de igualdade. Na verdade, quem pode garantir que é de Deus o que este homem ou aquela mulher ou aquele grupo diz ser palavra de Deus? Quem entre os seres humanos, alguma vez, teve ou terá acesso a Deus? Quem alguma vez viu Deus? Quem alguma vez ouviu Deus? Não é Mentira tudo o que alguém ousa dizer sobre Deus, sobretudo, quando o diz no tom de quem parece ter a definitiva e última palavra? (ou no tom de definição dogmática, como faz a nossa Igreja católica?)”. (…) Mas já insinuámos, no princípio desta intervenção, que não estávamos sintonizados a 100% com a mundividência e o pensamento do Amigo Mário, expendidos e configurados ao longo deste seu livro. O Mário utiliza duas ou três vezes o adjectivo jesuânico... Mas eu acabo por verificar que ele não o utiliza na mesma acepção de ruptura com o Cristianismo (histórico e doutrinal de Paulo), em que eu o emprego, designadamente em «Sócrates e Jesus/Esses Desconhecidos! As Duas Revelações gêmeas» (Edicon, São Paulo, 2001). No meu horizonte crítico, eu tenho de perguntar-me que sentido válido e legítimo é que pode ter uma profissão de fé jesuânica, emitida por uma pessoa que se considera padre/presbítero da Igreja cristã-católica!... Enternece-me e aprecio positivamente o que vejo escrito na p. 14 do livro em causa: "espero singelamente contribuir para restituir ao Cristianismo e à Igreja o rosto e o sopro jesuânicos que um e outra têm que voltar a ter, para serem de novo um cristianismo e uma Igreja abertamente amigos e companheiros das pessoas e dos povos, cheios de misericórdia e tolerantes para com todas as nossas fragilidades, por isso, bem nos antípodas do sacrificialismo doentio tão do gosto das deusas e dos deuses dos cultos dos mistérios do Paganismo". Bastará invocar, obviamente para o condenar, o sacrificialismo doentio, oriundo do Paganismo e expresso nos seus típicos «bodes expiatórios», como se tais cultos e ritos fossem exclusivos das religiões pagãs?... Temos de reconhecer que um discurso assim continua a «branquear» e a rasurar as substantivas diferenças abissais que separam, à partida, o Jesuanismo e o Cristianismo, a arquitectura filosófico-antropológica da mundividência jesuânica e a correspondente arquitectura da mundividência cristã. Abreviando e resumindo, salientaremos, aqui, tão-só as duas teses/dogmas estruturais, que fezem a diferença essencial entre as duas mundividências: a dogmática da Incarnação e a dogmática da Redenção. Ambas são tributárias da sempiterna Cultura do Poder-Condomínio e não se compreendem nem se justificam dentro da Cultura antropológica da Liberdade Responsável primacial e primordial, pela qual ainda se bateu, no séc. IV, o Cristianismo de Pelágio, que desconhecia a doutrina do pecado original, e o chamado Cristianismo céltico não esqueceu de todo. Ora, no concernente à Incarnação, sua teoria e ideologia, o Cristianismo histórico e doutrinal das Igrejas pouco ou nada inovou, em confronto com as religiões mistéricas do Paganismo. Ele emerge, ideológico-culturalmente, na esteira daquele padrão deus/homem mítico que, na bacia do Mediterrâneo e no Médio-Oriente (onde nasceu a Civilização), grassava um pouco por toda a parte, há cerca de 20 séculos: Átis (na Ásia Menor), Adónis (na Síria), Osíris (no Egipto), Dionísios (na Grécia), Baco (na Sicília e na Itália), Mitra e o mitraísmo (na Pérsia). No atinente à Soteriologia, ou seja, no que diz respeito à doutrina clássica do sacrifício redentor personificado na Crucifixão/Ressurreição de Cristo (procedente de Paulo e das suas Cartas em geral, que não apenas da Carta aos Hebreus, que, sendo embora da escola paulina e não propriamente do punho de Paulo, é sem dúvida a mais apodíctica e categórica, na doutrina), - o que há a concluir, expressa e manifestamente, é que: a) uma tal doutrina dogmática (essencialíssima ao Cristianismo) se coaduna perfeitamente com a teoria da libertação/salvação vicária/vicariante, apoiada esta, por sua vez, na paulina/agostiniana doutrina tradicional do «pecado original»; b) essa doutrina enquadra-se geometricamente (cavilha quadrada em buraco quadrado) na Potestas mono-árquica e hierárquica e na Cultura do Poder-Dominação d'abord, a qual se acha nos antípodas, quer da Cultura da Liberdade Responsável primacial e primordial, quer da teoria socrática do «Dois-em-Um». Neste pelouro filosófico-crítico, convém fazer uma advertência sócio-política muito importante: As nossas dificuldades e desconfianças estruturais no Ocidente, em evoluir da democracia representativa (puramente representativa) para a democracia participativa e directa, prendem-se, intrínseca e nuclearmente, com uma idiossincracia própria dos ocidentais, que procede directamente dessa doutrina teológica da Redenção vicária/vicariante. O próprio Despotismo iluminado (que assomou, ultimamente, por exemplo, na «preemptive war» de George W. Bush, e na teoria da «guerra preventiva» de alguns políticos ocidentais), e que na Cultura ocidental nunca foi expressamente censurado e combatido, tem a sua raiz nessa doutrina soteriológica. Ao ler atentamente os temas e problemas seleccionados neste livro do Mário e o vibrante e donairoso carácter teológico e jornalístico, que o Autor soube injectar na discussão e argumentação expressas nestes textos, eu tenho de confessar que sou, por vezes, assaltado pela questão/dúvida de saber se, por trás do discurso e da linguagem, está o padre/presbítero da Igreja cristã-católica, ou o homem verdadeiramente jesuânico. A questão é pertinente e a dúvida pode até ser substantiva, e não puramente retórica... (...) Significa isto que, nesse território de questões teológicas e eclesiais, há todo um vasto e complexo empreendimento de Desconstrução (hermenêutica e filosófico-cultural) à Jacques Derrida, que é necessário e urgente retomar e refazer. Mas, curiosamente - o que reforça a minha dúvida -, essa Desconstrução, o Mário também a faz, talvez não sistematicamente, mas por vezes, ele fá-la, de modo brilhante. (Um bom exemplo disto é o seu texto, incluído neste livro, a que já aludimos, subordinado ao título: Eucaristia, ou sacrílego negócio?, pp. 197 e ss.) Mas o Mário nunca foi homem de desistir às primeiras impressões; e a odisseia da sua vida leva-me a respeitá-lo muito e a tomá-lo como um «corredor de fundo». Eis por que o outro lado da minha dúvida é avivado pela sua pertinaz reivindicação da dimensão jesuânica, muito embora mantendo-a homologada e confundida com o Cristianismo. Um parágrafo, onde essa dimensão jesuânica aparece, reza assim (p. 74): "Decidi meter mãos a este empreendimento, mas com a condição de jamais renunciar à consciência crítica que a minha condição de cristão jesuânico [sublinhado meu] sempre exige de mim. Por isso, de modo algum tenho aqui a preocupação de alinhar no politicamente correcto e - com toda a fronatlidade o declaro - recuso entrar na paranóia de dizer que tudo o que é muçulmano é bom, como agora parece estar na moda. Ou que tudo o que está no Alcorão é bom. Não é. Como não é bom tudo o que é católico. Nem é bom tudo o que está na Bíblia judaico-cristã". O Mário declara, muito justamente, recusar e fugir do politicamente correcto. Mas, por exemplo, no capítulo titulado Homossexuais: acabe-se já com a discriminação!, ele parece precipitar-se para os modismos, ditados pelo «politicamente correcto». Não vou aqui esmiuçar as questões envolvidas e assaltar a fortaleza sobre esta matéria. Pretendo, tão só, en passant, chamar a atenção para alguns ilogismos na argumentação, que surgem, por exemplo, no parágrafo seguinte (p. 177): "Ora, em Jesus de Nazaré, a humanidade como Deus a criou, revela-se não patriarcal e [não] machista, nem sequer heterossexual à maneira do patriarcalismo hebraico, em que o masculino domina o feminino, mas numa igualdade radical entre mulher e homem, e na qual tanto as tendências heterossexuais como as homossexuais são naturais e legítimas e representam, por isso, não um mal, mas um enriquecimento para a humanidade no seu conjunto". Em 1970, eu e um grupo de universitários publicámos, em Coimbra, na Liv.-Ed. Almedina, um livro antológico titulado: «Igualdade Radical para a Mulher». O livro teve três dias de vida, antes de ser apreendido, na totalidade dos seus 1000 exemplares impressos, pela PIDE/DGS. Foi também motivo e objecto de um processo «jurídico», movido pelo Senado da Univ. de Coimbra, que acabou por expulsar de Director Artístico do CELUC, o autor destas linhas. Quanto a mim, ainda hoje posso subscrever tudo quanto assinei nesse livro!... Mas voltemos ao parágrafo do Mário: Da igualdade radical entre homem e mulher, preconizada, sem dúvida, pela doutrina e pela prática de Jesus (Paulo já é muito diferente... vd., vg., 1 Cor. 14, 43-36; 11, 2-16), não se segue logicamente, não se pode seguir, que as tendências heterossexuais e as homossexuais sejam igualmente naturais e legítimas. Afirmar uma proposição declarativa desta índole encerra um ilogismo e tem de afirmar-se que é um sofisma. O próprio Jesus não é nenhum eunuco, ou don juan, como tantas vezes o têm interpretado ou pintado... Segundo os textos do Qumran, sabemos que ele casou duas vezes: a primeira com Maria Madalena; e a segunda com a bispa Lídia, de Antioquia, uma vez que Maria Madalena, a partir de certa altura, começou a simpatizar mais com a doutrina do irmão de Jesus, Tiago (nascido já dentro do casamento, legalmente formalizado, de Maria e José), o qual adoptava uma linha de observância estrita da Lei judaica. No cap. 7 da 1 Cor., Paulo fala deste caso paradigmático: a Igreja chamou-lhe «privilégio paulino», ou seja, a possibilidade de dissolução do vínculo matrimonial «propter religionis causam», admitida e reconhecida por Paulo, tendo em vista o caso ocorrido entre Maria Madalena e o Senhor Jesus. Nestas matérias da Sexualidade humana e, de resto, em todas as questões humanas e/ou psico-sociais, é mister manter a atenção desperta para a edificação de um Pensamento de natureza genética e genealógica, o único padrão de pensamento capaz de reunir e salvaguardar a união indissolúvel das raízes e da utopia. Em função da passagem pelo teste do pensamento genético e genealógico, é preciso, por conseguinte, mantermo-nos atentos ao background do Passado, firmar bem as raízes no Passado, para viver crítica e adultamente o Presente e poder iluminar a preparação adequada do Futuro, uma vez que - como diria Antonio Machado - caminante, no hay camino, se hace camino al andar!
Eis por que, sem este fato de treino, ou couraça que nos respalda e fundamenta o viver e o seu processus humanizado, o que nos pode vir a cair em sorte, com toda a naturalidade e a inércia das coisas, é a eterna lei do pêndulo entre Sila e Caríbedes, ditada pelas Modas e modismos do Presente, afinal, a corveia paga à sempiterna Cultura do Poder-Dominação d'abord. Desta tentação, ou deste pecado (!...), eu tenho sempre muito medo, - confesso. (...)
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PALAVRAS DO PE. MÁRIO A ENCERRAR A SESSÃO “Deixem-se explodir pela força libertadora que sopra neste livro”
Se eu fosse o profeta Jeremias bíblico, teria motivos de sobra para me lamentar. E certamente já teria amaldiçoado o dia em que nasci, esse dia 8 de Março de 1937, quando disseram à ti Maria do Grilo, minha mãe - Nasceu-te um filho, um rapaz! Fui baptizado, 15 dias depois de ter nascido e ordenado presbítero, 25 anos depois de ter sido baptizado. Mas a Igreja que me baptizou e ordenou presbítero não tem querido saber para nada desses dois sacramentos com que me assinalou e atirou comigo para a margem, pior, continua a proceder comigo, desde há uns trinta anos a esta parte, como se eu simplesmente tivesse deixado de existir. E isto sem que haja coragem para me julgar nos seus tribunais (é verdade, a Igreja também tem tribunais, mas quando lhe dá jeito, comporta-se como se os não tivesse!). Bastou que o bispo castrense, D. António dos Reis Rodrigues, primeiro, e o bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, depois, me declarassem, cada qual a seu modo, "padre irrecuperável", para que a Igreja que está no Porto, todo o Presbitério incluído, acatasse aquele veredicto. O bispo comporta-se, na sua diocese, como o imperador Constantino, no séc. IV, em Roma: concentra nas suas mãos todo o poder: o legislativo, o executivo e o judicial-canónico. Quem não lhe cair em graça; quem dissentir da sua orientação pastoral (como, aliás, quem dissentir do pároco, na paróquia); quem pautar a sua vida por outra teologia, a teologia jesuânica da libertação; quem ousar ser discípulo de Jesus, o Crucificado/Resssucitado, dificilmente terá mais hipóteses na Igreja a que ele preside. Pode não ser canonicamente excomungado, mas passa a ser tratado como não-existente, o que é mil vezes pior. Com os membros das outras Igrejas cristãs, do ramo protestante, ainda se dialoga, pelo menos, simula-se um certo desejo de unidade e algum ecumenismo. Mas com este tipo de membros como eu, embora sejamos da mesma Igreja, deixa de haver contactos! Simplesmente, não existimos. O mais impressionante é que, entretanto, a vida eclesial rola, como se nada de anormal tivesse acontecido. Sucedem-se as missas diárias e aos domingos, as visitas pastorais, o natal e a páscoa e o pentecostes, os crismas em tudo quanto é sítio. Como se não houvesse aqui nenhuma espécie de crime nem de pecado contra o irmão e contra o Espírito Santo. Ora, que fique claro duma vez por todas: O que eu sou, em Igreja, sou-o pela graça de Deus. Sou-o por força do baptismo no Espírito Santo. E por força do sacramento da Ordem que me assinalou, dentro da simbólica por que se rege a nossa Igreja, para o serviço maiêutico, altamente subversivo, de Evangelizar os pobres. Por isso, ao ver como sou tratado, tenho que concluir que nem a Igreja acredita no que faz. Concretamente, nem a Igreja acredita nos sacramentos que celebra. Ainda pensa que baptizar é simplesmente integrar alguém no sistema eclesiástico. E que ordenar alguém de presbítero é fazer duma pessoa baptizada um mero funcionário eclesiástico ao serviço do respectivo bispo diocesano. Por isso, quando o baptizado, à medida que cresce em anos e em consciência, se rebela, fecunda e inconcidionalmente, perante o sistema eclesiástico, eis que a Igreja, em lugar de se alegrar e fazer eucaristia e dizer "Está aqui o dedo, a marca do Espírito Santo!", assanha-se toda e tudo faz para escorraçar quem assim se manifesta. Sem cuidar de ver se está aí ou não a força do Espírito Santo, que é, como se sabe, à luz da prática subversiva de Jesus, a fonte de toda a dissidência. Igualmente, quando o ordenado de presbítero, em lugar de se comportar como mero funcionário eclesiástico, subserviente e sem consciência crítica, inesperadamente se afirma como homem incondicionalmente entregue ao serviço maiêutico da libertação da humanidade, a partir dos mais oprimidos e excluídos que são os empobrecidos, e que hoje voltam a ser milhares de milhões em todo o mundo, eis que a Igreja hierárquica, em lugar de se alegrar e de se deixar interpelar até à raiz por essa vida, por esse carisma, por essa concreta manifestaão do Espírito Santo, fecha-se mais e mais na concha do seu poder e dos seus privilégios e trata como «louco» aquele membro que assim se comporta. O Evangelho de Mateus bem adverte e a contra-capa deste meu livro faz questão de o sublinhar: "Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás. Aquele que matar terá de responder em juízo. Eu, porém, digo-vos: Quem se irritar contra o seu irmão será réu perante o tribunal; quem lhe chamar «imbecial» será réu diante do Coselho; e quem lhe chamar «louco» será réu da Geena do fogo". Mas nem assim a Igreja hierárquica quer saber. Na sua soberba e na sua arrogância, acha que, agora, todos estes séculos depois de Jesus, até ele tem que se sujeitar a ela, não ela a Jesus. Vai daí, prefere viver com um cadáver, pomposamente reverenciado no panteão da sua cruz de ouro e prata e no panteão do seu altar, até do seu sacrário, a ter que suportar todas as surpresas, todas as «tempestades», todos os «ciclones», todo o «Novo», que o Ressuscitado e o seu Espírito continuamente desencadeiam na História, gostem ou não gostem os hierarcas e demais poderosos do mundo. Basta ver a facilidade com que a Igreja, na pessoa do papa, anatematiza, excomunga, despreza, condena as suas irmãs, os seus irmãos "rebeldes", concretamente, as teólogas, os teólogos da libertação, os padres operários que vivem longe dos templos e dos altares, ao mesmo tempo que acolhe, com pompa e circunstância, os assassinos da actualidade, como por exemplo Georges W. Bush, com quem ainda ontem, dia 4 de Junho de 2004, trocou presentes e elogios, inclusive, apontou-o como exemplo de governante que favorece políticas ao serviço da vida!... Não sou Jeremias, embora sempre o tenha tido presente na minha vida. Por isso, não me lamento. Não escrevo lamentações. Em vez disso, continuo a cantar a vida, o Espírito Santo que me fez padre/presbítero assim. E rio com vontade. E festejo. E danço. Vivo continuamente de braços abertos para abraçar até quem se tem por meu inimigo. Acolho quem me rejeita ou despreza. Bendigo quem me amaldiçoa. Depois destes anos todos, continuo aí como um menino. E canto: Quando for grande vou ser, quero ser como um menino; convidar prá minha mesa quem pelo mundo é deprezado; acabar com a pobreza, quero ser como um menino. Este livro é, certamente, o que tem mais de mim. Vereis que não tem azedume. Não tem ressentimento. Não tem arrogância. É a expressão da liberdade que eu sou e vivo em Igreja e no mundo, graças ao Espírito de Jesus ressuscitado. Leiam-no e verão. Porque na liberdade, não há temor. Não há rancor. Não há ressentimento. Só há ternura e combate contra os sistemas, também o eclsiástico, que nos querem subservientes, domesticados, tutelados, resignados. Leiam-no e deixem-se explodir pela força libertadora que nele sopra, como a grande Páscoa do século XX e do terceiro milénio.
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HANS KÜNG É o Vaticano que pede: Denunciem os padres criativos
O eminente teólogo HANS KÜNG, de Tübingen, reage nos termos que seguem à instrução vaticana sobre Liturgia, a qual chega a pedir aos fiéis que denunciem os padres criativos. Leiam e ajam. A nova instrução do Vaticano sobre a liturgia Redemptionis Sacramentum espalha um clima de desconfiança nas comunidades e fala mesmo do direito dos fiéis a denunciarem os padres liturgicamente mais criativos! Toda a oposição a esta Instrução! a. Mostremos que somos cristãs, cristãos adultos! Não deixemos cair em saco roto a abertura litúrgica do Concílio! Continuemos a viver experiências espirituais; continuemos a criar liturgias vivas e adultas. b. Sublinhemos nas nossas comunidades o facto de que a liturgia não diz respeito apenas aos bispos ou aos padres. Ela diz respeito a todo o corpo místico da Igreja. c. Continuemos a promover a pregação dos leigos, mulheres e homens, ou o diálogo livre entre os participantes no decorrer da celebração eucarística. d. Desenvolvamos as formas litúrgicas propostas pelos leigos, contanto que sejam aceites pela comunidade. e. Não fiquemos indiferentes à desertificação das missas dominicais. Ela acontece porque as pessoas não compreendem a linguagem litúrgica oficial e não se sentem atingidas pelas fórmulas tradicionais. f. Utilizemos as possibilidades existentes de formação litúrgica para os leigos; se as acções de formação para os agentes pastorais vierem a ser reduzidas ou suprimidas devido à Instrução romana, organizemos com outras comunidades acções de formação alternativas. g. Solicitemos às teólogas, aos teólogos, sejam clérigos, sejam leigos, que continuem a assegurar o seu serviço às comunidades, por sinal, tão apreciado e utilizado por elas. h. Convidemos todos os membros das nossas comunidades a dirigir a sua eventual crítica ao conselho da comunidade, ao pároco, ou ao grupo litúrgico, para que estes, por sua vez, alertem a instância superior. i. Animemos os nossos padres para que se não deixem intimidar pelas ameaças nem pelas denúncias sugeridas pela Instrução romana. j. Convidemos o nosso bispo a protestar para Roma contra esta Instrução e a exigir mais liberdade para as Igrejas locais. “É um paradoxo que, agora que as igrejas estão cada vez mais às moscas, o Vaticano não encontre nada melhor para fazer, que incutir normas litúrgicas ultrapassadas, numa desesperada tentativa de dificultar o caminho de acesso a uma Ceia ecuménica e comunitária.”
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CÚRIA DO VATICANO ENTREGA LIVRO DO PAPA A EDITORA DE BERLUSCONI Dá dinheiro? É bom! Depois do sucesso financeiro que foi a venda dos direitos editoriais do livro "No limiar da esperança", de João Paulo II, à transnacional editorial Mondadori, de Berlusconi, a Cúria do Vaticano volta a repetir a receita de sucesso financeiro e acaba de entregar à mesma transnacional o novo livro do papa, titulado "Levantai-vos, vamos!" O livro é já saudado como mais um "best-seller" de vendas. E não admira que o seja. As empresas do actual chefe de Governo italiano estão habituadas a fazer dinheiro, sem olharem aos meios utilizados. O facto escandaliza a parcela da Igreja mais próxima do Evangelho de Jesus, por ver que, afinal, o Vaticano não tem quaisquer escrúpulos de natureza ética, à hora de escolher uma Editorial para os livros do seu chefe-mor. Pelos vistos, na Cúria, já nem cuidado há em salvar as aparências. O objectivo é vender e fazer dinheiro, muito dinheiro, nem que seja com recurso a uma transnacional como a Mondadori, de Berlusconi, que tem tudo de adoradora do deus "Mamon", de que fala Jesus no Evangelho, e contra o qual diz que a sua incompatibilidade pessoal e de projecto de vida é total. Fica assim claro que a postura da Cúria do Vaticano não coincide com a de Jesus. Pois é com este tipo de empresas e de empresários que os cardeais da Cúria se sentem a jeito. O título do novo livro remete-nos para o Getsémani e para a agonia de Jesus, quando os três discípulos, com Pedro à cabeça, dormiram e depois o abandonaram. Hoje, a Cúria romana em lugar de dormir, prefere fazer como Judas e corre a negociar com empresários adoradores do deus "Mamon", enquanto Jesus continua aí em agonia na História, no corpo das vítimas.
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LIVROS DO TRIMESTRE A revolução perdida. Memórias 3 (Editorial Trotta / Ernesto Cardenal)
"Muito antes de existir a Frente Sandinista, já eu era sandinista, desde a adolescência". Assim se inicia este terceiro volume de Memórias do maior poeta latinoamericano vivo, Ernesto Cardenal. O presente volume conta em pormenor o "raspanete" público que o actual papa João Paulo II lhe dirigiu, aquando da sua visita à Nicarágua, quando Ernesto, sem deixar o ministério ordenado, aceitou integrar o Governo sandinista, como ministro da Cultura. É um livro com todos os encantos de um romance bem concebido, mas muito mais do que isso. Corram por ele. O livro transporta-nos para os ambientes da guerrilha contra o ditador Somoza que aterrorizava a Nicarágua, com o aval dos EUA e a bênção da hierarquia católica do país. Cardenal viu-se, desde muito cedo, do outro lado da barricada, juntamente com a juventude do seu povo. E a luta foi de vida ou de morte. Duélica. Felizmente, venceu a poesia sobre a ditadura, a ternura sobre a violência, a verdade sobre a mentira, a liberdade sobre o medo, o amor sobre o cinismo. Ernesto Cardenal não teve que pegar em armas. Mas foi escolhido pelos companheiros para levar a todas as partes do mundo a revolução sandinista na sua marcha vitoriosa. Os apoios que granjeou foram mais do que muitos e, sobretudo, plenamente eficientes. Somoza (e a sua ditadura) viu-se cada vez mais isolado e acabou por afundar-se frente à dignidade de um povo em insurreição armada, conduzida pelo amor, não pelo ódio. Entre os países visitados pelo poeta e padre, também se inclui Portugal. O livro não deixa de o registar com agrado. "Os dias difíceis e jubilosos que não voltarão" é um capítulo que ainda hoje nos galvaniza. Aí se dá conta da outra insurreição, já depois da insurreição armada, a insurreição contra o analfabetismo, com brigadas de estudantes por todos os rincões do país, onde nem sequer faltaram as oficinas de poesia e de outras artes, com o povo como protagonista. Outro capítulo verdadeiramente estonteante vem com o título sugestivo e polémico: "Graças a Deus e à Revolução". Terá sido esta frase, colocada em grande destaque no aeroporto, que enfureceu o papa e o tirou do sério, ao ponto de chegar quase a insultar o povo sandinista, durante a sua visita ao país. Vem tudo aqui. O Messias antes de Jesus (Editorial Trotta / Israel Knohl) "Proponho-me mostrar [neste livro de 126 páginas] que Jesus se considerou a si mesmo o messias, e que acreditou verdadeiramente que este personagem seria rejeitado pelo povo, condenado à morte e que ressuscitaria ao terceiro dia, precisamente porque se pensava que foi isso que aconteceu a um dirigente messiânico que tinha vivido uma geração antes de Jesus." É daqui que parte este conhecido especialista em Bíblia, consciente de que está a remar contra mais de cem anos de investigação bíblica. A sua tese só é possível, graças à descoberta dos Manuscritos do Mar Morto que vieram pôr em causa muitas verdades que se tinham por definitivas e que não passavam de pura imaginação. O que é, de certo modo, perturbador neste livro é que quase tudo o que os Evangelhos nos dizem sobre Jesus Messias já havia sido dito, um século antes, sobre um outro servo sofredor. Parece até que os Evangelhos se limitaram a aplicar a Jesus o que nesses textos se diz do messias como servo sofredor. Mas para o autor deste livro, imprescindível a todos os títulos, este dado "é o elo perdido que nos faltava para compreender como o cristianismo surgiu do judaísmo. Jesus nasceu aproximadamente nos anos em que morreu esse messias. A personalidade messiânica de Jesus torna-se mais clara quando se põe em relação com a vida e a morte desse messias. A reconstrução da história desta figura messiânica assassinada permite-nos pela primeira vez oferecer um contexto histórico para os textos do Novo Testamento relacionados com a concepção messiânica de Jesus." O autor chega ao pormenor de nos relatar um dia na vida deste messias. Ética e Moral (Sal Terrae / Leonardo Boff) "Que revolução ética e moral importa fazer para curar a maior chaga que envergonha a humanidade (...): os milhões e milhares de milhões de seres humanos que gritam desesperadamente ao céu pedindo um pouco de compaixão e misericórdia em forma de pão, de água potável, de saúde, de casa, de reconhecimento e de inclusão na família humana?" É daqui que parte o nosso querido teólogo de língua portuguesa, o brasileiro L. Boff, em mais um livrinho de bolso de 134 páginas. Podem procurá-lo também na edição original em português do Brasil. É urgente meditar estas páginas. Para mudarmos de comportamentos, antes que seja tarde demais. "Temos que transformar-nos em pessoas éticas, no sentido que postulava Aristóteles, quando, na sua Ética a Nicómano, sentenciava: «Não filosofamos para saber o que é a virtude, mas para nos tornarmos pessoas virtuosas». Por isso passamos duma compreensão teórica do ethos, do ethos que busca, a outras vertebrações práticas do ethos: o ethos que cuida, o ethos que ama, o ethos que se compadece, o ethos que se responsabiliza e o ethos que se solidariza." Para L. Boff, "não temos mais alternativa que consolidar esse caminho já aberto." É avançar por ele, ou morrer. Vítimas do pecado (Editorial Trotta / José M. Castillo) É mais uma pérola teológica de sã espiritualidade que o eminente e "maldito" jesuíta ibérico nos oferece neste livro de 220 páginas. A sua leitura não pode ser mais acessível. Felizes as pessoas que se "perderem" nos seus meandros. Só podem regressar mais libertas. "Antigamente, os jovens que queriam ajudar os outros entravam num seminário, ou metiam-se num convento, enquanto que agora encaminham-se para um «voluntariado», ou fundam uma ONG. As pessoas não estão mais dispostas a renunciar à sua humanidade e, sobretudo, à sua felicidade. Ora, tal como estão as coisas, o que é de Deus e o que é da religião relacionam-se cada dia menos com a humanidade e com a felicidade das pessoas. E é claro, enquanto Deus e a religião continuarem a ter esta imagem pública, será difícil que os seres humanos queiram crer em Deus e aceitem praticar a religião." São palavras do autor na introdução. É ainda nela que ele nos avança este esclarecimento: "Jesus de Nazaré foi tão sensível a tudo o que é humano, que, segundo os relatos evangélicos, para ele foi mais importante remediar os sofrimentos das pessoas que cumprir com as observâncias religiosas. Precisamente por isso teve que suportar os conflitos e a contradição que a sua maneira de falar e de viver provocou diante dos dirigentes religiosos do seu povo e do seu tempo." São sete os capítulos do livro: 1. Jesus, um judeu que mudou de vida; 2. João Baptista e o pecado; 3. Jesus e o sofrimento; 4. Os perigos do moralismo; 5. O pecado ou o sofrimento?; 6. As vítimas do pecado; 7. Outra moral, outra Igreja, outra espiritualidade. A obra remata com uma conclusão, titulada: "A genialidade do Evangelho". Aí podemos ler por exemplo: "Jesus organizou a sua vida em função das necessidades dos mais necessitados deste mundo. E não em função dos seus próprios deveres, inclusive, quando o que estava em jogo eram os seus próprios deveres religiosos. Por isso a religião do seu povo e do seu tempo viu em Jesus uma ameaça e um perigo que não pôde suportar. Essa é a razão por que o mataram." Eis o livro. Agora é correr por ele. Lula: o presidente dos pobres (Campo das Letras / Paolo Manzo. Prefácio de Gilberto Gil) O livro abre com uma citação. É dela este extracto que sintetiza todo o livro: "O candidato da esquerda, Lula, não pode ser eleito, porque os mercados, o mesmo será dizer, os Estados Unidos, não querem. Respondendo a Soros, Joseph Stiglitz, Prémio Nobel para a Economia e ex-número dois do Banco Mundial, reflectiu acerca do assunto com estas palavras: «Penso que para a política económica do mundo Bush é muito mais perigoso do que qualquer candidato brasileiro. E se eu tiver de escolher entre Bush e Lula escolho Lula»." O livro tem pouco mais de cem páginas, mas constitui um hino à esperança dos empobrecidos do mundo. Anuncia um futuro diferente para o planeta. Em que os pobres conduzirão a política, em lugar de permanecerem eternamente como menores tutelados pelos ricos que, depois ainda por cima, vestem de benfeitores. Foi difícil a Lula chegar a Presidente do Brasil. Mais difícil será concretizar o programa que o catapultou a tão alto cargo político. Mas aí reside o cerne da questão. Para que a esperança dos empobrecidos não saia defraudada, é isso que Lula tem que conseguir fazer. "Estamos certos de que Lula - escreve o autor do livro, memo a concluir o seu trabalho - como já mostrou nas suas primeiras opções de governo, percorrerá o caminho da democracia participativa. Um desafio que encontrará resistências, mas Lula, velho sindicalista, saberá encontrar energias e formas de mediação que não permitirão ao Brasil entrar numa fase de duro conflito social. Em suma, Lula, para realizar os seus projectos, precisará, além do consenso do seu povo, da ajuda da comunidade internacional, para que isso seja «gratuito» e não condicionado."
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ÚLTIMA PÁGINA XXIV Congresso de Teologia José M. Castillo a abrir E Jon Sobrino a encerrar O XXIV Congresso de Teologia de Madrid realiza-se de 9 a 12 de Setembro de 2004 em Madrid, na sala de actos das Comisiones Obreras. Os dois eminentes teólogos jesuítas de língua espanhola, José M. Castillo e Jon Sobrino, abrem e encerram, respectivamente os trabalhos. O tema geral em debate, este ano, é "espiritualidade para um mundo novo". "Situação sócio-religiosa da nossa sociedade" é o tema confiado a José M. Castillo, logo após as palavras de saudação do teólogo Juan José Tamayo Acosta, secretário geral da Associação de Teólogas e Teólogos João XXIII, promotora maior do Congresso. Nos dias seguintes, haverá oportunidade para escutar outros teólogos. Na sexta-feira, ao final da tarde, a teóloga beneditina, Maria Lourdes Solé tenta responder a uma pergunta carregada de actualidade: "A Mística hoje tem sentido?" O dia de sábado tem três conferências de fundo. O teólogo Raimon Panikkar disserta sobre Movimentos orientais de espiritualidade; Juan Floribert Kabemba, da República do Congo, desenvolve o tema Espiritualidade, tradições religiosas e cristianismo na África negra; e pelas 17 horas é a vez de Ana Maria Schlûtter nos brindar com a sua conferência sobre Espiritualidade para um mundo novo. A conferência de Jon Sobrino, no domingo, imediatamente antes da celebração eucarística de encerramento, trata de Espiritualidade da libertação a partir do seguimento de Jesus na América Latina. Se à qualidade dos intervenientes, se juntar a acção do Espírito, este XXIV Congresso só pode ser um êxito. Partilha com o Barracão de Cultura Quem desejar partilhar do seu dinheiro para ajudar à construção do Barracão de Cultura pode fazê-lo directamente na Conta da Associação Cultural e Recreativa As Formigas de Macieira em qualquer balcão da Caixa Geral de Depósitos. Eis o respectivo NIB: 00350309039917930.
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