Diário
Um olhar sobre a Igreja e a sociedade feito de humor e amor

20 Abril 2001

A família volta a estar na ordem do dia. No Parlamento português, mais do que na sociedade portuguesa. E pela mão do mais conservador dos partidos políticos com assento na Assembleia da República, o CDS/PP, do dr. Paulo Portas. Ao qual, o partido socialista, surpreendentemente, acaba de dar uma preciosa ajuda, ao deixar passar, com a sua abstenção, uma Lei que muito justamente poderia ser chamada, "Lei da Sagrada Família Portuguesa".
Nesta ajuda do PS às forças conservadoras do nosso país, pesa, certamente, a influência do seu secretário geral e actual Primeiro Ministro, António Guterres, um católico de vistas curtas, tão papista como o papa João Paulo II, um daqueles católicos que ainda ajoelham diante dos padres e beijam o anel de oiro dos senhores bispos!
Só que, por este andar e com um pouco mais de atrevimento por parte dos saudosistas do Salazarismo, a famigerada trilogia, "Deus, Pátria e Família" do passado, pode muito bem estar de regresso ao nosso quotidiano, como se, em vez de avançarmos, terceiro milénio além, estivéssemos condenados a ter de regredir estupidamente no tempo, pelo menos, até 28 de Maio de 1926.
Quem esfrega as mãos de contente, com tudo isto, é, sem dúvida, a hierarquia da Igreja católica portuguesa. As coisas parecem estar a correr-lhe de feição. Esta é a sua hora. A hora do poder das trevas. Como de trevas foram os séculos em que a hierarquia católica da Cristandade dominou as sociedades ocidentais, nos longos e sinistros tempos da Idade Média.
Tanto sucesso do poder eclesiástico católico no nosso país, só pode ter uma explicação. A reiterada invasão/intervenção do papa João Paulo II, em Fátima, que culminou, como se sabe, com a beatificação das duas crianças vítimas da cruel e perversa senhora ou deusa lá do sítio, realizada, inclusive, perante o Presidente da República Portuguesa, o dr. Jorge Sampaio, em pessoa; a recente nomeação de dois novos cardeais portugueses, um dos quais Patriarca de Lisboa e, nesta data, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa; a crescente influência da Universidade católica, cujo poder reivindicativo, junto do Estado português, é cada vez mais despudorado e deixa de cócoras os deputados dos partidos conservadores e significativa parte dos deputados do PS, assim como grande parte dos membros do actual governo; e, finalmente, a por demais badalada revisão da Concordata, cujo processo está a deixar paralisado o Estado português, frente ao todo poderoso Estado do Vaticano.
Na verdade, ou o Estado português esquece-se de que é um Estado saudavelmente laico, ou, então está a sentir-se muito mal, nessa sua condição de laico, e quase arrependido, por o ser. Só assim se compreende tamanha capitulação diante do poder eclesiástico católico. Uma capitulação que começa a pedir, para breve, uma nova Revolução, como a de 5 de Outubro de 1910, que volte a separar Estado e Igreja católica, a única maneira saudável de vivermos, quer como Estado independente das Igrejas, quer como Igreja católica e como Igrejas cristãs evangélicas.
Ainda não consegui entender o por quê de tamanha febre legislativa sobre a família, bem como sobre outras matérias com ela, directa ou indirectamente, relacionadas. Até parece que todos os problemas se resolvem com a elaboração e a aprovação de leis, umas após outras, sobre tudo e sobre nada. E que, se não houver leis sobre tudo e sobre nada, tudo é posto em causa.
Os partidos políticos deveriam entender que não é por aí que se resolvem os problemas da Humanidade. Ou investimos na educação libertadora e responsável das pessoas, pelo menos, 20 anos antes do nascimento de cada uma delas - é a aposta na educação dos que estão à beira de ser mães e pais, para que elas e eles sejam, depois, óptimos educadores dos seus filhos e filhas – ou não há leis, por melhores que possam ser, que nos valham.
As sociedades que, ao longo da História, mais apostaram na Lei, em lugar de apostarem e investirem na educação libertadora e responsável das pessoas, de todas as pessoas, e das populações, acabaram sempre por tornar-se sociedades em estado de balda, primeiro, e, depois, em estado de repressão.
Em estado de balda, porque as leis aprovadas são, geralmente, para serem desrespeitadas pelas pessoas e pelas populações. Nomeadamente, quando o esforço dos que estão à frente das instituições da sociedade e do Estado, todo ele se esgota, ou quase se esgota, nesse afã legislativo.
Em estado de repressão, porque, a dada altura, com tanta balda, a vida torna-se impossível e logo aparece a oportunidade para um qualquer ditador se afirmar e meter o país na ordem. Sem que as populações vejam nisso um mal. Pelo contrário, até saem à rua a aclamar o ditador, como se ele fosse um verdadeiro salvador da pátria.
É, pois, bem provável que todo o afã legislativo dos partidos conservadores, nomeadamente, em matérias referentes à família e à pretensa defesa da vida, quer antes do parto (leis contra o aborto), quer quando a vida chega ao estado terminal (leis contra a eutanásia), bem como em matérias de privilégios a garantir e até a ampliar à Igreja católica, corresponda a uma estratégia política, não de melhorar as condições de vida das pessoas e das populações, mas de as deteriorar ainda mais, mediante o previsível incumprimento dessas mesmas leis aprovadas, para, assim, serem criadas as condições objectivas e subjectivas que desaguarão, naturalmente, numa ditadura, ou, pelo menos, num regime musculado, com um polícia para cada cidadão e um segurança privado fardado à militar em cada porta.
Apostar na educação libertadora e responsável, é coisa que quase ninguém quer. Os próprios partidos de esquerda estão mais virados para a aprovação de leis de esquerda, do que para a educação libertadora e responsável das pessoas e das populações.
Quem está no Poder, ou aspira chegar ao Poder, gosta de leis e mais leis, porque, com elas, pode mais facilmente controlar as pessoas e as populações. O Poder, é com leis que se entende. Já com pessoas e populações livres e responsáveis, o Poder nunca se sente a jeito. Não sabe bem o que há-de fazer. Com pessoas e populações livres e responsáveis, o Poder não faz falta nenhuma e só atrapalha.
Ora, quem está no Poder, quem é Poder, gosta de o exercer, isto é, gosta de fazer sentir às pessoas e às populações que sem ele seria o caos. E, até, será, mas só quando as pessoas e as populações crescem sem que ninguém as eduque de forma libertadora e responsável, sem que ninguém faça delas pessoas e populações livres e responsáveis, capazes de gerirem os próprios destinos, no respeito por si próprias e pelas demais.
Apostar nas leis, em lugar de na educação libertadora e responsável das pessoas e das populações, é estimular o desenvolvimento de sociedades infantilizadas, com cada vez mais polícias, com cada vez mais estabelecimentos prisionais, com cada vez mais julgamentos e condenações em Tribunal. Sem que se garanta, com tudo isto, mais segurança e mais estabilidade, mais bem-estar das populações e mais felicidade.
Quando, ao contrário, apostamos nas pessoas e nas populações livres e responsáveis, nem são precisas tantos polícias nas ruas, os estabelecimentos prisionais ficam às moscas e cresce a segurança e o bem-estar na sociedade.
No que respeita à família, não vejo para que seja necessária a lei que o CDS/PP põe tanto empenho em fazer aprovar no Parlamento português. Logo, nesta altura, em que a família está totalmente posta em causa, que ninguém sabe bem o que irá ficar de tudo o que hoje por aí se vê. E em que a família hoje já não tem nada a ver com o modelo de família tradicional, da referida trilogia fascista, Deus, Pátria e Família.
Não é, porém, difícil perceber, por trás deste afã legislativo, que as forças mais conservadores da sociedade, estão visivelmente aflitas quanto ao futuro da família. Não do novo modelo de família que o futuro irá dizer como será, sim do modelo de família tradicional do passado, que elas ainda gostam de classificar como célula base da sociedade.
Por isso, essas forças conservadoras esgrimem todos os argumentos e mais um, para que a família de amanhã seja o que foi a família de ontem. Não compreendem que estão a querer o impossível. Uma vez que a História, felizmente, é sempre um processo aberto ao futuro, nunca um regresso ao passado, por mais que as forças conservadoras pretendam que ela seja.
Entretanto, as forças conservadoras que defendem tanto o modelo tradicional de família, são integradas por homens e mulheres, mais homens do que mulheres, que se dizem católicos, cristãos católicos. O que é, no mínimo, estranho.
Num tempo em que o catolicismo ocidental romano entrou em saudável colapso, e cada vez menos pessoas e populações aceitam ir por esse caminho eclesiástico, eis que esses homens aparecem como um espécie de cavaleiros de triste figura a defender o Catolicismo e um certo tipo de Cristianismo, que têm tudo a ver com a defesa dos seus interesses e privilégios corporativos, e nada, mesmo nada, a ver com Jesus de Nazaré, o Cristo Crucificado/Ressuscitado.
Soubessem esses homens e mulheres católicos, quem é Jesus de Nazaré, quisessem eles ser homens e mulheres ao jeito de Jesus de Nazaré e segundo o Espírito que plenamente o possuiu, e já não andariam tão preocupados com a defesa da família.
Na verdade, é preciso que se saiba que ninguém que pretenda defender a família - e, nomeadamente, o modelo de família tradicional que o fascismo salazarista defendeu, juntamente, com a Pátria e Deus - pode invocar o nome de Jesus de Nazaré, o Cristo, para o fazer. Porque se há instituição que Jesus de Nazaré subverteu foi precisamente a família tradicional. E fê-lo, num contexto cultural religioso, como era o judaísmo do seu tempo e país, em que a família era o valor maior a salvaguardar, por parte de qualquer indivíduo.
Os homens e mulheres que integram as forças conservadoras da sociedade, continuam, ainda hoje, convencidos do contrário. Não só porque foram catequizados, de forma errada, por eclesiásticos católicos proibidos de constituir família, mas também porque os inúmeros interesses corporativos que têm de defender, a isso os obrigam.
Como esses homens e mulheres, que integram as forças conservadoras da sociedade, também a generalidade das pessoas e das populações dos países ocidentais pensa que Jesus defendeu a família. Não sabem, essas pessoas e populações, que ele a subverteu, de raiz.
A catequese católica sempre falou e fala da Sagrada Família de Nazaré. E até a representa, de forma mais ou menos idílica e romântica, nas suas três figuras essenciais, o pai, a mãe e o filho. O pai, com sinais de idade para ser avô, a mãe, com corpo de donzela, e o filho sempre miúdo.
Nunca se lembraram de representar a Sagrada Família, por exemplo, com Jesus adulto, no meio da multidão que o seguia, a insurgir-se contra a família tradicional, e a responder, em forma de pergunta, a quem lhe fez chegar o recado de que a mãe dele e os irmãos dele estavam ali por perto à sua procura, "Quem é a minha mãe e quem são os meus irmãos?"
Mas esta é que é a real postura de Jesus. Enquanto criança, teve de ser submisso à mãe e ao pai. Como acontece com todas as crianças. Não tinha ainda pensamento próprio, posição própria. Quando chegou à idade adulta e dá início à sua missão de Evangelizar os Pobres, Jesus deixou definitivamente a família, não constituiu família, contestou a família, subverteu a família, e tudo fez para que ela se abrisse à universalidade da família das filhas e dos filhos de Deus, que engloba todas as mulheres e todos os homens do Planeta, qualquer que seja a cor da sua pele, a sua língua, a sua cultura, a sua religião, a sua etnia, o seu ADN. Ao mesmo tempo, elogiou aquelas mulheres e aqueles homens que, como ele, souberam fazer dos sem família a sua família de coração, em lugar de irem a correr constituir uma nova família, em tudo idêntica às que já existem.
Sagrada Família, é coisa que não se encontra no Evangelho. Só na imaginação dos eclesiásticos católicos, impedidos de constituir família. No Evangelho, o que se encontra, é a subversão da Sagrada Família, a dessacralização da família.
Para Jesus, a família é vista como casa de opressão, da qual é preciso escapar. Pode ser lugar para nascer, mas não é lugar para se ficar.
Da família é preciso sair e encontrar o próprio caminho. Nem que seja à custa de muitos desvarios e de muitos disparates, como no caso do filho mais novo da parábola lucana, que exige do pai a parte da herança, deixou a casa, destruiu tudo em pouco tempo, arruinou-se, bateu no fundo, mas acabou por abrir os olhos, isto é, por se tornar consciente e capaz de tomar decisões, de assumir o próprio destino.
Na parábola, é este filho e não o mais velho, que nunca saiu de casa nem deu um desgosto ao pai, que é apresentado como modelo de filho, aquele com quem o pai faz uma festa. E a festa é motivada, não pelo facto do filho regressar a casa, mas por ele ter passado da condição de perdido a encontrado, de morto a ressuscitado, ou seja, da condição de alienado e de subjugado a homem livre e responsável, capaz de assumir a vida nas próprias mãos, sem precisar de polícias a vigiá-lo, de Deus a meter-lhe medo, de chefes e de mestres a dizer-lhe o que fazer!
Mas não é só o Evangelho que vai por este caminho libertador e responsável. Toda a Palavra de Deus, desde Abraão, é por aí que vai. Não foi dito a Abraão, "Deixa a tua terra, o teu país, a casa de teu pai, e vai para o país que eu te indicar?" A vida verdadeiramente humana não é aquela que ousa ser livre e responsável?
Dir-se-á que a família é isso mesmo que almeja para cada um dos seus membros. Mentira. A família, o que pretende, mesmo sem disso ter consciência, é dominar os seus membros, mantê-los sob o seu férreo controlo.
Hoje, a situação já é muito diferente do tempo em que foi forjada a trilogia fascista, Deus, Pátria, Família. E muito diferente do tempo de Jesus, quando as crianças não tinham quaisquer direitos, e as filhas, por exemplo, eram propriedade do pai até casar, altura em que passavam a ser propriedade do marido.
Foi no seio da Sagrada Família do Catolicismo romano, que, ao longo dos séculos, as mulheres foram barbaramente oprimidas e reprimidas por homens machos que faziam delas trinta por uma linha, sem que ninguém, instituição alguma, mexesse uma palha. Até se criou aquele estúpido ditado popular, "Entre marido e mulher, ninguém meta colher".
Ora, nós nascemos no seio duma família, mas havemos de sair dela quanto antes. Ninguém deveria ficar em casa dos pais, a partir do dia em que alcança a maioridade cívica e política. A maioridade deveria ser acompanhada da saída da casa dos pais. Para tanto, a educação, desde tenra idade, deveria preparar cada educando, para dar este importante passo. Educar para a autonomia e para a liberdade responsável, eis a melhor educação.
Infelizmente, as nossas sociedades hoje parecem avançar em direcção oposta a esta. Os Poderes sabem que têm mais oportunidade, se as pessoas e as populações permanecerem infantilizadas e dependentes muito mais tempo, se possível, a vida toda. Têm medo das pessoas livres, autónomas e responsáveis. Nunca mais teriam oportunidade de se comportarem como benfeitores, sem dúvida, o melhor disfarce para a opressão que continuamente praticam, sob a capa de democracia e de liberdade!
Porém, a glória de Deus é que os seres humanos cresçam. E só crescem, se ousam sair da família em que nasceram. Sem este êxodo para o deserto, não há crescimento espiritual e de consciência das pessoas. Deus não é glorificado. Só os Poderes o serão!
A lei da Família, que as forças mais conservadoras da sociedade e que integram gente que se diz católica e defensora dos privilégios da Igreja católica é, por isso, uma lei anti-evangélica. Quando parece preocupar-se com as pessoas e as populações, está simplesmente a castrá-las. Não estimula a sua autonomia, a sua independência, a sua liberdade e a sua responsabilidade. Perpetua a sua dependência.
Pode ser uma lei muito católica. Não é uma lei inspirada pelo Evangelho libertador de Jesus. O proteccionismo sempre foi a capa sob a qual os ditadores e os sistemas opressores se esconderam. Como não suportam a autonomia e a liberdade das pessoas e das populações, tornam-nas incapazes, para poderem continuar a ocupar-se delas e passarem, até, por benfeitores. Temem as pessoas capazes e por isso nunca promovem capacidades. Dos diminuídos vivem e se alimentam. Com os desenvolvidos, livres e responsáveis, saem sempre a perder.
Por todas estas razões, Jesus combateu e combate a família, sempre que ela pretende perpetuar os seus direitos sobre os que nascem dentro dela. Combateu e combate os sistemas que estão à frente das sociedades, quando estes tudo fazem para manter infantilizadas as pessoas e as populações. A aposta de Jesus não é pela facilidade e pelo proteccionismo. É pelo desenvolvimento integral e pela autonomia total. Só o desenvolvimento e a autonomia promovem a liberdade e a responsabilidade.
Trata-se, pois, duma via exigente. O facilitismo nunca foi caminho de Jesus. A exigência, sim. Sem jamais chegar a descambar em arbitrariedade e em autoritarismo. Por isso, exigência cheia de ternura e de compreensão. Exigência cheia de inteligência e de afecto. Exigência maiêutica, que faz sair de cada pessoa que vem a este mundo o que há de melhor e de original dentro dela. De modo que cada pessoa cresça em idade, estatura, sabedoria e graça, como Jesus. Até se tornar filha/filho de Deus, como Jesus. Não apenas filha/filho da mãe e do pai que os chamaram à vida. (Dizer filha/filho de... é dizer alguém com o mesmo ser/viver daquele de quem se diz filha/filho. E dizer filha/filho de Deus é o mesmo que dizer alguém totalmente distinto do pai e da mãe naturais, alguém totalmente original, criador.
De seres humanos clones está cheio o mundo. Do que mais precisamos, é de pessoas originais, surpreendentes, criativas, que abram percursos ainda não andados, que saltem das rotinas instaladas, pessoas novas e capazes de Novo, em quem a vida sempre começa, como num princípio!
Para que esta maravilha seja possível e historicamente real, Jesus subverteu a família e, em seu lugar, instituiu a comunidade, que se faz não sob o poder do sangue e do pai, mas sob a liberdade da escolha, do acolhimento recíproco, do amor gratuito, da partilha da vida e dos bens, e onde ninguém jamais pode assumir um papel de pai, de mestre, de tutor. Pois que na verdadeira Comunidade, apenas há lugar para irmãs e irmãos, para companheiras e companheiros, isto é, para pessoas, mulheres e homens, que comem do mesmo pão (que isto é o que etimologicamente significa o termo companheira/companheiro).
É natural que os católicos conservadores, nos antípodas das cristãs e dos cristãos que crescem e convivem com Jesus de Nazaré, o Crucificado/Ressuscitado, continuem a tudo fazer para ter uma lei da família. Pelos vistos, irão tê-la, no nosso país.
Cabe às cidadãs e aos cidadãos abertos ao Novo, e que percebem a História como um processo aberto ao Novo e ao Surpreendente, passar ao lado dessa lei e organizar as suas vidas como se ela não existisse. Ousar caminhos não andados. Ser criativos. Exigentes consigo mesmas/consigo mesmos. Sem proteccionismos de nenhuma espécie, sempre estúpidos e opressores.
Se assim procedermos, a lei será aprovada, mas logo cairá de retrógrada. E o que conta não são as leis. O que conta são as pessoas com práticas outras, cada vez mais autónomas, livres, responsáveis, comunitárias, gratuitas, sororais/fraternas, companheiras.
Ousemos, pois, ir por aqui, que vamos bem. Na companhia de Jesus de Nazaré, o Cristo, o ser humano que o foi integralmente, sem qualquer cedência à tentação do facilitismo, do proteccionismo, da alienação, nem mesmo o facilitismo, o proteccionismo e a alienação que por aí se promovem e oferecem em nome de Deus. A tudo, ele resistiu. Crucificaram-no, é certo. Mas até esse facto ajudou a tornar claro que, ser humano integral, só mesmo ele e quem tiver a humilde audácia de ir pela via que ele abriu e em que se constituiu para todos os demais seres humanos, mulheres e homens.

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